8 de mar. de 2014

Em defesa do Plano de Saúde dos trabalhadores de correios



Por Alexandre Nunes e Karina Barbosa

Os trabalhadores de correios vêm travando uma greve histórica. Há mais de 35 dias paralisados, eles lutam para manter o plano de saúde. Apesar da greve contar com o boicote dos sindicatos que têm suas diretorias ligadas ao governo, a categoria demonstra um exemplo de bravura. A direção da ECT cortou até o vale-alimentação dos grevistas, mas os trabalhadores seguem na luta. Até a justiça, que geralmente cumpre um papel patronal, decidiu que o vale-alimentação deveria ser depositado integralmente. É revoltante ver o PT se comportando como o PSDB de FHC para combater uma greve.

Os trabalhadores de correios sofrem intensamente as doenças relacionadas ao trabalho. A jornada extenuante na rua, ou até mesmo interna, carregando peso, subindo morro, expostos ao calor escaldante ou ao frio extremo na chuva, fazem a categoria adoecer cada vez mais. Além das doenças físicas, outra face que assombra uma parte grande da categoria são as doenças psicológicas, o assédio moral, as metas e a pressão da população, que cobra que as correspondências cheguem “em dia”. Nas costas da categoria a ECT vem empilhando lucros recordes, enquanto que para os trabalhadores ficam apenas as migalhas e as sequelas, muitas vezes, permanentes.

Hoje os trabalhadores de correios têm um bom plano de saúde que atende não só o trabalhador, mas a sua família. A categoria paga uma pequena contribuição quando utiliza. Esse plano, conquistado com muita luta, é um patrimônio de toda família Ecetista. Agora a direção da ECT afirma que o plano onera muito a empresa e por isso querem “modernizá-lo”. Essa suposta modernização consiste em criar um novo plano de saúde, com a participação da iniciativa privada, cobrança de mensalidade para todos os dependentes e atendimento para o público em geral. Ou seja, qualquer pessoa poderia participar desse novo plano. Além disso, o fundo de pensão da categoria - o POSTALIS - financiaria o novo plano, que está em déficit, pois já investiu milhões nas ações do Eike Batista. Na prática, a categoria entra com o dinheiro, com as mensalidades e com dinheiro do Postalis e os empresários ficam com o Lucro, ao mesmo tempo que sucateiam e privatizam nosso plano de saúde.

Em nossa opinião uma das empresas que mais adoecem o trabalhador não pode economizar 1 centavo no plano. A lógica da ECT é a mesma do Governo Dilma: bilhões para os bancos e empresários e ataque aos trabalhadores. Hoje os petista que se encontram na frente da gestão da ECT estão promovendo o maior ataque que a categoria já sofreu. Por isso lutamos para barrar esse ataque. Não tem história, é greve até a vitória!

7 de mar. de 2014

8 DE MARÇO: Dia Internacional de Luta das Mulheres

        Quando mulheres se unem e lutam para combater a violência contra si, elas não estão só gritando suas dores. Elas não estão só enfrentando os homens que as oprimem, violentam e matam. Elas estão combatendo o peso de um dos mais ferozes instrumentos do capitalismo: o machismo.
As últimas e oficiais estatísticas realizadas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam 15 assassinatos de mulheres por dia e 50 mil por ano. Todos consequentes do feminicídio – morte por conflitos de gênero – fruto do machismo que é fomentado diariamente pela grande mídia e pela ausência dos governos que não investem em políticas públicas para as mulheres, nem na ampliação da Lei Maria da Penha que, após sete anos de existência, não diminuiu os índices de violência.
Na medida em que sobe o número de mulheres mortas e que vamos perdendo, inclusive, mulheres que lutam contra esse sistema machista, explorador e opressor, como foi o caso da companheira Sandra Fernandes, militante do PSTU em Recife e seu filho Icauã, o governo Dilma direciona bilhões para salvar banqueiros e construir estádios para a Copa do Mundo. Ou seja, temos uma mulher ocupando o mais alto cargo representativo, mas que não nos representa.
Precisamos destruir o sistema nocivo que alimenta e se aproveita do machismo para continuar imperando. Sem isso, a luta do movimento feminista não vai além da tomada do poder por mulheres burguesas que continuarão a serviço de um sistema opressor. Por isso é necessário a organização de um movimento classista e independente dos governos. Uma organização formada por trabalhadoras, estudantes e jovens que construam uma sociedade socialista, onde as mulheres possam ser iguais em direitos e liberdades. Nós do PSTU estamos juntos nessa luta!! Venha conosco!!




CALENDÁRIO DE MOBILIZAÇÃO:

08/03 - Panfletagem no Carnaval da Cidade Baixa (18h, concentração no Simpa)
13/03 - Panfletagem na Esquina Democrática (17h30min)
14/03 - Ato classista e independente (17h no Largo Glênio Peres)

6 de mar. de 2014

Qual o significado da proibição do uso de máscaras nas manifestações?



