10 de nov. de 2010

O "X" do Tarso! 

Nas escolas, os colegas estão muito apreensivos, pois ainda não foi anunciado o futuro titular da educação. Todas as reações decorrentes desta indefinição vão de torcer o nariz até coçar a cabeça, e as afirmações evidenciam muita preocupação com a demora.

O governo Tarso já foi quase todo escolhido, faltam poucos nomes. Apesar do aumento de secretarias, o futuro governador já apresentou inclusive o cara que vai ficar com a chave do cofre, o próximo secretario da fazenda será Arno Augustin, que foi secretario do Lula no tesouro nacional. A imprensa o chama de mão de ferro, mas ferro pode ser fundido.

O problema mesmo é alguém para assumir a educação, pois a tarefa que estará colocada será fazer os trabalhadores em educação continuarem aceitando as péssimas condições de trabalho e seus miseráveis salários, caso contrário, já  se teria um nome, os partidos iriam disputar a indicação, nomes seriam lançados para especulação, mas nada disso ocorre, só se escuta o silêncio...

A indefinição de Tarso, na educação, é decorrência de tentar sustentar uma imagem de esquerda, mas ter políticas de direita, para Yeda era fácil, assumidamente neoliberal, tentou aplicar a fundo seus conceitos, já Tarso terá iniciativas políticas muito próximas, foi assim durante sua passagem no governo Lula e sua composição de governo já aponta isso.

Para resolver o X da questão, Tarso precisa de alguém que reconhecidamente conheça os problemas da educação e que desperte alguma ilusão nos trabalhadores em educação, e que saiba dizer que é preciso de tempo para resolver os problemas seculares da educação. Alguém que conheça a solução e que se faça ouvir, dizendo que o caminho é mais comprido do que se pensa ,e também, tente convencer os educadores, que o menor caminho entre dois pontos não é uma reta

Por Manoel Fernandes - Diretor do 22º Núcleo do CPERS/Sindicato e da Direção Estadual do PSTU


70 ANOS SEM TROTSKY

7 de novembro: recordar a Revolução de Outubro para preparar a próxima


Escrito por Francesco Ricci - PdAC (Itália)

25 de outubro 1917 (7 de novembro do nosso calendário), depois da queda do Tzarismo (fevereiro), a esquerda governista da época, guiada pelos mencheviques e socialistas-revolucionários, procurou recolocar o poder nas mãos da burguesia: como em todas as épocas sempre fazem os reformistas, cuja única finalidade é pregar a colaboração com os patrões ditos progressistas, isto é, a renúncia ao objetivo de fundo do movimento operário (o governo dos trabalhadores) e a subordinação da classe operária aos governos que administram os negócios da burguesia, em troca de qualquer posto para os seus membros.

Mas os comunistas revolucionários, dirigidos pelo partido bolchevique de Lenin e Trotsky, que em poucos meses frenéticos cresceram nas lutas e transformaram a sua organização (antes relativamente pequena) no partido mais influente entre as massas proletárias, refutam todo apoio ao governo "de esquerda" e, antes de tudo, conduzem contra este uma oposição sem tréguas. Ganham em poucas semanas a maioria nos organismos de luta (os sovietes), dirigindo o último ato da revolução: a insurreição que derrubou definitivamente o governo Kerensky, governo composto e dirigido pelos partidos da esquerda reformista, mas baseado sobre um programa burguês, portanto anti-operário.

A famosa tomada do Palácio de Inverno, longe de ser um "golpe", foi apenas o "último ato" insurrecional em Petrogrado que, varrendo também simbolicamente o governo da burguesia (o presidente do Conselho, contudo, já tinha fugido), livra o espaço ao poder dos operários guiados pelos comunistas revolucionários. Nas horas sucessivas se constituirá o Conselho dos Comissários do Povo, um governo baseado nos organismos de luta do proletariado e sobre um programa operário: o único governo no qual podem participar os comunistas, sustentaram Lenin e Trotsky, retomando as posições fundamentais do comunismo de Marx e Engels. Recordamos hoje aquelas belíssimas jornadas revolucionárias. E o fazemos não apenas por nostalgia, mas para ainda uma vez estudar o modo como os trabalhadores e as classes subalternas, guiadas pelo partido comunista, souberam não somente liberar-se de um regime reacionário (aquele do Tzar), mas souberam também destruir toda ilusão nos governos chamados "progressistas".

