13 de out. de 2010

Mobilização conquista vitória para os trabalhadores da DANA-Gravataí


A DANA é a líder mundial do mercado de componentes para veículos, com 40 unidades e cinco centros técnicos em 11 países. Entre os clientes da companhia estão incluso todos os maiores fabricantes automotivos do mundo. Ao total a Dana emprega 25.000 trabalhadores e obteve vendas de US$ 5,2 bilhões em 2009.

Apesar deste faturamento bilionário, em Gravataí, a empresa ofereceu um reajuste menor do que em Sorocaba (SP) que de foi 9%. O Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, ligado a Força Sindical, fechou um acordo com as empresas fixando o reajuste em 7%. Mas os trabalhadores da Dana não aceitaram o acordo rebaixado e foram à luta, passando por cima do acordo estabelecido pelo sindicato e empresa.

Quase 90% dos 1.300 trabalhadores da DANA-Gravataí cruzaram os braços e exigiram o mesmo reajuste de Soracaba. A greve começou na noite de terça-feira (5), os trabalhadores deste turno ficaram aguardando os do turno da manhã, que aderiram à greve e forçaram negociação com a empresa.

A greve espontânea dos operários da Dana pressionou a empresa, que foi obrigada a conceder o mesmo reajuste dos trabalhadores de Sorocaba (SP) - com reposição de 7% de imediato e 2% em novembro, mais um abono de R$ 500,00 – sem que haja o desconto dos dias greve.

A luta dos operários da Dana-Gravataí mostrou que é possível conquistar reajustes maiores através da mobilização e da unidade dos trabalhadores. A greve também mostrou que o Sindicato dos Metalúrgicos de Gravataí, da Força Sindical, fez um acordo rebaixado com a patronal.

O PSTU parabeniza os trabalhadores da DANA que obtiveram uma grande vitória através da mobilização, mostrando a força dos operários contra a exploração do patronal.

* Texto original no blog www.manoelpstu.blogspot.com

8 de out. de 2010

Tá na rede...

Aborto supera câncer de mama em internações pelo SUS


Em 2010, a cada hora foram 12 internações por interrupção provocada da gravidez

A interrupção da gravidez provocada – sem ser a espontânea ou por motivos médicos – é um dos procedimentos que mais ocupa leitos dos serviços públicos e privados na área de saúde da mulher.

Nos seis meses primeiros meses de 2010 foram 54.339 internações por este tipo de ocorrência, uma média de 12 casos por hora.

Internações por aborto superam a soma de tratamentos para câncer de mama e útero

Os números registrados entre janeiro e julho são 41% superiores à soma de internações por câncer de mama e câncer de colo do útero (38.532), duas doenças consideradas pelos governos federais, estaduais e municipais como grandes desafios de assistência ao sexo feminino.

O assunto saiu do anonimato diário de muitas mulheres para virar tema político. Neste segundo turno das eleição presidencial, José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) pautaram suas agendas para falar sobre – ou evitar – o tema.

Custos

O levantamento, feito pelo Delas no banco virtual do Ministério da Saúde, mostra ainda os custos do aborto provocado considerado crime pela legislação brasileira. No período analisado, foram gastos R$ 12,9 milhões para internar mulheres com hemorragias, infecções ou perfurações desencadeadas após o procedimento realizado em clínicas clandestinas. Para chegar ao dado, a reportagem excluiu do mapeamento o total de internações por "aborto espontâneo" (66.903 registros em seis meses) e "aborto por razões médicas" (905). Só foi considerada a categoria "outras gravidezes que terminam em aborto".

“São dados que mostram como a criminalização e a manutenção do aborto na clandestinidade são ineficazes do ponto de vista da saúde”, afirma o médico Thomaz Gollop, diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Grupo de Estudo sobre o Aborto (GEA), que reúne médicos, psicólogos e juristas.

“Ainda que a legislação faça com que estas mulheres não possam ser atendidas incialmente nos hospitais (para a realização do aborto) elas chegam depois, machucadas e em estado grave de saúde. Em Pernambuco, o aborto é a principal causa de morte”, diz Gollop, ao explicar porque considera a legislação atual um contrassenso.

Outros números

Além das internações por interrupção provocada da gravidez, outros números conseguem mapear a extensão do aborto no Brasil. Quando o procedimento não é completo, as mulheres submetidas a ele precisam recorrer a alguma unidade de saúde para fazer a curetagem – sucção de restos da placenta, do embrião ou do feto.

Segundo um estudo divulgado pelo Instituto do Coração (Incor) – divulgado este ano – a curetagem é o procedimento hospitalar mais realizado no País. Em média, são feitas 250 mil por ano, em valores que superam R$ 30 milhões.