Por Lucas Sena

Foi aprovado no último dia 26 de fevereiro, na Câmara Municipal de Porto Alegre, por 26 votos contra 10, um Projeto de Lei (PL) proibindo o uso de máscaras e similares que escondam a identidade dos manifestantes nos protestos. O PL, de autoria da Vereadora Mônica Leal, é uma das medidas que compõem uma gama de ações realizadas pelos governos para criminalizar e proibir as manifestações. A aprovação dessa lei é mais um ataque às liberdades democráticas de se manifestar e, portanto, deve ser denunciada pelo conjunto dos movimentos sociais.

Além de ser um escândalo político, a nova lei é condenada por inúmeros especialistas jurídicos. De acordo com o Coordenador Geral da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RS, Rodrigo Puggina, o projeto é inconstitucional, pois suprime direitos individuais e, dessa forma, invade a competência do município e também da União.

Junho de 2013 ficará marcado na história do Brasil, quando milhões de brasileiros saíram às ruas para lutar por mais saúde e educação e contra os gastos da copa. Essas mobilizações sacudiram o país e se chocaram diretamente contras os governos, em especial o governo Dilma. Mas a partir desse fato histórico, os governos e os empresários iniciaram uma contra ofensiva para detonar os movimentos, além da repressão policial que deixou milhares de manifestantes feridos e aproximadamente 11 mortos.

Outra medida que tem como objetivo coibir as manifestações é o Projeto de Lei que tipifica o crime de “terrorismo” no país. Essa foi aprovada no dia 27 de novembro 2013. A proposta altera a Constituição Federal e, pelo texto aprovado na comissão, considera “terrorismo", de forma genérica, o ato de "provocar ou infundir terror ou pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação da liberdade de pessoas”. Sob essa perspectiva, qualquer manifestação pode ser enquadrada nesse conceito.

Após o projeto passar pela Comissão de Consolidação da Legislação e de Regulamentação de Dispositivos da Constituição, presidida pelo deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), irá à votação em plenária na Câmara e no Senado. O projeto de Lei é de autoria do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e tem como relator o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Terrorismo passa a ser crime inafiançável, com penas de 15 a 30 anos de prisão. Se houver morte, a pena inicial é de 24 anos e aumenta um terço se o crime for cometido contra autoridades (Presidente da República, o seu Vice, ou os presidentes da Câmara, Senado e do Supremo Tribunal federal ).

Hoje existem no Brasil aproximadamente 600 pessoas respondendo a inquéritos por participarem de manifestações. A justiça tenta criminalizar aqueles que lutam simultaneamente no momento em que os “mensaleiros” são absolvidos do crime de formação de quadrilha e passam a ter penas mais brandas. Aqui no nosso estado, ativistas do Bloco de Lutas tiveram suas casas invadidas pela polícia e seus computadores e documentos políticos confiscados. Um deles, Matheus Gomes, é militante da nossa organização. É preciso lembrar que num estado que reprime, persegue e mata pessoas, é um direito do manifestante proteger sua identidade.

Mas afinal quem são os verdadeiros mascarados e criminosos?

Mônica Leal, autora do projeto, é vereadora pelo PP, a antiga ARENA, que num malabarismo de siglas tenta esconder seu passado. A ARENA virou PDS, depois PPR e finalmente PP. A Ditadura que torturou matou e estuprou milhares de lutadores e lutadoras sociais é que tenta se esconder atrás de uma sopa de letrinhas. Esses sim são os verdadeiros criminosos. Eles escondem (na verdade, tentam esconder) sua história. Escondem a verdade. E mais: ainda estão escondidos os corpos de uma série de ativistas políticos. O partido da Mônica Leal está comprometido com o interesse dos poderosos. O que eles querem é aprovar projetos que vão contra os jovens e os trabalhadores.

Além dos políticos, existem criminosos que mantêm seu completo anonimato e que são acobertados. São eles os sonegadores de impostos, os empresários que praticam a especulação imobiliária e as quadrilhas de corruptos que estão entranhadas nos governos e nas empresas estatais. Todos esses têm suas máscaras e seu anonimato garantidos, graças aos mesmos vereadores que tentam agora aprovar essa lei. O exemplo mais categórico foi dos empresários de ônibus que maquiavam as planilhas para aumentar a passagem e colocar as pessoas em latas de sardinhas que servem de deslocamento diário para trabalhar e estudar.

Na repressão às manifestações e à juventude negra da periferia, a polícia do governo Tarso Genro, assim como no resto do país, muitas vezes está mascarada e sem nome. Isso impede a identificação dos policiais que cometem crimes durante as ações.  Também tem sido uma prática constante por parte da policia, colocar agentes infiltrados nas manifestações e nas reuniões dos movimentos. São os chamados P2. Esses policiais além de mapearem os manifestantes, muitas vezes realizam ações que têm um único objetivo: criminalizar o conjunto do movimento. Dezenas de vídeos no youtube comprovam policiais cometendo atos explícitos de criminalização dos manifestantes, plantando provas fraudulentas.

