22 de nov. de 2013

Mais uma vez sobre o anti-partidarismo

Por Lucas Sena

Recentemente nossa militância participou de dois importantes processos: a construção da marcha do 20 de novembro e as eleições do DCE da UFRGS. Na marcha defendemos uma política de combate intransigente ao racismo e de denúncia aos governos que em seus ataques atingem com maior contundência o povo negro. Nas eleições da UFRGS tivemos uma ótima campanha de denúncia aos ataques que a universidade vem sofrendo através da política do governo Dilma. Em ambos os processos tivemos uma política de independência dos governos e patrões, sinalizando de forma categórica que só a mobilização dos trabalhadores com os estudantes pode trazer de fato a transformação necessária para nosso país e para o mundo.
 Porém, nos dois processos que participamos, se retomou com força o discurso anti partidário, no qual as organizações não devem participar dos processos de luta. E aqui queremos fazer um debate sobre os aspectos importantes relacionados a esse tema. O primeiro tem a ver com um sentimento muitas vezes de completa indignação aos partidos tradicionais, em especial o PT, que traiu a esperança de milhões de trabalhadores e estudantes. Esse, em geral, é um sentimento em certa medida muito progressivo, pois nega o velho.  Por outro lado, existem setores de direita, em alguns casos Petistas, que estimulam o sentimento anti partido, defendendo que as organizações de esquerda não devem  participar das lutas ou se participarem, que seja de forma clandestina.
Aqui é preciso fazer  uma clara distinção entre um sentimento de indignação frente a uma onda de traição, com um combate permanente às organizações de esquerda, e nós que sempre estivemos presentes nas lutas. As organizações de direita, traidoras, na medida que entram em completa desmoralização, lutam desesperadamente para que não se fortaleçam as alternativas partidárias e sindicais. Essa é uma luta de morte para manutenção do status quo.
Em junho, aqui no estado, vimos cenas bizarras na luta contra os partidos que participavam. Em umas das mobilizações, um helicóptero com um painel luminoso sobrevoou a passeata com dizeres: “sem partido”, “a nossa única bandeira é a bandeira do Brasil.” Também grupelhos neonazistas tentaram arrancar nossas bandeiras nos atos. Os mesmos que batem em negros e homossexuais nas ruas.
 Na passeata do 20 de novembro, um ativista do movimento negro, antes de iniciar o ato, fez uma fala no microfone dizendo que as bandeiras do PSTU teriam que sair do local, pois: “ali não eram espaço para política partidária”  e que todos que ali estavam “eram ativistas do movimento negro e não tinha que ter partido.” Esse mesmo ativista impediu a fala dos nossos militantes no fechamento do ato e ameaçou fisicamente duas companheiras nossas. Curiosamente ele não só abriu espaço para representantes do estado e da prefeitura falarem no ato, mas os tratava com toda cordialidade possível. Representantes dos governos que atacam  a juventude negra na periferia e que aplicam duros ataques a qualidade de vida dos trabalhadores.
Nas eleições do DCE UFRGS, a chapa 3 dizia de forma categórica que era a única chapa sem partido. Essa chapa é conhecida por ser a chapa da direita, anti-cotas e reacionária.  Quando esteve na gestão tinha profunda colaboração com o governo da Yeda do PSDB. Se apoiava em um discurso elitista e conservador contra as lutas e as greves para atacar a chapa 1, que era composta por nosso militantes, do PSOL e ativistas independentes que estiveram presentes nas principais lutas do nosso estado.
Entendemos o sentimento que muitas pessoas têm sobre as organizações e os partidos. Porém, combatemos os setores de direita e reacionários que se apoiam no sentimento antipartidário para nos combater. Não achamos que todas as pessoas devam se organizar em partidos, porém defendemos o legitimo direito das organizações (partidárias ou não, bem como as sindicais) participarem dos processos de lutas. O sentimento anti-partido leva a um regime político de restrições de liberdades democráticas e que nega o direito da auto-organização, assim como foi visto em regimes totalitários. Hitler, em um discurso, falou: “a Alemanha tem muitos partidos, e precisamos só de um partido o partido da Alemanha.” Seu discurso não era na essência contra todos os partidos, pois seu alvo principal foi o fechamento de sindicados e a aniquilação física das organizações de esquerda.
A ditadura militar no Brasil se apoiou também nesse discurso, muitas vezes se utilizando de uma bandeira que “unifica a todos”, no caso, a do Brasil. A ação, na prática, era para justificar o ataque aos trabalhadores e o favorecimento dos patrões e do imperialismo norte americano. É comum muitas vezes escutarmos que “somos todos brasileiros” ou que “somos todos negros” ou “estudantes” para se justificar uma política de conciliação entre opressores e oprimidos. Ocorre que, o interesse do opressor não cabe na mesma bandeira do interesse dos oprimidos. Por isso que os trabalhadores têm suas próprias bandeiras, de seus sindicatos, partidos e grupos. Visões diferentes sobre que saídas o movimento deve tomar não enfraquece. O que enfraquece a luta dos trabalhadores é o unipartidarismo ou concepções monolíticas. 
Importantes retrocessos em conquistas sociais na URSS até a restauração do capitalismo desses países foi imposta sob vários aspectos. Mas um elemento que em nossa opinião é preciso levar em consideração foi a completa ausência de critica e de direito dos trabalhadores se organizarem em organizações independentes do estado. Esse é um dos maiores crimes que o stalinismo cumpriu. 
Nós,  militantes do PSTU, não temos nenhum motivo para esconder nossas bandeiras e nossas opiniões. Pelo contrario, somos o partido das lutas, das greves e mobilizações. Estaremos presente em cada processo de luta para impulsioná-lo e defender a independência do movimento em relação aos patrões e aos governos. Alguns nos chamaram de oportunistas por levantarmos nossas bandeiras nos atos. Para nós, oportunistas são aqueles que escondem as suas.
Lutamos para construção de uma nova sociedade. Não fazemos das lutas um trampolim para ganhar cargos no sistema. Pelo contrário, queremos por abaixo o sistema capitalista e construir uma nova sociedade, onde não haja exploração do homem pelo homem, onde possamos transformar radicalmente esse mundo de injustiça e termos uma sociedade  mais justa e igualitária: uma sociedade socialista!