No banco de dados do Ministério da Saúde, as notificações mostram que as curetagens são numerosas também no sistema privado de saúde. Das 110.483 feitas nos seis primeiros meses de 2010, 45.847 foram em unidades particulares (41,4% do total).

“O que precisa ser levado em conta é a diferença entre a condição de saúde das mulheres que chegam às unidades privadas de saúde e das que chegam às públicas”, afirma Margareth Arrilha, diretora da Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), ligada ao Centro Brasileiro de Análise de Planejamento (Cebrap).

Segundo ela, a experiência mostra que as pacientes da rede pública chegam com sequelas mais graves, em decorrência dos procedimentos mais inseguros, feitos em locais sem a menor garantia de higiene ou pela ingestão de medicamentos sem qualidade.

Remédios falsificados

De acordo com as pesquisas, seminários e levantamentos feitos pela CCR, metade dos abortos realizados no País acontece por meio do uso de medicamentos. Neste processo, avalia Margareth, o procedimento que já acontece de forma insegura fica ainda mais perigoso. “As drogas são adquiridas em camelôs ou produzidas em indústrias de esquina”, diz.

As operações realizadas este ano pelo Ministério da Justiça, em parceria com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que 42% dos 700 estabelecimentos fiscalizados este ano (drogarias, farmácias, laboratórios e academias) vendiam medicamentos falsos, contrabandeados ou sem procedência duvidosa. No total, foram apreendidas 60 toneladas de cápsulas. Apesar de não existir um ranking da classe destas drogas clandestinas, é sabido pelos técnicos que participam das fiscalizações que os abortivos – ao lado dos usados para disfunção erétil – são os mais falsificados e os mais vendidos ilegalmente.

As mulheres

O Ipas – entidade não governamental que atua na América Latina em favor dos direitos reprodutivos da mulher – fez uma pesquisa para traçar um perfil das que compram estes remédios ou fazem aborto no Brasil. Em sua publicação “O impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres e nos serviços de saúde em cinco Estados brasileiros” uma enquete foi aplicada a 2.002 mulheres, de 18 a 39 anos.

Das entrevistadas, 15% declaram já ter feito um aborto alguma vez na vida. “Projetado sobre a população feminina do País nessa faixa etária, que é de 35,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse número representaria 5,3 milhões de mulheres”, diz a publicação. Segundo o texto, o perfil é "de casadas, com filhos e religião".

O aborto é criminalizado no Brasil desde a legislação de 1940. No Sistema Único de Saúde (SUS) mulheres vítimas de violência sexual podem fazer o chamado aborto legal. A Igreja Católica e algumas alas da Evangélica recriminam a prática independentemente da circunstância da fecundação.

No ano passado, em Recife, uma menina de 9 anos, grávida de gêmeos após abusos do padrasto realizou o aborto legal. Na época, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, anunciou a excomunhão da garota, da mãe e dos médicos que atenderam a menina. O estuprador não foi excomungado. Pouco tempo depois, o presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Geraldo Lyrio Rocha, anunciou que a intenção era apenas chamar a atenção para um fato relevante e que uma excomunhão não significa uma condenação eterna.

Por Fernanda Aranda, Portal iG SP| 08/10/2010 10:36




NACIONAL

Uma campanha operária que remou contra a maré

Sem concessões e enfrentando a censura da grande imprensa, candidatura de Zé Maria foi a única a bater de frente com Lula

Mais do que nunca, pode-se dizer que o PSTU remou contra a maré. Contra a ideia dominante de que o Brasil está melhorando cada vez mais, a campanha Zé Maria mostrou um país diferente, mais próximo à realidade de milhões de trabalhadores, que convivem cotidianamente com o aumento do ritmo de trabalho e da exploração, com os baixos salários e os serviços públicos precarizados.


O perfil da campanha reforçou inclusive o veto da grande mídia ao PSTU. Se normalmente o partido, assim como os movimentos sociais e populares, já é escondido e estigmatizado na grande imprensa, nessas eleições a candidatura de Zé Maria sofreu uma verdadeira censura velada dos grandes veículos de comunicação.

Da mesma forma, a candidatura do PSTU foi a única a bater de frente com o governo Lula, denunciando seu caráter neoliberal, num momento em que até mesmo os candidatos de esquerda se mostravam intimidados com a alta popularidade do presidente.

No Brasil real mostrado nos parcos 55 segundos do horário eleitoral, estavam também as lutas dos trabalhadores. O PSTU utilizou parte de seu tempo para divulgar as mobilizações dos bancários, metalúrgicos, petroleiros, professores e a dos funcionários dos Correios. A luta dos movimentos sociais e populares também esteve representada, com a divulgação do plebiscito da Terra e da jornada de luta que teve a participação do MTST.

