8 de fev. de 2013

PSTU divulga nota defendendo a redução da passagem em Porto Alegre (RS)

 

Reduzir o preço da passagem para fortalecer a luta por um transporte público, estatal e de qualidade!


Sem dúvida, uma das maiores dificuldades dos porto-alegrenses é se locomover pela cidade. É um problema que aumenta ano após ano: trânsito engarrafado, ônibus e trens lotados. Nos horários de pico a dificuldade aumenta exponencialmente. Isso já é parte da dura realidade que os trabalhadores, os idosos, os jovens e os desempregados enfrentam todos os dias. Para piorar a situação, a prefeitura de Fortunati (PDT), que se elegeu prometendo melhorar a vida da população, dá mais uma prova do seu compromisso com a burguesia: está sendo conivente com a política de arrocho aplicada sobre os rodoviários, quer aumentar o preço das tarifas mais uma vez, além de atacar direitos conquistados pela juventude e os trabalhadores, como o passe livre para idosos e o meio-passe estudantil.

O caos no transporte público e a opção dos governantes
Longe de ser uma mera obra do acaso, sem causas ou culpados, é possível delimitar de forma clara os responsáveis pela péssima situação do transporte público: os governos em todas as esferas. Historicamente, estes foram os responsáveis pela mercantilização do direito de ir e vir da população, que se materializa na privatização do transporte público e no visível incentivo à lógica individualista e o transporte rodoviário.

Até a década de 50, o transporte no Brasil era essencialmente ferroviário. Durante o governo de Juscelino Kubistchek, o país escancarou as portas para o capital estrangeiro e as principais beneficiadas foram as grandes montadoras multinacionais como a Volkswagen, GM e a Ford, além das empreiteiras e construtoras que empreenderam grandes negócios construindo estradas país a fora (de péssima qualidade, diga-se de passagem). Nos dias de hoje, esse incentivo se concretiza na isenção de impostos do governo para as montadoras, como o IPI e nas parcerias público-privadas anunciadas por Dilma no ano passado a partir do Programa de Investimento em Logística, que prevê a construção de 7.500 quilômetros de rodovias e 10 mil de ferrovias (com o centro no transporte de cargas e não de pessoas), que serão administradas pelo capital privado.

A opção pelo transporte rodoviário e individual se torna um problema cada vez maior, pois além de ser caro e muito poluente, ainda é extremamente limitado com relação ao número de passageiros que pode suportar. Porto Alegre está prestes a entrar em colapso. Estima-se que em poucos anos a frota de veículos vai ultrapassar a marca de 1 milhão, isso em uma cidade que possui cerca de 1,5 milhão de habitantes. Ou seja, a tendência é que se agrave o problema da mobilidade urbana na capital. Para termos uma noção do tamanho do equívoco: um trem carrega o equivalente a 43 ônibus e 1200 carros.

Não há mais espaço para esse modelo de transporte em nossa cidade, mas, infelizmente, na concepção dos governantes, transporte de qualidade deve ser um direito de poucos e administrado pelos empresários. Um estudo organizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que a cada R$ 12 gastos em incentivos ao transporte particular, os governos (federal, estadual e municipal) investem R$ 1 em transporte público. Com essa situação, ficamos a mercê dos mandos e desmandos das montadoras, construtoras e dos tubarões do transporte coletivo, que visam em primeiro lugar o lucro e não o bem estar da população e ainda por cima financiam as campanhas de Fortunati e cia.

É preciso acabar com a farra dos empresários do transporte!
Redução imediata das passagens para R$2,60 e manutenção dos direitos

As distintas administrações da prefeitura de Porto Alegre mantém uma relação de promiscuidade absoluta com os empresários do transporte. Além da CARRIS, que é uma empresa pública, existem outros três consórcios operacionais vigentes na cidade que nunca passaram por licitação, o que é ilegal. Essas empresas oferecem um serviço precário à população, frequentemente descumprindo a tabela de horários, com ônibus lotados e linhas noturnas inexistentes. Além disso, faltam opções que liguem a periferia e os extremos da cidade às regiões centrais.