Porque que rompemos com a VII Marcha Zumbi!

Após as jornadas e junho e julho nada será como antes nem hoje nem a manhã
    Por mais de 2 meses nós, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU construímos conjuntamente com setores da CSP Conlutas, Quilombo Raça e Classe, ANEL, CUT, do Movimento e sindicatos como SINDSEF e o SINDSPREV a VII Marcha Zumbi. Os materiais de divulgação, a arrecadação financeira para as faixas, o transporte, a alimentação das crianças que abriram a marcha, foram frutos dessa unidade de ação. Acordamos conjuntamente todos os processos, desde a presença da bandeira dos partidos, até a composição da direção do ato, do carro de som e a divisão igualitária das falas. Houve um acordo unânime, após as jornadas de junho e julho e a perseguição e prisão de militantes e ativistas pela polícia mandada pelo governo, que nenhuma representação de governo teria espaço em nossas falas e a nossa segurança seria feita por nossos militantes.
      Mas nesse dia 20 de novembro de 2013, em plena marcha, fomos surpreendidos por um setor governista chefiado por um ex-militante do PCdoB e da Unegro, o qual tomou de assalto à direção do ato e do carro de som, coagindo nossos militantes com práticas machistas e autoritárias, oportunizadas pelo seu tamanho físico e pela presença de indivíduos da Secretaria de Segurança Pública. O fato foi tão aberrador que quem conduziu o carro de som foi um policial a paisana que não deixou nem a nós, nem a CUT ou qualquer outro membro da coordenação da marcha ter voz no ato coletivo que as organizações passaram meses construindo.
      Vários ativistas ao peticionarem sobre o absurdo que estava ocorrendo, receberam ameaça do policial infiltrado que dizia que podia dar voz de prisão frente ao desacato, e  que conhecia cada um de nós, pois nos havia mapeado em atos anteriores.
        Como se esses fatos até aqui relatados já não fossem a expressão da maior violência e decadência que as antigas direções do movimento negro pudessem demonstrar, ao chegarmos no final da marcha e nos organizarmos para o ato, o tal ex-militante do PCdoB e da UNEGRO chamou ao palco todas as representações do governo e não nos deu a palavra, coagindo-nos com seu autoritarismo, ao mesmo tempo que gritava por democracia em torno da questão racial.
       Companheiros e Companheiras, nós militantes da Secretaria de Negros e Negras do PSTU vimos denunciar o papel nefasto a que se prestam essas direções antigas do movimento negro, que traem as nossas causas não mais apenas no parlamento, como vimos na aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, ou por meio da cooptação pelos governos Tarso, Lula e Dilma, como vemos na SEPPIR, mas agora diretamente no que nos é mais caro em nossa própria organização para luta anti-racista e contra a exploração capitalista.
     Não há como ser consequente com as questões de luta que negros e negras trabalhadores necessitam em nosso país, se não rompermos definitivamente com estas direções traidoras, autoritárias e machistas. Como podemos lutar contra as desocupações feitas nas periferias pela vinda da copa? Como lutarmos contra o genocídio da juventude negra e a violência contra a mulher negra? Como exigir melhores condições de trabalho e salário igual, lutar pelas terras de quilombos e pelo fim do assassinato de quilombolas, com estas direções que fazem apenas o que os governos do PT dos “mesaleiros”, da direita latifundiários e Ruralistas como PDT, PSDB, PMDB e outros, mandam em nome da burguesia branca que explora, domina e oprime negros e negras e brancos trabalhadores?
            Já vimos este feito na historia negra quando Gangazuma traiu os quilombolas e Zumbi e se vendeu para a Coroa Portuguesa por um quinhão de terra. Mas assim, como Dandara e Zumbi resistiriam e perderam suas vidas na luta, resistiremos aos capitães do mato, aos governantes do Frente Popular, seja no Estado ou no Governo Federal e à Direita de Plantão, como o PDT na Prefeitura do Fortunati.
Somos mais, somos mais fortes e eles não nos vencerão.
Somos Guerreiros e Guerreiras da tradição de Palmares.

