23 de nov. de 2015

Chega dos privilégios e das maracutaias dos políticos


A classe trabalhadora precisa tomar para si a tarefa da construção de outro modelo de sociedade

14 de nov. de 2015

Uma Noite de Horror Por Valério Arcary


Há momentos na vida em que não há palavras.
Horror é o que melhor pode descrever o que aconteceu ontem em Paris.
O Estado Islâmico (ISIS) assumiu a responsabilidade.
Foi um ato de barbárie. Um ataque covarde contra a população civil desarmada.
Os que realizaram este massacre e os que o planejaram são assassinos.
São monstros.
Aqueles que morreram em Paris eram inocentes.
Gente comum, trabalhadores e jovens.
Mas é preciso ter a coragem de dizer que a guerra não começou ontem.
O governo Hollande não é inocente. Ele tem as mãos sujas de sangue.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Não é uma guerra de religião, embora o vocabulário do Estado Islâmico seja islâmico.
Não é um choque de civilizações, o “Oriente contra o Ocidente”.
É um conflito que tem suas raízes na dominação imperialista do mundo.
É a luta pelo domínio do petróleo.
É o desenlace caótico das derrotas da onda revolucionária que deslocou governos que nasceram nos anos cinquenta e sessenta inspirados no nacionalismo nasserista no Egito, que era progressivo no contexto da guerra fria, e degeneraram como ditaduras militares monstruosas (Saddam Hussein, Gadhafi, Mubarak, Assad). O Estado Islâmico recrutou oficiais sunitas da Guarda Republicana de Saddam, jihadistas que vieram da Chechênia, da Bósnia, além dos subúrbios miseráveis de Londres e Paris.
É bom não esquecer que, há muitos anos, todos os dias é 13 de novembro na Síria.
Os mortos na Síria são, também, inocentes. Assim como os refugiados que fugiram para a Europa para salvarem suas vidas.
O governo Assad utiliza todos os meios para permanecer no poder reprimindo uma rebelião que nasceu pacífica.
Os bombardeios dos EUA, da França e da Rússia na Síria, os bombardeios da Arábia Saudita no Yemen, a invasão do Afeganistão, do Iraque, os massacres na Chechênia, a limpeza étnica na Bósnia teriam consequências.
A barbárie imperialista alimentou a barbárie terrorista.
A guerra não começou ontem.
E essa guerra não é nossa.

9 de nov. de 2015

O Lula de 2015 não é o mesmo Lula de 1979 - Por Valério Arcary


Por Valério Arcary - Direção Nacional do PSTU
* texto escrito um dia depois de Lula completar 70 anos, dia 28 de outubro de 2015

Ontem Lula fez 70 anos e o seu Instituto divulgou uma série de videos de personalidades que o saudaram e homenagearam.
O Lula de 2015 não é o mesmo Lula de 1979.
As pessoas mudam.
E Lula mudou demais, e para muito pior.

Porque ninguém com alguma experiência na vida se surpreende quando uma liderança de esquerda de origem intelectual muda de lado.
Isso aconteceu tantas e tantas vezes, que virou quase uma rotina.
Mas quando uma liderança de origem operária com as responsabilidades que Lula assumiu se transforma no contrário do era, esta transformação provoca imensa desmoralização na vanguarda proletária e socialista.
Muitos vídeos eram previsíveis e outros um pouco ...surpreendentes.

Chico Buarque era previsível.
Já a exposição do vídeo de Sarkosy, não.
Paradoxalmente, nos diz mais de Lula, do que o vídeo de Guilherme Boulos.
Porque ele e a classe que ele representa odiavam o Lula de 1979.
Mas se renderam seduzidos ao Lula que na presidência costurou o pacto social que deu estabilidade ao capitalismo periférico, quase sem reformas.
Esse é o papel central dos reformistas diante da história: permitir ao capital ganhar tempo, desmoralizar o sentido da luta socialista.
Guilherme, infelizmente, saudou uma saudade, uma memória, uma lembrança, uma nostalgia, um Lula que não existe mais.

A questão relevante que a data nos desafia é saber se o lulismo permanecerá ou não como a principal referência política dos trabalhadores.
Nunca houve na história contemporânea um matrimônio político indissolúvel da classe trabalhadora com um partido político, ou uma liderança.
A ruína do lulismo não será a primeira.
O PC italiano foi uma potência e entrou em colapso.
O Pasok grego teve influência imensa e desmoronou.
O peronismo foi tão forte quanto o lulismo e se transformou em uma caricatura irreconhecível.