O preço da passagem é o elemento que melhor expressa o tamanho do abuso dos empresários: se levarmos em conta os reajustes desde a implementação do Plano Real, chegamos a 629.73%. Ou seja, hoje o transporte é um dos maiores gastos enfrentados por uma família. O reajuste das tarifas teve um aumento superior a outros gastos básicos, como água e luz, ficando abaixo apenas do telefone, que teve os serviços privatizados durante a década de 1990. Também é importante frisar que os aumentos, neste último período, têm ficado acima da inflação.

Um fato que está chamando a atenção da opinião pública no último período é o relatório apresentado pelo Ministério Público de Contas (MPC) ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). O estudo apontou que o método utilizado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e as empresas de ônibus da capital para calcular o valor da tarifa é ilegal, por dois problemas centrais: não é levada em conta no cálculo tarifário a Lei Federal 12.715, que inclui as empresas de transporte público na lista das beneficiadas pela redução da alíquota de contribuições previdenciárias na folha de salário, o que gera uma economia de quase 11% para os empresários; e a EPTC calcula o aumento sobre o Percurso Médio Mensal total da frota da capital, não sobre a frota circulante como manda a lei, o que engrossa o número de veículos em mais de 6%.

No último dia 29, o TCE determinou que a EPTC revisasse a metodologia utilizada. Já existem estudos que apontam que caso isso ocorra, a passagem deveria baixar imediatamente para R$ 2,60. Em resposta à decisão do TCE, a prefeitura declarou que, caso isso ocorra, poderá rever as isenções, ou seja, mexer em direitos mínimos que foram conquistados através da mobilização dos jovens e trabalhadores como a meia-entrada para estudantes, o passe livre para idosos acima de 60 anos e o passe livre geral, que ocorre uma vez por mês.

Fortunati não tem uma política para democratizar o acesso ao transporte, muito pelo contrário, a prefeitura sequer subsidia uma parte do preço da passagem, como ocorre em outras capitais. Dessa forma, age conscientemente para se eximir de uma tarefa que é do poder público e corrobora para manter a alta lucratividade das empresas de ônibus, que foi considerada abusiva pelo próprio TCE. Sem enfrentar os grandes consórcios, que detém as licitações do transporte coletivo não há como modificar essa situação. É necessário abrir as contas das empresas, que são uma verdadeira “caixa preta” guardada a sete chaves pela prefeitura e a EPTC. A auditoria imediata dos consórcios e das planilhas das empresas de ônibus é uma medida urgente, assim como a manutenção das isenções, a redução da tarifa e a revogação de todos os aumentos que forem constatados ilegais.

Todo apoio à luta dos rodoviários
É possível derrotar a patronal e o sindicato pelego

A altíssima taxa de lucro dos empresários do transporte é garantida pelos pomposos benefícios e isenções, mas centralmente através da exploração dos milhares de motoristas e cobradores, que estão submetidos a um regime de trabalho extenuante, agravado pela condição precária do transporte público na capital. Há um movimento forte na base que está questionando as políticas pró-patronal do sindicato dirigido pela Força Sindical e ameaçando seriamente sua hegemonia. Para a negociação do dissídio, foi eleita em assembleia, por ampla maioria, uma Comissão de Rodoviários Independente do sindicato. Desesperada frente a essa situação, a pelegada chegou ao cúmulo de pagar pessoas de fora da categoria para ir a assembleia tentar aprovar as propostas da patronal. Mesmo assim, a categoria segue mobilizada à revelia do sindicato e vai decidir os rumos da luta através de um “plebiscito de garagem”, que vai ocorrer nos dias 19 e 20 de fevereiro.