Contra a homofobia e as opressões

Enquanto Dilma, Serra e Marina disputavam, na reta final, o voto conservador, atacando medidas como a descriminalização do aborto, Zé Maria defendeu a campanha inteira o apoio incondicional às mulheres e ao direito ao aborto. Da mesma maneira, foi o único candidato que defendeu explicitamente o casamento gay, enquanto os demais presidenciáveis, inclusive da esquerda, esquivavam-se da questão.

O programa do PSTU sobre o combate às opressões, denunciando o racismo, o assassinato de mulheres e defendendo o casamento gay, causou polêmica ao levar o beijo gay ao horário nobre da TV. “Bem que Glória Perez tentou, mas a primazia de fazer a Globo carioca exbir um beijo gay no horário nobre será parar sempre do PSTU”, chegou a escrever o colunista de O Globo, Xexéo.

Uma campanha operária

A maior diferença entre a campanha de Zé Maria, porém, pôde ser vista em seu caráter operário. Uma campanha que ocorreu, sobretudo, nas bases das categorias, como entre os operários metalúrgicos e da construção civil, professores, funcionalismo público e os estudantes.

Foi o contraponto do PSTU à barreira erguida pela grande imprensa. Além da campanha na base, Zé Maria, junto às candidaturas de Ivan Pinheiro (PCB) e Rui Pimenta (PCO), participou do debate dos candidatos da esquerda socialista mediado pelo jornal Brasil de Fato. Mais que um debate, foi um importante ato contra o veto da grande mídia às candidaturas da esquerda.

Um balanço positivo

Os 84.500 votos em Zé Maria não foram muitos, expressão de uma conjuntura desfavorável e uma esquerda fragmentada, além do boicote midiático. Mas o PSTU ateve importância fundamental nessas eleições, contribuindo para a elevação do nível de consciência dos trabalhadores. E, com certeza, o partido sai delas maior e mais consolidado do que entrou.


5 de out. de 2010

REGIONAL


Voto contra a direita no segundo turno é voto nulo

Direção Nacional do PSTU

No segundo turno das eleições vão se enfrentar Dilma e Serra. Vai haver uma pressão grande entre os trabalhadores no sentido de votar em Dilma “para evitar a volta da direita”.


O PSTU tem total acordo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma do FHC. No primeiro turno, o PSTU teve seu programa final cassado pela justiça a pedido do PSDB. Isso ocorreu por termos mostrado que Serra- que atacava Dilma por corrupção- também tinha o rabo preso, por ter apoiado o ex-governador Arruda de Brasília. Isso foi parte de nossa batalha contra a oposição de direita, que ocorreu em todo o primeiro turno.

Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Roussef. A direita não é representada nessa campanha só por Serra. Direita e esquerda são termos relativos, mas em geral a direita representa a grande burguesia. E hoje, no Brasil, as grandes empresas estão divididas. Um setor apóia Serra, o que é mais que evidente nas empresas de TV e jornal. Outro setor, que inclui uma parte dos banqueiros (talvez a maioria), as multinacionais, os governos imperialistas, apóia política e financeiramente as duas campanhas, com um leve pendor para Dilma.

Não é por acaso que a candidatura de Dilma arrecadou bem mais que a de Serra junto às grandes empresas. Não é por acaso o apoio dos governos imperialistas para marcar aqui as Olimpíadas e a Copa do Mundo. Tampouco foi um acaso que a cotação do dólar se manteve estável nas eleições, chegando a baixar um recorde inferior a 1,6 reais.

Temos duas candidaturas em defesa do grande capital nas eleições, duas candidaturas de direita. Votar por Dilma ou por Serra é votar na manutenção do plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É votar contra a reforma agrária que foi bloqueada por FHC e também por Lula. É votar na ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

Qualquer um dos dois vai atacar os trabalhadores duramente quando a crise econômica internacional voltar a se abater sobre o Brasil. Tanto um como outro já anunciaram sua disposição de mudar a previdência, atacando mais ainda os aposentados. Pense nisso: cada voto em Dilma no segundo turno é uma força a mais para uma nova reforma da previdência. Uma votação em Serra teria a mesma conseqüência.

Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras figuras da mesma direita.

Por esses motivos, votar contra a direita nesse segundo turno é votar nulo. Chamamos os trabalhadores e jovens que nos acompanham a seguir votando em nossa legenda 16, que agora vai significar um voto nulo.

Direção Nacional do PSTU