Os patrões e os burocratas reformistas dirão que se trata de uma história velha. Correto, a história é velha (aconteceu há mais de cem anos), mas nos oferece ensinamentos sobre o único remédio até agora encontrado para colocar fim à barbárie do capitalismo (um sistema bem mais velho, ou melhor, decrépito). É verdade que muitas coisas mudaram depois daqueles dias, mas o essencial permanece o mesmo: igual o domínio brutal do capitalismo, iguais as suas guerras sociais e militares contra os trabalhadores e os povos oprimidos, igual o papel de abafar as lutas desenvolvidas pelas burocracias sindicais e pela esquerda governista. Assim como igual, idêntica, continua a necessidade de construir uma outra direção para o movimento operário, baseada sobre a independência de classe, isto é, um partido de tipo bolchevique. Para preparar, nas lutas de hoje, a próxima revolução.



As leituras que apresentamos:

Para recordar o 7 de novembro de 1917, selecionamos os textos de dois protagonistas e de um historiador: iniciamos com alguns trechos da belíssima crônica daqueles dias feita pelo jornalista e dirigente comunista norte-americano John Reed, que participou da revolução (insispirando também o filme de Warren Beaty, Reds); em seguida, uma passagem de um artigo de Leon Trotsky (junto com Lenin, o principal dirigente de outubro); e fechamos esta pequena antologia com alguns trechos da biografia que o historiador militante Pierre Broué dedicou a Trotsky, presidente do Comitê Militar Revolucionário que se ocupou da insurreição.

O 7 de novembro de 1917 por uma testemunha
de John Reed

Quarta-feira, 7 de novembro, me levanto muito tarde. O canhão do meio-dia soava pelo forte de Pedro e Paulo, enquanto eu andava ao longo da perspectiva Nevsky [principal avenida da cidade]. Era um dia chuvoso e frio. Diante do Banco do Estado, alguns soldados com as baionetas cruzadas montavam guarda diante das portas fechadas.

“De que parte vocês são? Do governo?" perguntei. "Não existe mais o governo" me respondeu um com um sorriso. (...) Diante da porta do palácio Marinsky se encontrava uma multidão de soldados e de marinheiros. Um marinheiro contava do fim do Conselho da República. "Entramos", dizia "e fizemos vigiar as portas por companheiros. Andei até o contra-revolucionário que sentava na cadeira do presidente e disse: 'Não existe mais Conselho, vão para casa, agora." Alguns riram.

(...) Quando chegamos num carro diante do Smolny [quartel dos bolcheviques], a sua maciça fachada flamejava de luzes e de todas as ruas vinham rápidas correntes de formas indistintas na escuridão. Automóveis e motocicletas iam e vinham; um enorme carro armado, uma espécie de elefante multicolorido, adornado por duas bandeiras vermelhas tremulando sobre a torre, avançava tocando a sua barulhenta sirena. Fazia frio e diante da porta externa a Guarda Vermelha acendera uma fogueira. (...) Os quatro canhões de tiro rápido foram postos nos lados da porta de ingresso sem as coberturas de tela e as fitas da munição pendiam como serpentes pela culatra.

(...) Havia um sentimento de audácia no ar. Já pelas escadas se revelou uma multidão, operários com camisas negras e gorros de pelica escuro (....). A reunião do Soviet de Petrogrado tinha começado. (...) A sessão era importante: em nome do Comitê Militar Revolucionário, Trotsky declarou que o governo provisório tinha cessado de existir. "A característica dos governos burgueses", ele disse, "é aquela de enganar as massas populares. Nós, deputados do soviete dos operários, dos camponeses e dos soldados, estamos tentando um experimento único na história, estamos colocando as bases de um poder que não terá outro objetivo se não aquele de satisfazer as necessidades dos soldados, dos operários e dos camponeses."