Apoiamos as reivindicações dos rodoviários organizados em torno à Comissão Independente, que passam centralmente pela redução da jornada de trabalho para 6h e o fim do banco de horas. Fortalecer a mobilização para arrancar essas vitórias tem extrema importância nesse momento, pois a construção do sistema BRT está sendo usada como justificativa para a patronal fazer centenas de demissões, devido a simplificação da função dos cobradores. Defendemos a construção de um modelo mais moderno de transporte coletivo, mas isso não pode significar prejuízo para a classe trabalhadora, pela forma de demissões ou encarecimento das tarifas. Por isso, estamos nos somando ao chamado pelo “NÃO” à proposta do sindicato pelego no plebiscito. A greve da CARRIS arrancou vitórias econômicas e provou que é possível dobrar a intransigência dos patrões e do governo. Agora é a hora de seguir a luta, recuperando a perspectiva do sindicalismo classista e combativo na categoria.

Fortalecer a unidade entre estudantes e rodoviários e
construir nas lutas uma política para democratizar o transporte

Nossa aposta para derrotar Fortunati e a máfia do transporte coletivo é o fortalecimento da mobilização nas ruas. Desde o inicio de janeiro o Bloco de Lutas pelo Transporte Público, que reúne entidades estudantis, sindicais, partidos políticos, anarquistas, estudantes e trabalhadores independentes, está organizando reuniões, panfletagens e já realizou dois expressivos atos de rua. O último foi de extrema importância, pois unificou as demandas de estudantes e rodoviários, quando mais de 500 pessoas protestaram em frente à prefeitura. É necessário manter a unidade em torno ao bloco, fortalecendo seu caráter plural e democrático para ampliar o seu potencial de mobilização.

Nós do PSTU apoiamos as reivindicações dos rodoviários, assim como a luta pela redução do preço das passagens. É preciso lutar também para colocar o conjunto do transporte a serviço da classe trabalhadora e da juventude. É necessário municipalizar o transporte colocando-o sob o controle dos trabalhadores e usuários. A própria Constituição Federal de 1988 estabelece o transporte enquanto um serviço essencial, ou seja, nosso direito de ir e vir não pode continuar sendo tratado como mercadoria. Defendemos o fortalecimento da CARRIS 100% estatal e propomos uma tarifa social de R$ 1 para a população.

Os aumentos abusivos e ilegais provam que basta derrotar a ganância dos empresários para tornar essa proposta uma realidade. Também defendemos a imediata garantia do passe-livre para o conjunto dos estudantes, deficientes, idosos e desempregados, como já existe em diversas cidades do país. Fortalecer o transporte coletivo de massa é uma necessidade urgente da nossa cidade, mas também é necessário incentivar o uso de meios alternativos como bicicletas e a hidrovia, além da construção do metrô estatal e da valorização do Trensurb.

Somente com a organização e a luta da juventude e do conjunto da classe trabalhadora é que poderemos transformar a realidade do transporte público em Porto Alegre!


3 de fev. de 2013

A Tragédia de Santa Maria: o lucro antes da vida!

A Tragédia de Santa Maria:  o lucro antes da vida!

por Jeferson Cavalheiro, ex-candidato a Prefeito de Santa Maria e membro da direção municipal do PSTU

A madrugada do dia 27 de janeiro de 2013 ficará marcada na história internacional, com uma tragédia que silenciou centenas de jovens em uma boate da cidade de Santa Maria, com mais de 235 mortos e 134 feridos. Primeiramente, gostaríamos de prestar nossa total solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. As ações de solidariedade muitas vezes espontâneas em todo o país e da Argentina e Uruguai tem sido um belo exemplo de fraternidade e certamente ajudaram a confortar os familiares e amigos das vítimas em um momento tão dificil.

O fato que comoveu o país e mobilizou a opinião pública longe de ser uma "fatalidade" não resta dúvidas que poderia ser evitado. O incêndio da boate KISS representou uma combinação explosiva de ações criminosas, erros e omissões de empresários e dos governantes que acabou gerando um grande desastre que afetará por muitos anos a vida de milhares de pessoas inocentes. A Lógica do capital, de lucro a qualquer custo e a dos governos de favorecer os empresários teve um efeito mortal em Santa Maria, no entanto essa é uma realidade de risco que os jovens e trabalhadores estão submetidos em todas as cidades do país.

Crônica de uma morte anunciada?