Contra qualquer restrição de liberdade democrática

Os governos Fortunati, Tarso e Dilma não escutam as vozes de milhares nas ruas e seguem atacando estudantes e trabalhadores para favorecerem um punhado de empresários. O governo Dilma, que investiu bilhões de reais na copa do mundo, anunciou recentemente um corte de 44 bilhões no orçamento para 2014. Tarso ainda não cumpriu a lei do piso nacional dos professores e não chama os contratados do concurso do magistério. Fortunati anuncia que aumentará a passagem do ônibus. Portanto, a restrição de qualquer liberdade democrática é um ataque ao conjunto do movimento. No entanto, a tentativa de criminalizar os movimentos sociais não nos calará! Pelo contrário, incendiará ainda mais a nossa disposição para a luta.

Nós do PSTU lutaremos contra qualquer medida que criminalize ou ameace os direitos à livre expressão e opinião nas manifestações. Essas ações só servem para que os empresários continuem explorando os trabalhadores e, junto com os governos, sigam sucateando serviços essências como saúde e educação. Tendo governos que governam para os patrões, trabalhadores explorados só contam com uma saída: Lutar até a vitória!

4 de mar. de 2014

Qual é mesmo o legado da Copa???


Por Matheus Gomes
 
Depois da polêmica gerada pelas estimativas da Fundação de Economia e Estatística do RS (FEE) sobre os gastos com a Copa, Fortunati veio a público no dia de hoje (os fatídicos 100 dias para o início do evento no Itaquerão), defender o chamado LEGADO da Copa. Essa expressão se popularizou na voz dos governantes e inicialmente significava o conjunto de benefícios que viriam com os megaeventos. Agora, não passam de um conjunto de promessas jogadas ao vento, já não geram a mesma expectativa na população!

Do ponto de vista econômico o estrago é gigantesco. Por mais que Fortunati insista em dizer que não, houve transferência de recursos SIM, principalmente por meio de isenções, ou seja, dinheiro que deixou ou deixará de ser arrecadado! A FEE estima que o incremento no PIB será de R$ 503,6 milhões. Já os apontamentos iniciais divulgados pela Zero Hora falam em gastos públicos na casa de R$ 569,9 milhões, ou seja, há uma contradição importante na contabilidade. De um modo geral, o Brasil já é o campeão de gastos para a realização da Copa e agora com o novo corte de verba no orçamento federal, de R$ 44 bilhões, o povo sairá perdendo mais ainda.

As obras da Copa amargam uma impopularidade grande: não tocam nos pontos "nevrálgicos" da mobilidade urbana da capital, pois a ampla maioria das que ainda seguem em andamento se localizam no entorno do Beira-Rio, ou seja, na hora H as principais demandas do povo que Fortunati ia resolver foram deixadas de lado para garantir os prazos da FIFA. Mas, não é só por isso. O projeto da FIFA é o da contrarreforma urbana, das remoções forçadas e da higienização social e a ebulição nas cidades que vivemos desde junho é expressão da rejeição a esses projetos.

Nenhum cálculo maluco vai conseguir mudar o produto desse negócio prejudicial ao Brasil. O estrago social é muito grande! Dilma e seus sócios menores estão impondo, a mando da FIFA, leis que destroem a nossa soberania nacional e os avanços democráticos que tivemos. Me preocupa pensar no pós-Copa. O que será do Brasil com a lei antiterror, o exército acostumado a intervir em mobilizações populares, essa militarização desenfreada das polícias e os movimentos sociais submetidos a diversas leis de controle? Aos que desconhecem a história dos tempos de ditadura pode parecer pouco, mas o ataque dos dias de hoje limita conquistas históricas!

O legado da Copa não é nada disso que os governos estão falando. Pesquisas dizem que se fosse hoje mais da metade da população não votaria para o Brasil ser país da Copa, pois já percebeu que o povo ficou de escanteio e a vida não vai melhorar. Mas, acredito num legado: o avanço da consciência e das mobilizações populares! Junho não acabou, se expressa em lutas como a dos Garis no RJ que em pleno carnaval demonstraram as contradições da "cidade maravilhosa"! Nesse último período, aprendemos que é possível conquistar vitórias com a nossa força. Esse sentimento é que poderá barrar as leis autoritárias, conquistar avanços sociais negados pelos governos Dilma, Tarso e Fortunati e mudar o país! Vamos em frente, pois o nosso legado será construído na luta!

2 de mar. de 2014


O " Teaser" da Guarda Municipal é apenas uma arma MENOS letal, mas se atinge pontos específicos do corpo pode causar danos irreparáveis , até a morte. Vejam onde está a mira do guarda!

Ao tentar garantir nosso direito democrático de participar da audiência pública, nos defrontamos com esse perigo! E ainda querem militarizar a Guarda Municipal, Fortunati e todos que defendem a lógica militar para as polícias estão na contramão da história! Chega de repressão!