Lenin apareceu, acolhido por uma potente ovação, e preconizou a revolução socialista de todo o mundo. (...) [Abre-se o Segundo Congresso dos Sovietes, é eleita a presidência, proporcionalmente aos diversos partidos soviéticos: 14 bolcheviques, 7 socialistas-revolucionários, 3 mencheviques, 1 internacionalista, Ndt]. Improvisadamente se escuta um novo rumor, mais alto que o barulho da multidão, insistente, inquietante, o som dos canhões. (...) Martov [dirigente reformista, ndt] pede a palavra e grita: "A guerra civil é começada, companheiros! A primeira questão deve ser a pacífica resolução da crise. Por princípio e por um ponto de vista político, devemos urgentemente discutir os meios para afastar a guerra civil. Os nossos irmãos estão se matando nas ruas. Neste momento, antes mesmo que o Congresso dos Soviet estivesse aberto, a questão do poder é resolvida com métodos de uma conjura militar organizada por um dos partidos revolucionários [os bolcheviques de Lenin e Trotsky]." (...) "Nós devemos [continua Martov, ndt] formar um governo que seja reconhecido por toda a democracia." (...) O final se perdeu em uma tempestade de gritos, de ameaças, de maldições que se levantou em um diapasão infernal enquanto cinqüenta deputados [da esquerda governista, ndt] se levantaram entre a multidão para sair.

Kamenev, que presidia, agitava o sino gritando: "Fiquem nos vossos lugares e sigamos o nosso trabalho!" Trotsky, em pé, com o rosto pálido e cruel, decretava com a sua voz potente e com um frio desprezo: "São os chamados socialistas, mencheviques, socialistas-revolucionários, covardes vários, os deixem andar. Representam aqueles resíduos que serão varridos para o lixo da história!"

John Reed, de Os dez dias que abalaram o mundo (publicado em várias edições).

O que representou a Revolução Russa
de Leon Trotsky

Com Lenin, entramos na Revolução de Outubro profundamente convencidos de que a revolução na Rússia não podia ser levada a cabo independentemente dos outros países. Acreditávamos que esta revolução não podia ser mais que o primeiro anel da cadeia da revolução mundial e que a sorte deste anel seria decidida pelo destino de toda a cadeia.

Mantemos esta posição. (...) Chegamos neste aniversário como deportados, prisioneiros, exilados, mas chegamos sem o mínimo pessimismo. O princípio da ditadura do proletariado entrou solidamente na história. Mostrou a formidável potência de uma jovem classe revolucionária dirigida por um partido que sabe aquilo que quer e que é capaz de acordar a própria vontade ao passo da evolução objetiva.

Os anos transcorridos mostraram que a classe operária de um país, ainda que atrasado, não só pode fazer mais do que os banqueiros, os proprietários e capitalistas, mas é ainda capaz de assegurar para a indústria um desenvolvimento assaz mais rápido do que aquele realizado sob o domínio dos exploradores. Estes anos mostraram que uma economia centralizada segundo um plano tem uma nítida vantagem sobre a anarquia capitalista.

(...) Não temos nada do que nos penitenciar e não renunciamos a nada. Viva as idéias e a paixão que nos animavam durante as jornadas de outubro de 1917. Através dos temporais dificilmente podemos ver diante de nós. Por mais complicados que sejam os meandros do rio, o rio corre até o oceano.

Leon Trotsky, de "Para o décimo segundo aniversário de outubro", 1929.

O choque entre comunistas e reformistas
de Pierre Broué

O governo provisório é informado de tudo. Mas não faz nada, certamente porque não pode fazer nada. As suas ordens não surtem efeitos ou, se o fazem, esses são prontamente anulados. Sob a presidência de Trotsky, o Comitê Militar Revolucionário, ao contrário, é ativíssimo. No dia 24 de outubro (6 de novembro) designa os delegados ao Correio, à Ferrovia, aos mantimentos. Trotsky arenga a multidão ... e conquista um batalhão de motociclistas para a revolução; fala ao soviete de Petrogrado; reúne no Smolny os primeiros delegados ao Congresso panrusso dos sovietes. Ordena a reabertura dos jornais fechados pelo governo provisório, enquanto operários e soldados ocupam redações e tipografias da imprensa de direita.

(...) Até as duas da manhã do mesmo dia, iniciam-se os movimentos das tropas que precedem as primeiras operações militares. À reunião do Comitê executivo com os delegados que já tinham chegado para o Congresso dos sovietes, os socialistas conciliadores atacam mais uma vez, pela boca de Dan, que faz o quadro de uma situação apocalíptica na qual prevalece a contra-revolução: segundo ele, a insurreição seria pura loucura e portaria a ruína da revolução.