Parece até um cenário de uma peça que se encontra pronta para sua estréia: o local ter somente uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; o excesso de pessoas no local; artefatos incendiários em um ambiente inadequado para tal; uma espuma que revestia o teto e teria o seu custo reduzido; alvará vencido a 6 meses. São estes os principais argumentos veiculados na mídia para justificar o incêndio e as mortes na boate Kiss, um quadro de irregularidade que nos traz à tona o questionamento: como um espaço nestas condições tinha alvará para funcionar no centro da cidade?

 Em meio ao luto de milhares de pessoas não são plausíveis, justificativas que vão no sentido de uma “fatalidade”. A irregularidade está comprovada ao termos mais de 235 mortos, como um lugar pode se julgar capaz de abrigar mais de 1000 jovens sendo capaz de causar tal catástofre? A indignação que brota em meio a uma grande tristeza, é o combustível para que mais de 30.000 pessoas se juntassem em uma grande passeata pela cidade de Santa Maria (RS) na noite de segunda.

Em nota de solidariedade aos familiares e amigos das vítimas de Santa Maria, a Associação dos Pais das Vítimas da tragédia de Cromañon (Argentina) afirma que “passam os anos e as histórias se repetem”. Em 2004, em um incêndio na boate Cromañon, de situações muito idênticas, 200 jovens perderam a vida, e após oito anos parece-nos um filme que se repete.

 O jogo do empurra-empurra dos governantes

Achar culpados não deve ser encarado como forma de encerrar tal caso investigativo, o sentimento da população e principalmente dos familiares das vitimas é de que se faça justiça. Deve se questionar a fundo tais responsabilidades, o que temos assistido nos últimos dias com prisões preventivas e depoimentos é um verdadeiro “empurra-empurra” diante da tragédia.

Não há espaço para isso! O prefeito Cesar Schirmer (PMDB) deve responder porque esta casa noturna possuía alvará para que continuasse a funcionar ou mesmo porque a mesma continuou funcionando com alvará vencido? Deve explicar porque fechou a boate do DCE da Federal de Santa Maria organizado pelos estudantes e não fechou a boate de empresários do ramo?

Em vez disso, o Prefeito tem dito que nada sabe e que trata-se de uma fatalidade e tem jogado a culpa no Corpo de Bombeiros do RS.

O Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também tem que explicar o por que do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul demorar tanto tempo para fazer vistorias ou mesmo porque permitiu a liberação do espaço da boate Kiss mesmo tendo apenas uma saída de emergência. A falta de investimentos no corpo de Bombeiros que se reflete em falta de pessoal também foi uma das causas do acidente. O estado não cumpriu seu dever de proteger a população.

Não basta chorar com as vítimas, exigimos do Governo Dilma que elabore uma lei nacional de fiscalização destes espaços e garantir que todas as boates sejam novamente inspecionadas a partir de regras muita mais rígidas. Não pode haver regras diferentes em diferentes estados.

A tecnologia da qual dispomos torna o acontecimento algo que desmascara um nível de negligência absurdo das autoridades responsáveis pela fiscalização. Mas o que juntamente a isso nos demonstra tal fato é que a ganância dos empresários também parece não conhecer um limite, nem mesmo a própria vida foi respeitada. O que na lógica capitalista significa “redução de custos”, na materialidade da vida significa um risco constante.

Exigimos a punição dos culpados! Afastamento imediato do Prefeito Cezar Schirmer e do Chefe dos Bombeiros e garantia de uma investigação rigorosa das responsabilidades do governo municipal e estadual!

A tragédia de Santa Maria foi causada por uma combinação de ações e omissões que vão desde empresários ambiciosos que colocam o lucro em primeiro lugar, uma banda irresponsável, negligência e omissão dos governantes e de um aparato de estado corrupto que não fiscaliza e não cumpre um papel de defender os interesses do povo onde quem manda são os grandes empresários.

Exigimos de imediato a saída do Prefeito de Santa Maria/RS, Cezar Schirmer, e a apuração dos fatos de maneira rigorosa. Incluindo ai também a responsabilidade do estado do Rio Grande do Sul e do Chefe do Corpo de Bombeiro de Santa Maria.