Depois da crise do mensalão em 2005 o PT preservou, apesar de tudo, uma influência majoritária no proletariado. Entre 2003 e 2010, Lula fez um governo que recebeu aplausos quase unânimes do que há de mais reacionário no Brasil e no mundo: de Maluf a Delfim Neto, de Michel Temer a Henrique Meirelles, de Bush a Sarkozy, de Merkel a Putin, não faltaram entre os maiores banqueiros, empreiteiros e latifundiários vozes dispostas a admitir em público o deslumbramento das classes dominantes de todos os continentes com Lula e o PT.

Não fosse isso o bastante e, não obstante o impressionante desmascaramento do financiamento eleitoral através de relações obscenas com o empresariado – uma rotina de corrupção que o PT sempre denunciou - Lula surpreendeu pela resiliência de sua autoridade na classe operária. É verdade que as condições de crescimento econômico internacional entre 2004 e 2008 beneficiaram Lula e o governo. Mas, não foram somente estas condições externas favoráveis que podem explicar a perenidade da influência do PT na classe trabalhadora. E tampouco foram as mais de dez milhões de bolsas família distribuídas. A explicação para a permanência da influência do petismo nos setorres organizados da classe trabalhadora exige perspectiva histórica.

A reeleição de Lula em 2006, e a eleição de Dilma Rousseff em 2010 foram alicerçadas nos ventos favoráveis da situação econômica mundial entre 2003-2008, e a retomada do crescimento em 2010: a preservação da inflação baixa, o aumento lento, mas constante do salário mínimo, a preservação do salário médio, e a diminuição do desemprego que permitiram o acesso ao crédito, e a extensão de políticas públicas como o Bolsa-Família. Mas o Brasil começou a mudar desde junho de 2013.

As lutas de junho de 2013 foram as primeiras grandes mobilizações políticas de massas no Brasil que não foram dirigidas pelo PT desde 1980. Junho colocou em movimento, em certo sentido, ainda que parcialmente, uma geração que nasceu depois da fundação do PT e chegou à vida adulta, em grande medida, depois da eleição de Lula.
Junho alterou a relação social de forças, e deixou imprevisível até o último dia o resultado eleitoral das presidenciais de outubro de 2014.

Entre 1988 e 1994, o PT assumiu o governo de prefeituras e de governos estaduais e fez os primeiros pactos com a governabilidade. Em nome da consolidação da democracia não ofereceu resistência à posse de Itamar Franco, ou seja, recusou a luta por eleições gerais antecipadas, uma solução tão democrática e mais legítima que a posse do vice de Collor.

Entre 1994 e 2002, via fundos de pensão, e através das participações na gestão de fundos públicos, a burocracia sindical da CUT, ainda então o principal aparelho de apoio social da direção do PT, entrou no mundo dos grandes negócios com a burguesia.

Depois da eleição de 2002, o PT passou a ter relações orgânicas com o grande capital brasileiro, e passou a aceitar, com a crise do mensalão, o novo papel cesarista de Lula como líder incondicional.
E insubstituível.

O ápice da influência de Lula anunciava, todavia, a sua ruína. As ilusões reformistas dos trabalhadores não morrem sozinhas, é claro. Dependem de uma dura experiência prática: é neste terreno que as grandes massas podem retirar conclusões.
O que tem caracterizado a situação aberta depois de Junho de 2013 é que este processo se abriu.
A reorganização pela esquerda se desenvolve em novas condições.
Agora é possível.

Permanece muito difícil, mas é possível.

8 de nov. de 2015

Ato pelo Fora Cunha e contra a PL 5069 em Porto Alegre



Por Matheus Gomes

Neste sábado milhares saíram as ruas no primeiro grito de Porto Alegre pelo Fora Cunha. Foi uma mobilização importante, prova que existe um ascenso feminista no país. Convocado de forma espontânea, o ato envolveu centralmente mulheres jovens e contou com a presença de movimentos como as Mulheres em Luta (MML), Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), Coletivo Primavera, Juntas, Marcha Mundial de Mulheres (MMM), entre outros. Uma ampla unidade de ação contra Cunha é necessária nesse momento. Dia 13 poderemos ter novos atos massivos em todo o Brasil. Essa pauta precisa ser assumida por todos movimentos, como os petroleiros em greve. Também será fundamental que o novembro negro enfrente Cunha, suas medidas nos atacam em primeiro lugar. Dia 20/11 a periferia e a negrada precisam marchar contra ele.