18 de nov. de 2013

Ritmo de trabalho e endividamento são as principais fontes de estresse

Uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil (Isma BR) em Porto Alegre apresentou dados sobre o nível de estresse nos porto-alegrenses. Segundo a pesquisa, a principal causa do estresse é decorrente do trabalho. O estresse causa um impacto significativo na vida de milhões de trabalhadores, por isso não deve ser encarado de uma forma desassociada do ritmo de trabalho a que os trabalhadores estão sendo submetidos. A sobrecarga de trabalho, as metas abusivas e o assedio moral crescem sem parar.  

Alem do ritmo de trabalho, outro elemento que sistematicamente preocupa as famílias é o endividamento que consome aproximadamente 43% da renda familiar; estes são dois elementos centrais para piorar a qualidade de vida das pessoas. Outra pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) mostra que 62% dos consumidores pretendem acertar suas contas com o 13° salário. O que já foi uma renda extra está cada vez mais comprometida com o pagamento de dívidas. A cada ano que passa aumenta o numero de famílias que dedica maior parte de sua renda para pagamento de dívidas e isso é um elemento central na preocupação dos trabalhadores.  

O mito do crescimento do bem estar dos trabalhadores que é colocado pelos governos é um engano, temos uma mudança inclusive na massa salarial. No Brasil, entre 2000 e 2010, foram criados 20 milhões de postos de trabalho com carteira assinada de até 1,5 salário mínimo. Mas, no mesmo período, foram extintos outros 4 milhões de empregos que pagavam três salários mínimos ou mais, ou seja, além do endividamento e da sobrecarga temos um rebaixamento nos salários.

Como resultado, apresenta-se uma classe trabalhadora mais endividada e explorada, com números alarmantes em relação aos impactos que isso causa nos trabalhadores. A pesquisa da Isma BR aponta que em Porto Alegre 64% das pessoas responderam que maior fonte de estresse está relacionada  à vida  profissional contra 36% da vida pessoal. Outras perguntas de múltipla escolhas que foram respondidas pelos entrevistados apontaram que as causas do estresse seriam 71% Falta de Tempo (Longa jornada de trabalho e excesso de tarefas), 58% Violência, 53% Relacionamentos pessoais e 47% Problemas financeiros.

Em outro bloco de perguntas de múltipla escolha também foi respondido de que forma as pessoas lidavam com o estresse, e as respostas mostram que 57% lidam com medicamentos e 46% com bebidas alcoólicas, 43% come mais, e 42% através de atividades sociais. O Consumo de  medicamentos e bebidas alcoólicas mostram os impactos que o estresse mas principalmente o ritmo de trabalho e endividamento,  causam na saúde dos trabalhadores. 