A apuração dos fatos deve ser feito em conjunto com uma comissão dos familiares das vítimas e sem segredo de justiça para garantir que de fato os responsáveis sejam punidos.

Devemos repetir o exemplo da tragédia de Cromañon na Argentina quando o movimento social organizado junto com os familiares das vítimas através de uma grande mobilização social conseguiram a punição dos culpados, inclusive do Prefeito de Buenos Aires.

Uma política de cultura e diversão para a população

Não é de hoje que os espaços de diversão e cultura estão sob o controle de empresários, não é de hoje que boa parte da população,principalmente a juventude, arrisca a vida para se divertir. A realidade brasileira é que as cidade estão repletas de comércios da diversão e raros espaços públicos que a população em geral possa frequentar aos finais de semana ou em seus momentos reservados ao lazer. A questão da mobilidade urbana nos principais centros urbanos brasileiros também é outro fator para que grande parte da juventude fique em guetos e seja impedida de viver a cidade e sair a noite, são raras linhas de transporte noturno e muitas vezes quando existem tornan-se perigosas pelo atual caos da segurança pública.
A juventude e a classe trabalhadora deve possuir o direito de produzir e usufruir das mais diversas fontes culturais, nosso acesso não pode mais estar ligado à interesses capitalista de produção que levam sempre a lógica da maior lucratividade. A juventude de Santa Maria sofreu com o fechamento de vários dos seus locais públicos de lazer e diversão, a mesma coisa vem acontecendo em Porto Alegre como foi o caso do Araújo Viana. Devemos lutar pelo direito a cultura e lazer em espaços públicos garantido pelo estado, somente assim esse será um direito de uma maioria.

-    Afastamento imediato do Prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, do Chefe do Corpo de Bombeiros  e investigação das responsabilidades dos governos estadual e municipal.
-    Punição para todos os responsáveis pelo incêndio como os sócios da boate Kiss e membros da banda.
-    Exigimos do Governo Dilma Roussef, a elaboração de uma lei federal que fiscalize sobre normas rígidas o funcionamento de boates e casas de espetáculo. Garantindo a fiscalização e cumprimento da lei.
-    Que o estado garanta espaços públicos para que a juventude e os trabalhadores tenham direito ao lazer, cultura e diversão.

26 de dez. de 2012

Nota da juventude do PSTU/RS: A Análise estranha da realidade




Já é lugar comum falar que o Movimento Estudantil, o ME, passa por um momento de reorganização. Uma reorganização objetiva, que independe de organizações e entidades e se dá, antes de tudo, pela experiência dos estudantes no movimento estudantil.

É quando os estudantes estão em movimento que as experiências são mais profundas, e trazem maiores conclusões. Esse ano a UFRGS foi balançada pela Greve Nacional das Federais e não é errado dizer que foi na FACED o centro da greve dos docentes. Esse elemento é fundamental para análise das eleições para o DAFE.

Assim como na física, na política todo movimento gera uma reação. As estudantes do DAFE ao se colocarem ao lado dos professores e técnicos administrativos em greve e ao lado daqueles que defendem a educação pública e de qualidade sabiam que os setores mais reacionários buscariam dar uma resposta.

Tal elemento conjuntural não está acima de elementos fundamentais que fizeram a gestão se dividir. Elementos comuns a todo DA e CA, como balanço da atuação de integrantes da gestão e balanço de atividades que não saíram da forma que devia. Balanços necessários, mas que também não estão acima de um programa e política.

Nós da ANEL, fazemos o balanço e sabemos de nossa responsabilidade por ser um dos maiores setores dentro da antiga gestão, nunca nos eximimos desse fato. E mesmo com todas as dificuldades e relações pessoais comprometidas fizemos um chamado as companheiras e companheiros de luta da FACED para a construção de uma chapa ampla, de luta, democrática e feminista que pudesse levantar alto a bandeira da greve, da mobilização e organização estudantil.