Desta vez, Trotsky responde abertamente, em nome do Comitê Militar Revolucionário, do partido bolchevique e dos sovietes: abandonando os argumentos defensivos, reivindicando a responsabilidade pela insurreição já começada, ele procura galvanizar os delegados. (...) No curso daquela noite, Trotsky dormirá somente pouquíssimas horas, estendendo-se completamente vestido, sobre um divã no Smolny. (...) Durante a noite, os destacamentos dos insurgentes avançam. Pela manhã, ocupam já as pontes, as estações, os edifícios do correio, o Banco do Estado, a maior parte das tipografias. Às 10 da manhã do dia 25 de outubro (7 de novembro), o Smolny difunde um boletim de vitória. "O governo provisório foi deposto. O poder estatal passou ao Comitê Militar Revolucionário."

Na realidade, pelo momento, as coisas não estão de fato assim, e todas as autoridades estão ainda reunidas em torno do governo provisório no Palácio de Inverno. Os choques armados são, todavia muito limitados. Marinheiros, soldados e guardas vermelhos desarmaram vários destacamentos de aspirantes a oficiais, uma das poucas forças com as quais o governo provisório acreditava poder contar. (...) A sessão [do Congresso dos sovietes, ndr] é aberta, em nome do Executivo, pelo menchevique Dan, vestido com a sua divisa de médico militar. Dos 650 delegados presentes – no final serão 900 – com voto deliberativo, 390 se colocam a favor das posições dos bolcheviques. Trotsky avalia em cerca de um quarto aquela que chama "a oposição conciliadora em todas as suas formações". A presidência, constituída numa base proporcional, compreende 14 bolcheviques, uma discreta maioria em respeito aos 11 representantes da minoria. Lenin figura no primeiro lugar da lista bolchevique, seguido por Trotsky.

(...) Martov avança uma desesperada proposta de "compromisso", que condena a insurreição bolchevique e estabelece a suspensão dos trabalhos do Congresso até a conclusão de um acordo geral entre todos os partidos socialistas. A resposta é evidentemente de Trotsky, que fala da tribuna na qual se encontra ao lado de Martov: "A insurreição das massas populares não tem necessidade de justificação. O que aconteceu é uma insurreição, não uma conjura. Nós temperamos a energia revolucionária dos operários e dos soldados de Petrogrado. Forjamos abertamente a vontade das massas para a insurreição, não para uma conjura. As massas populares seguem a nossa bandeira e a nossa insurreição venceu. Agora nos diz: renunciem à vossa vitória, façam concessões, cheguem a um acordo. Com quem? Eu me pergunto com quem devemos chegar a um acordo? Com aqueles miseráveis grupelhos que deixaram o Congresso ou que fazem esta proposta? Mas os conhecemos bem. Ninguém na Rússia mais os segue." E concluí mandando os conciliadores para o "lixo da história". A sessão é suspensa por meia hora às duas da noite. Quando retomam os trabalhos, Kamenev pode anunciar a queda do Palácio de Inverno (...) e a prisão de todos os ministros, menos Kerensky [que tinha escapado, ndr].

Pierre Broué, de A revolução perdida. Vida de Trotsky.

Tradução: Rodrigo Ricupero

Estados Unidos

A situação dos trabalhadores e a reorganização sindical


Escrito por A Voz dos Trabalhadores - EUA

A crise econômica gerou um descontentamento generalizado na numerosa classe trabalhadora americana. A política dos sindicatos frente à crise pode ser resumida em negociar direitos sem resistência. Há um processo inicial amplo e atomizado de reorganização sindical que se expressa em pequenos grupos dissidentes de base e oposições sindicais, em plebiscitos e eleições sindicais.

Fora dos sindicatos há os importantes movimentos dos imigrantes e pela Educação Pública. Vamos relatar aqui dois casos emblemáticos: o SEIU (Sindicato Nacional dos Trabalhadores do setor de Serviços – o maior do país com 2 milhões de filiados) no estado da Califórnia e o UAW (Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Automobilística). Para nada isso significa desprezar outros processos de luta como a recente paralisação de dois dias no porto de Nova Iorque e Nova Jérsei ou a eleição de uma direção combativa para o sindicato dos transportes de Nova Iorque.