  Outro bloco de perguntas mostrou de que forma o estresse afeta a vida das pessoas, 68% respondeu com cansaço, 53% irritação, 51% insatisfação, 44% desmotivação e 34% adoece com freqüência. Alem do uso do álcool e medicamentos, existe um impacto permanente no comportamento das pessoas:  o suposto bem estar dos trabalhadores, que está sendo dito aos quatro ventos, não existe.  

O ritmo de trabalho e o endividamento que causam impactos significativos na vida dos trabalhadores estão a serviço da superexploração que os empresários impõem. Os governos, por sua vez, de uma forma geral são não são só cúmplices dos empresários, mas também são sua mola propulsora, atacando direitos trabalhistas e arrochando salários dos servidores. 

Dilma, Tarso e Fortunati dão milhões para os bancos, enquanto oferecem migalhas para os estudantes e trabalhadores. Os empresários “nunca antes na historia desse pais lucraram tanto”. Por isso nós lutamos para derrotarmos os ataques que os governos vem promovendo aos trabalhadores, mas principalmente para lutarmos para que o lucro não esteja acima do bem estar dos trabalhadores que adoecem e perdem sistematicamente qualidade de vida para gerar lucro para um punhado de empresários. É preciso barrar os ataques, e lutar para avançar em direção a uma sociedade Socialista onde a produção esteja a serviço da população e não do lucro, pois no capitalismo não se trabalha para viver, mas vive-se para trabalhar.

Lucas Sena

24 de out. de 2013

REGIÃO METROPOLITANA É ATINGIDA POR FORTE CHUVA

Há menos de 10 meses para a Copa do Mundo a população da Região Metropolitana de Porto Alegre sofre com as intempéries, que no dia de ontem deixaram mais de 500 desabrigados, em 13 municípios, e milhares sofreram com a falta de transporte público.

Trânsito parado no centro de POA - Tiago Rublescki

As chuvas que atingiram ontem a região de maior aglomeração populacional do Estado, Região Metropolitana de Porto Alegre, evidenciaram que a população ainda carece de medidas básicas de infra-estrutura. As chuvas de ontem não foram um caso isolado. Outras chuvas nesse ano alagaram cidades como Sapucaia do Sul e Esteio, também o Bairro Sarandí, da zona norte de Porto Alegre, sofreu com as fortes chuvas desse ano e centenas de casas foram alagadas.

A tempestade tropical que caiu ontem no Estado colocou em cheque não somente a infra-estrutura básica de escoamento de água, mas também toda a estrutura de mobilidade urbana que liga as cidades da Região Metropolitana. Com o bloqueio da BR-116 e com a falha elétrica no Trensurb – ambos ocasionados pela chuva, os trabalhadores que necessitam dia-a-dia utilizar essas vias para trabalhar se viram presos ao meio do caos, tendo que ficar horas esperando em engarrafamentos e nas estações do trem.

Devido ao caos na locomoção e aos alagamentos, milhares de pessoas ficaram a mercê da sorte, sem a mínima segurança, com a falta de serviços básicos de saúde e Defesa Civil. Por pouco no dia de ontem a população gaúcha não presenciou uma catástrofe. 


Imagina na Copa...
Ontem, para aqueles que não tinham outra alternativa do que tentar chegar aos seus locais de trabalho, uma frase foi muito ouvida nas ruas: imagina na copa... A Copa do Mundo foi vendida para a população como a solução dos problemas de infra-estrutura e mobilidade urbana. Bilhões de reais dos cofres públicos foram usurpados com esse fim. A construção dos mega estádios e complexos esportivos tinham como contrapartida o investimento nas cidades que receberão os jogos. Porém, como a voz das ruas já mostrava nas Jornadas de junho, todo esse discurso não passou pela prova dos fatos. Hoje, a 10 meses da Copa, evidenciamos o caos que uma chuva pode ocasionar. Faltam serviços básicos, milhares de casas cotidianamente sofrem alagamentos por chuvas muito menores, e a mobilidade urbana nos grandes centros urbanos, que já é precária, em dias como o de ontem simplesmente param.

Os governos federais, estaduais e municipais falharam até mesmo na garantia de uma cidade "padrão FIFA" para receber os turista. Agora tem que correr para maquiar os estragos. Enquanto isso a população mais carente sofre a cada intempérie, sem investimentos básicos em infra-estrutura e transporte público. Os trabalhadores tem pressa e não estão mais dispostos a ficar sentados esperando.