Contávamos com isso que nessa nova frente única pudéssemos de forma madura superar nossas desavenças e oferecer as estudantes um DAFE de luta.

Mas infelizmente nem todos os setores de esquerda responderam a esse chamado da forma que esperávamos e, no que foi uma surpresa para nós, a Juventude LiBre (com quem compúnhamos uma unidade no DCE) aliou-se com militantes e organizações do PT, UJS (PC do B) e próximo ao PDT - ala Zacher - numa chapa constituída com o principal eixo sendo: “um DAFE que não sirva para interesses de partidos, de coletivos ou de indivíduos” (item nº1 da Carta de Princípios), ou seja, um claro discurso reacionário muito usado pelo DCE Livre em anos passados.

A estranheza a realidade de algumas análises comparam DAs e CAs com histórias totalmente diferente de lutas e militantes com o intuito furtivo e desonesto de tirar algumas conclusões e não vêem que a unidade no DAECA está embasada num programa diferente da unidade feita na FACED. A chapa do DAECA “Consciência Crírica”, da qual fazemos parte, não foi constituída na negação da organização estudantil. Se houve um deslocamento no DAECA, foi dos setores governistas para esquerda, e não dos setores de esquerda para o governo, como no DAFE. Infelizmente, o setor a esquerda da chapa de oposição, rebaixou seu programa e mostrou, na pratica, seus métodos e concepções de movimento estudantil.

@s estudantes da Pedagogia fizeram sua opção, de forma democrática escolheram um programa para o próximo ano e respeitamos isso. Mas não ficaremos paradas, pois se é verdade que o DAFE tem uma nova gestão, é verdade que, também, tem uma nova oposição!

Se o presente é de luta, o futuro nos pertence!