Os processos de renovação dentro do SEIU

As eleições no Hospital Kaiser Permanente
No plebiscito encerrado no dia 8 de Outubro, na rede hospitalar Kaiser Permanente, uma das maiores da Califórnia, 45 mil trabalhadores votaram para decidir qual sindicato os representaria. 61,8% votaram a favor da UHW (United Health Workers - vinculado ao SEIU) contra 37,8% que o fizeram pela NUHW (National United Health Workers - organização sindical dissidente) segundo os resultados da apuração de votos feita pelo NLRB (comitê nacional de relações trabalhistas – órgão estatal regulador dos sindicatos).

Estas eleições sindicais foram as maiores do setor privado desde 1941, quando os trabalhadores decidiram se sindicalizar. O fato que depois de 69 anos, no setor privado, se realizou um plebiscito como este é por si já uma vitória das forças de renovação representadas pelo NUHW contra a direção burocrática da UHW-SEIU.

A persistência deste setor de oposição em exigir um processo de consulta às bases para resolver a disputa sindical foi por si só um grande resultado democrático. O resultado também aponta a um forte setor de oposição que demonstrou não estar disposto a seguir agüentando em silêncio as imposições da direção burocrática do SEIU e desconhecendo o direito que têm os trabalhadores à autonomia sindical.

Numa luta completamente desigual, de David e Golias, muitos problemas se colocaram: Como continuar a luta pela democracia sindical? Como fazer frente às alianças oficiais sindicais e patronais? Como educar política e sindicalmente os trabalhadores para fortalecer a mobilização e as lutas contra as políticas conciliadoras dos altos líderes do SEIU? Como fazer a unidade com outros setores de oposição que lutam por objetivos similares em outros locais de SEIU ou outros sindicatos? Como nos desfazermos da tutela do partido democrata sobre os sindicatos e como construir una direção que represente conseqüentemente os interesses dos trabalhadores? As respostas a todas estas perguntas determinaram o futuro do NUHW como uma referência para outros movimentos de oposição que estão avançando nesta mesma luta.

A luta contra a fusão de sindicatos locais
No dia 7 de Outubro se realizaram as eleições para a ratificação da fusão de 3 sindicatos locais em um só sob o nome de USWW- SEIU: Local 1877 (zeladores e faxineiros de todo o estado), Local 24/4 (guardas de segurança de São Francisco) e o SOULA na Califórnia. Segundo os resultados manipulados pelos dirigentes sindicais, a votação pelo sim à fusão foi de 92% a 8%. Nesta eleição não foi permitido a nenhum trabalhador acompanhar o processo eleitoral, nem tampouco se permitiu a eleição de um comitê eleitoral eleito democraticamente para levar a cabo o processo. De um total de cerca de 40.000 membros que estavam habilitados para votar, somente o fizeram ao redor de 5.000 o que mostra a total apatia. Na verdade os dirigentes sindicais não se preocupam com a participação mas tão somente com as altas mensalidades dos membros para prover seus privilégios.

O Sindicato local 1877 é o sindicato estadual dos trabalhadores da limpeza e conservação da Califórnia e reúne 27 mil filiados. É o sindicato retratado no filme “Pão e Rosas” do diretor Ken Louch. Devido à traição da campanha salarial e da greve que ocorreu em março e abril de 2008 surgiu uma oposição. Este setor de trabalhadores da oposição vem levantando demandas tais como: acabar com a política conciliadora das direções frente aos patrões; que o sindicato seja dirigido pelos próprios trabalhadores; não mais de uma reeleição de um diretor aos postos de direção; não aos salários e benefícios superiores aos que ganham os faxineiros mais qualificados, e fim dos privilégios de todos os diretores até o presidente; apoiar as lutas de outros sindicatos, entre outros.

Este movimento de oposição também vem enfrentando o endurecimento das políticas anti-imigrantes dos patrões já que a composição da categoria é de cerca de 90% de trabalhadores sem documentos, que não só estão expostos as retaliações das autoridades de imigração, dos patrões, e que muitas vezes esta condição é utilizada pela própria direção burocrática sindical para aplacar os elementos da oposição que persistem em denunciar as práticas corruptas e antidemocráticas dos dirigentes.