20 de out. de 2013

Contra o Leilão de Libra

Editorial ZH 19/10


O Jornal Zero Hora no seu editorial deste sábado (dia 19) cumpriu mais uma vez o papel de defesa dos grandes interesses do capital ao defender o leilão do pré-sal e o uso das Forças Armadas para garantir a segurança do leilão para exploração do campo de Libra, a ser realizado na próxima segunda-feira.

Acusam o PSTU e o Psol de serem os responsáveis pelo tumulto contra o leilão. Diferente do tom pejorativo que a Zero Hora apresenta, devemos dizer que sim, nós do PSTU somos contra uma das maiores privatizações de nossas riquezas naturais e por isso estamos com os trabalhadores de várias categorias, mas principalmente os petroleiros que se mobilizam contra essa privatização. Os trabalhadores petroleiros seguem em uma forte greve nacional por tempo indeterminado. A categoria protesta contra o leilão de libra e também reivindica uma nova proposta de Acordo Coletivo de Trabalho da Petrobrás. A luta é também para barrar o PL 4330, que legaliza a terceirização nas atividades fins, representando um duro ataque aos trabalhadores de todo o país.


Cartazes contra o leilão - PSTU Porto Alegre


Dilma enviará tropas do Exército e da Força Nacional para o local em que acontecerá o leilão de Libra, no Rio de Janeiro, numa postura claramente antidemocrática e que nos remete aos anos de chumbo da ditadura militar. Mais de mil homens serão destacados para esta tarefa, pois a PM assassina de Sérgio Cabral está “cansada”.



O PSTU é contra e está denunciando esta entrega das nossas riquezas naturais pelo Governo Dilma. Essa é uma luta dos movimentos sociais e do povo brasileiro. Todo apoio a greve dos petroleiros! Não ao leilão de libra!




Dez motivos para barrar o leilão de libra:


1. Crime de lesa-pátria
Libra é a maior descoberta de petróleo do país e uma das maiores do mundo. Ao longo de seus 60 anos de história, a Petrobras descobriu, até hoje, aproximadamente 15 bilhões de barris. O petróleo que será vendido por Dilma, descoberto sozinho pela Petrobras, praticamente dobrará as reservas brasileiras, porque concentra cerca de 12 bilhões de barris. Ou seja, o PT colocará à venda o equivalente a uma Petrobras inteira. Libra está estimada em R$ 3 trilhões, sendo que será entregue por R$ 15 bilhões. Esses números são suficientes para definir o leilão de Libra como um crime de lesa-pátria.


2. Leilão é privatização
Um dos argumentos da brigada governista para justificar o crime praticado pelo PT é afirmar que o leilão de Libra não é privatização. O uso de eufemismos para esconder que Dilma segue à risca a mesma agenda privatizante do PSDB não é novidade. Os nomes são variados, as formas são muitas, o conteúdo é o mesmo: o leilão de Libra é, sim, privatização. Recurso finito, o petróleo deste campo será explorado pelo consórcio vencedor por 40 anos. Quem duvida que em quatro décadas as petrolíferas estrangeiras não vão secar esta reserva ou, no mínimo, comprometê-la significativamente sem nenhuma contrapartida social?

3. Passaporte para o futuro
Durante a campanha eleitoral de 2010, ainda candidata à presidência, Dilma cunhou uma frase sobre o pré-sal brasileiro que agora, em 2013, três anos depois, se volta contra ela: o petróleo encontrado nesta bacia é um “passaporte para o futuro”. A presidente estava correta. Com a suspensão do leilão, com o ritmo e forma de produção sob uma lógica estatal, sob as mãos da Petrobras, o campo de Libra seria suficiente para baratear o preço do gás de cozinha e da gasolina, garantir 10% do PIB para a Educação, 10% do PIB para Saúde e transporte público de qualidade, com passe-livre para estudantes e desempregados.

4. Recursos de Libra irão para banqueiros e especuladores
Infelizmente, ao contrário do que Dilma vem afirmando, o leilão de Libra não trará desenvolvimento ao país. Coerente com sua política econômica, baseada no privilégio e apoio aos banqueiros e empresas, a presidente pretende “acalmar” o mercado financeiro e usar todo o recurso obtido com as privatizações para apresentar um superávit primário robusto (uma espécie de poupança do governo) e continuar injetando recursos no pagamento da dívida pública, responsável, em 2012, pela sangria de quase metade (43,98%) do orçamento federal.