Porto Alegre, 20 de dezembro de 2012

Juventude do PSTU


10 de dez. de 2012



PUNIR OS QUE PATROCINARAM E SE BENEFICIARAM COM O GOLPE

O golpe de 1964 foi um movimento imperialista, tendo a frente os militares como instrumento a serviço do capital financeiro e industrial.
O dinheiro que o patrocinou vinha via IBAD e IPES, coordenado pelo general Golbery de Couto e Silva. Financiavam campanhas parlamentares com contribuições dos bancos Royal Bank of Canada, Bank of Boston e First National City Bank. Quem depositava na sua conta, eram empresas como Texaco, Shell, Esso Brasileira, Standard Oil of New Jersey, Texas Oil Co, Gulf Oil Bayer, Enila, Shering, Ciba, Cross, General Eletric, IBM, Remington Rand, AEG, Coty, Coca-Cola, Standard Brands, Cia de Cigarros Souza Cruz, Belgo Mineira, US Stell, Hanna Mining Corp, Bethlehem Stell, General Motors, Willy Overland e o IBEC.[2]
Destas empresas vinha também o dinheiro para subornos dos agentes do Estado, empresas como General Eletric, Ericsson, Goodyear, Lockheed e Coca-Cola foram denunciadas por corromper funcionários do governo Geisel.[3]
Segundo o depoimento do ex-governador Paulo Egydio Martins o apoio financeiro por parte de empresários conspiradores serviu para reequipar o II Exercito, dando condições para que as tropas seguissem para o sul do pais, com o objetivo de enfrentar o III Exército, que sob a influencia de Leonel Brizola poderia resistir ao golpe. “Esse grupo que reequipou o II Exercito através de contribuições de empresas paulistas[4]
SUSTENTARAM OS APARATOS DE REPRESSÃO
As multinacionais e a grande burguesia brasileira não somente apoiaram o golpe de 1964, mas também sustentaram os setores mais nefastos da repressão durante a ditadura.
Para entender o que significa isso basta lembrar que os paramilitares tinham fazendas, sítios e bases clandestinas que serviam para torturar, seviciar, estuprar e matar.
A Casa da Morte em Petrópolis teve seu aluguel pago regularmente. O delegado Sergio Fleury arregimentou dinheiro com seus patrocinadores para comprar sitio 31 de março em Parelheiros. Onde muitos militantes foram mortos.
Em São Paulo também havia uma casa na avenida 23 de maio, e um sitio na região de Atibaia. Assim como foram denunciados um sitio em Sergipe, usado pelos órgão de segurança de Salvador; um apartamento em Goiânia; e uma casa no Recife[5]
Davam também veículos e combustível. Os que agiam nestes grupos ilegais, e os voluntários, recebiam recompensas, gratificações, salários complementares, abonos e comissões.[6] Inclusive com contas clandestinas, com nomes frios, nos bancos que os patrocinavam.[7]
Se estes agentes fossem denunciados e demitidos tinham seus empregos garantidos em empresas de segurança e em multinacionais. Há casos de “cachorros”[8] que tiveram o mesmo destino. Afinal como se pensa que sobrevive o Cabo Anselmo até hoje em seu esconderijo.[9]
O PATROCINIO DA OBAN
O patrocínio da sangrenta Operação Bandeirantes, OBAN, foi feito diretamente pelos empresários paulistas, com a coordenação da FIESP. O Presidente da FIESP, Theobaldo de Nigris, cedia a sede da entidade para reuniões arrecadatórias.[10]
O próprio presidente Ernesto Geisel admitiu: “Houve muita colaboração entre o empresariado e os governos estaduais. A organização que funcionou em São Paulo, a OBAN, foi obra dos empresários paulistas[11]
Os jornais também sustentavam a repressão. Grandes meios como: os Diários Associados, Jornal do Brasil[12], Rede Globo[13], O Estado de São Paulo[14] e a Folha de São Paulo[15].
O delegado José Paulo Bonchristiano[16] declarou que Roberto Marinho, “passava no DOPS para conversar com a gente quando estava em São Paulo”. Também afirma que podia telefonar a qualquer hora para Octávio Frias de Oliveira, dono da Folha de S. Paulo “para pedir o que o DOPS precisasse”. [17]
O documentário “Cidadão Boilesen” na mesma linha, quando menciona que a Folha, de Frias, cedia automóveis para serem utilizados por agentes da repressão em ações de campana, busca e captura de militantes de organizações políticas. Ações confirmadas por Élio Gáspari em seu livro “Ditadura Escancarada” [18]
O coronel Erasmo Dias garante que “o Julio de Mesquita Filho, quer dizer, O Estado de São Paulo, também as ‘escancas’ nos apoiou, não tem duvida. E outros empresários, aquele lá de Osasco, Vidigal nos apoiou nunca esconderam e o apoio para nós era importante não só informação, com estrutura, e era para nós uma participação que interessava”[19]
Bancos como o Itaú de Olavo Setúbal, Bradesco de Amador Aguiar [20] e Sudameris também estavam envolvidos. “Banqueiros como Amador Aguiar, Gastão Vidigal, Moreira Salles sempre foram extremamente cooperativos com o governo. Se o governo queria baixar a taxa de juros, conversava com eles e o que a gente prometia, cumpria".[21]
Bonchristiano descreve que quando montou a Polícia Federal em São Paulo, Amador Aguiar, cedeu uma ala de seu banco para funcionar lá provisoriamente e “mandou caminhões do Bradesco carregados com o que fosse necessário para montar a delegacia da Policia Federal na rua Piauí”.[22]
Gastão Eduardo de Bueno Vidigal, do Banco Mercantil promovia reuniões no Clube Paulistano, para arrecadar fundos para a OBAN.[23]
O coronel Vernon Walters convocou o instrutor de tortura internacional, Dan Mitrione, a pedido de Magalhães Pinto, dono do Banco Nacional, para treinar 10.000 homens da Polícia Militar de Minas Gerais. Magalhães, financiou do próprio bolso o treinamento.
Na Volkswagen trabalhavam 150 guardas fardados e armados sob o comando do coronel Rudge, grande amigo do coronel Erasmo Dias; na Fiat era habito entregar a delegacia de policia operários que brigavam com a chefia; na Telefunken as viaturas do Exercito ficavam no pátio; na Caterpillar os patrões avisavam os membros da Comissão de Fabrica que seus nomes estavam prontos para irem para o SNI.[24] Fazem parte também desta tenebrosa lista a General Motors, a Ford,[25] e a Mercedes Bens.[26]
O Grupo Ultra, hoje um dos maiores grupos empresariais privados do Brasil, teve entre seus diretores o dinamarquês Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragaz, financiador da Operação Bandeirante, auxiliar direto de torturas, justiçado por militantes das organizações que faziam a luta armada. Trabalhava junto com Peri Igel. Igel era dono da Supergel empresa de alimentos congelados que fornecia refeições a OBAN.
Norberto Odebrecht o fundador da Odebrecht, durante o governo de Castelo Branco, hoje ela é a maior acionista da Braskem. A Camargo Correia tinha como presidente Sebastião Camargo, que contribuía com altas somas para a assustadora caixinha da repressão. Freqüentava os jantares na casa de Boilensen.
Em troca estas empresas receberam benefícios do governo. Garantiam seus bons lucros e benesses através de concorrências fraudulentas, isenções ficas e empréstimos.