O novo sindicato unificado, o USWW (United Service Workers West) é a continuidade no setor dos trabalhadores dos serviços de asseio e de segurança dos processos de fusão ou mega-sindicatos iniciada por Andy Stern, o ex-presidente do SEIU, hoje investigado pelo FBI por possíveis desvios em suas funções.

Os processos de fusão de locais do mesmo ramo de serviços têm como objetivo concentrar mais poderes no presidente e na executiva do sindicato nascente sobre os sindicatos fusionados. Além disso os estatutos concentram no presidente do sindicato nacional o poder para modificar estatutos, nomear e destituir diretores e junto com a executiva centralizar e manter o controle das negociações coletivas dos diferentes sindicatos locais e de todo o dinheiro das mensalidades de todos os trabalhadores fusionados. Desta maneira, estes processos de fusão são um assalto a autonomia sindical e aos resíduos da democracia que mantinham os trabalhadores em seus respectivos sindicatos locais.

Eleições no SEIU Local 221 em San Diego
O Local 221 representa os trabalhadores públicos do condado cuja principal cidade é San Diego. Ali também surgiu há anos atrás um movimento de oposição contra uma serie de práticas corruptas adotadas pelos altos dirigentes que estavam aproveitando de seus cargos para seu próprio benefício econômico. Este setor de oposição, com sua denúncia a estas práticas começou a reclamar o direito democrático dos trabalhadores a conhecer o funcionamento interno da sua organização e obrigaram os diretores que as reuniões da executiva fossem abertas aos filiados. Desta maneira conseguiram formar listas de oposição para peitar o domínio da burocracia antidemocrática por duas vezes. Nas últimas eleições, a lista de oposição elegeu 4 representantes na direção do sindicato (o voto é individual para cada cargo).

SEIU 1021: A vitória da oposição
SEIU Local 1021 é o resultado de uma fusão de 10 sindicatos locais dos empregados públicos da Califórnia. "Cambio 1021" foi uma lista de oposição que ganhou 26 cargos em 28 em disputa nas eleições sindicais após ampla campanha pelo direito da base gerir o sindicato.

A chegada da recessão pôs à prova a direção do sindicato que cedeu direitos e fez concessões aos patrões. Os trabalhadores se organizaram e formaram uma chapa de oposição com uma plataforma de luta que contempla os seguintes pontos:
-Democracia sindical
-Transparência financeira
-Reconstrução do sindicato de abaixo para cima
-Melhor comunicação e acesso a mesma
-Não às concessões aos patrões
-Não interferência nos assuntos internos de outro sindicato

Cambio 1021 também critica o SEIU por sua campanha contra o sindicato UNITE-HERE por base sindical.

3 de nov. de 2010

Mariano Ferreyra presente!
Estudantes brasileiros exigem punição aos assassinos!


Frente ao bárbaro assassinato de Mariano Ferreyra, jovem militante da esquerda argentina, a Assembléia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) manifesta –desde o Brasil- suas condolências a seus familiares e companheiros. O crime, cometido por parte do que há de mais sujo no terreno da burocracia sindical, nos comove e estimula a exigir do governo Cristina Kirchner imediata punição aos responsáveis.

A ANEL engrossa, portanto, o luto das organizações combativas de Argentina e de todo o mundo. Desejamos transformar o pesar desse trágico acontecimento em uma verdadeira campanha internacional pela prisão dos assassinos de Mariano. Nesse sentido, colocamo-nos a disposição da FUBA (Federação Universitária de Buenos Aires) e demais entidades estudantis argentinas para que juntos venhamos a desenvolver ações conjuntas.

Uma vez mais, está colocada a necessidade de lutar pelo próprio direito de lutar. Também no Brasil, o governo Lula promove uma ofensiva de criminalização e repressão aos movimentos sociais, combinado com a cooptação de entidades e o ataque ao livre direito de organização daquelas que não se curvam. Acontece que, além de seus ataques diretos, governos no mundo todo seguem contando com representantes no interior do movimento social – como aqueles que covardemente assassinaram Mariano.

Nesse sentido, nossa maior homenagem ao companheiro é seguir firmemente na luta em defesa dos interesses da classe trabalhadora – justamente o “crime” que custou sua vida.