5. Royalties: ilusão e migalhas
Dilma diz, sistematicamente, que os royalties do pré-sal permitirão uma revolução nas escolas públicas brasileiras. Mas não é verdade. De acordo com levantamento feito pela Auditoria Cidadã da Dívida, somente 1,65% do Pré-sal iria para a educação. A perspectiva é de que os royalties sobre os poços atuais gerarão, no máximo, 0,6% do PIB em 2022! Discutir os royalties é se debruçar sobre migalhas enquanto está em curso a maior privatização da história do país.

6. Tesouro cobiçado... e monitorado
Em março de 2011, quando Obama visitou o Brasil, Dilma firmou com o presidente americano um pacto de dez acordos de cooperação. Um deles, o mais importante, era sobre o Pré-sal. “O petróleo descoberto aqui pode representar duas vezes as reservas americanas. Queremos ajudar a desenvolvê-las de forma segura, para depois sermos seus maiores clientes. Os EUA não poderiam estar mais contentes com o potencial de uma nova fonte estável de energia”, afirmou Obama na época. Não por acaso, o governo estadunidense vem espionando há alguns anos a Petrobras.

Este monitoramento, certamente, conferiu localização privilegiada às multinacionais americanas que, mesmo fora do leilão diretamente, possuem tentáculos na própria Petrobras, por meio de ações e parcerias de exploração, e em outras multinacionais. A espionagem internacional engrossou a lista de razões para a suspensão do leilão e rendeu um discurso duro de Dilma na ONU que, infelizmente, não passou disso: discurso, palavras ao vento.

7. Oposição em amplos setores
No caso das recentes privatizações, ficou reservada basicamente à oposição de esquerda ao PT a tarefa de denunciar essas medidas. Entretanto, com o Campo de Libra é diferente. Amplos setores se posicionam contra o leilão e este elemento é fundamental para entendermos a dimensão do crime patrocinado por Dilma. Ou seja, não é apenas a “ala radical” que diz que este leilão é um ataque aos interesses nacionais. A indignação é generalizada. Alguns nomes ilustram este cenário como José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e futuro candidato ao governo do Estado da Bahia pelo PT; Ildo Sauer, ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras; Fernando Siqueira, vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), e Guilherme Estrella, também ex-diretor da empresa.

8. Impedir a privatização da Petrobras
Parte do processo do leilão do Pré-sal é a própria privatização da Petrobras. Hoje, a maior empresa do país sofre um duro ataque: desinvestimentos com a venda de inúmeros ativos, redução de custos com a manutenção das unidades e a consequente elevação do risco de acidentes. Os petroleiros estão há 17 anos sem aumento real e a política de concursos públicos está sendo substituída pelas terceirizações. Hoje, existem pouco mais de 80 mil empregados diretos e quase 400 mil terceirizados. Tudo isso sob o governo do PT, que atua como agente dos acionistas da empresa. Barrar o desmonte da Petrobras, hoje subordinada à lógica do lucro, passa, necessariamente, pelo cancelamento imediato do leilão de Libra.

9. Fortalecer a luta por uma Petrobras 100% estatal
Em março deste ano, 26,9% das ações ordinárias da Petrobras (com direito a voto) e 43,7% das ações preferenciais (sem direito a voto, mas com prioridade para abocanhar o lucro da empresa) estavam em mãos de estrangeiros, em sua grande maioria do capital financeiro dos EUA. Ou seja, mesmo nas mãos do Estado, ela está sendo vendida aos poucos. Por isso, a defesa contra o leilão traz, consequentemente, a luta por uma Petrobras 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores, com o resgate do monopólio estatal do petróleo sem nenhuma indenização às multinacionais. Uma Petrobras estatizada seria um instrumento estratégico de aplicação das políticas energéticas e da soberania nacional.

10. Um ataque à soberania nacional
A década de 1990 foi marcada pela política neoliberal de FHC, que entregou ao capital privado setores estratégicos como a siderurgia, mineração, energia, telefonia e bancos. Salários foram rebaixados e empregos destruídos. Este pacote de privatizações atendia claramente às orientações do FMI. Entretanto, longe de ter recuperado essas empresas ou suspendido a subordinação e dependência do país ao imperialismo, o PT preserva e aprofunda este processo com empréstimos via BNDES às multinacionais e, mais ainda, com as privatizações dos portos, aeroportos, rodovias, ferrovias e, agora, do Pré-sal. Sozinho, o leilão de Libra supera todas as privatizações do governo tucano.