[1] Asdrúbal Barboza do ILAESE
[2] René Armand Dreifus, 1964: A Conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe, p 207.
[3] Kurt Rudolf Mirow, A ditadura dos cartéis, anatomia do subdesenvolvimento
[4] Boilesen um empresário da ditadura: a questão do apoio do empresariado paulista à OBAN/Operação Bandeirantes, 1969-1971, Jorge José de Melo, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
[5] Lucia Romeu, A Casa das Torturas em Petrópolis, as 10 reportagens que abalaram a ditadura, p 260
[6] Autópsia do Medo, Persival de Souza, p 13
[7] Claudio Guerra em seu livro “Memórias de uma Guerra Suja”
[8] Militantes das organizações de esquerda que passavam para o lado da repressão.
[9] Lembranças de uma Guerra Suja, Cláudio Guerra depondo a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, p 196
[10] Pedro e os Lobos, Os anos de chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano de João Pedro Laquê, p 261
[11] Ernesto Geisel. de Maria Celina DAraujo e Celso Castro Rio de Janeiro Editora FGV. 5ª Edição, 1998. p 215
[12] René Armand Dreiffus, 1964: A conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe, Ed Vozes
[13] Publica, agencia de reportagem e jornalismo investigativo, http://apublica.org/2012/02/conversas-mr-dops/ e Lembranças de uma Guerra Suja, p 161
[14] René Armand Dreiffus, 1964: A conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe, Ed Vozes e Boilesen um empresário da ditadura: a questão do apoio do empresariado paulista à OBAN/Operação Bandeirantes, 1969-1971, Jorge José de Melo, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
[15] Carlos Guerra, Lembranças de uma Guerra Suja e Élio Gáspari (hoje colunista da “Folha”) em seu livro “Ditadura Escancarada
[16] entrevista “Conversas com Mr. DOPS”, agencia de reportagem e jornalismo investigativo, http://apublica.org/2012/02/conversas-mr-dops/
[17] Publica, agencia de reportagem e jornalismo investigativo, http://apublica.org/2012/02/conversas-mr-dops/
[18] (p. 395).
[19] Boilesen um empresário da ditadura: a questão do apoio do empresariado paulista à OBAN/Operação Bandeirantes, 1969-1971, Jorge José de Melo, Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia
[20] Autópsia do Medo, Percival de Souza, p 403
[22] Autópsia do Medo, Percival de Souza, p 403
[23] -Lembranças de uma Guerra Suja, Cláudio Guerra depondo a Marcelo Netto e Rogério Medeiros, p 142
[24] Murilo Carvalho e outros, Não, não é campo de concentração, Movimento, n 181, 18 a 24 de dezembro de 1978, in Octavio Ianni, Ditadura do grande capital p 85
[25] Brasil Nunca Mais, um relato para a história, p 73, 7ª Edição
[26] Pedro e os Lobos, Os anos de chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano de João Pedro Laquê, p 261