Só há um jeito de Cunha cair: tomando as ruas. Existe um acordo entre Dilma, Eduardo Cunha e a bancada fundamentalista desde 2010 quando a presidente assinou a Carta ao Povo de Deus, que rifou as pautas históricas das mulheres. Hoje esse acordão é o que impede Cunha de ir pra cadeia e causa esses retrocessos, em nome da governabilidade a pilula pode cair e o aborto permanecerá ilegal. O relator do processo na Comissão de Ética da Câmara é tão corrupto quando ele, a pizza já está no forno. A luta é a saída e quem preferir se abraçar em Cunha será levado junto também!

5 de nov. de 2015

A crise da MWM e a luta pelos empregos - entrevista com Vitor Schwertner


1)Opinião Socialista: Quantos anos você tem de metalúrgico e trabalhando na MWM? Conte um pouco da sua trajetória?

Vitor:  Tenho 48 anos, sou filho de pequeno agricultores e de uma grande família, 9 irmãos. Sou natural de Sarandi RS, meu pai tinha um pequena propriedade,  em 1970 vendeu as terras por não conseguir sustentar a família, foi para o oeste do Paraná em busca de mais terras no sonho de com a terra sustentar e criar seus filhos. Mas não demorou foi engolido pelo agronegócio. Vendo que ali já não iria sobreviver foi para o país vizinho Paraguai, em 1979, comprou alguns alqueires de terra. A Estória se repete o agronegocio massacra sem piedade os pequenos. Sem esperança de um futuro melhor em 1995, eu retorno para o Brasil. Venho morar em Canoas em busca de um emprego, rolei em vários setores até me afirmar como metalúrgico. Atualmente estou trabalhando há 12 anos na MWM International que faz parte do grupo Navistar americano e construindo a luta fiz parte de 3 mandatos da comissão de fábrica e um da federação dos metalúrgicos do RS, fizemos várias conquistas na fábrica, 40 horas semanais, a única metalúrgica da categoria e a própria comissão com estabilidade se tornou uma das melhores fábrica para se trabalhar no RS.


2) OS: Fale um pouco sobre a situação da Fábrica MWM motores? Existe a possibilidade de fechamento?

Vitor: Tenho 15 anos de metalúrgico e 12 de MWM. Éramos 1300 em 2011 quando conquistamos o contrato com a GM para montar o motor da S10. O contrato iria até outubro de 2018 anunciado como o melhor negócio do século e nós teríamos nossos empregos garantidos até final de 2018 como a produção anual de 45 mil motores podendo oscilar 15% a mais ou menos. Em 2013 começa uma briga para romper este contrato entre as duas empresas e as duas com o mesmo objetivo, a multa inicial  era de 140 milhões após um ano ambas chegam a um acordo, encerrar o contrado em fevereiro de 2016, ainda em 2013 começam as demissões aos poucos, em 2014 foi um ano de terror para os trabalhadores da MWM, com boatos de venda ou  fechamento da empresa mas a produção era obrigada a sair. Em maio de 2015, o diretor da empresa reuniu todos da fábrica e anunciou o calendário de encerramento das atividades que seria de novembro de 2015 a fevereiro de 2016 e oferece um pacote de “bondade” para os colaboradores que vestissem a camiseta até o fim das atividades de cada setor, dois salários e meio e  seis meses de plano de saúde após o fechamento da empresa isso com o aval da comissão de fabrica e sindicato. Caso os trabalhadores não aceitassem esse acordo perderiam tudo.

3) OS: O PT e a CUT dirigem a Prefeitura de Canoas e o Sindicato dos metalúrgicos de Canoas. Qual a postura dessas direções em relação a possibilidade de fechamento da empresa?

Vitor: Uma verdadeiro desastre! Dois anos de crise, dois anos de um verdadeiro assédio moral. O sindicato só se reunia com a direção da empresa, não realizou nem uma assembleia para discutir a crise ou a proposta da empresa e passa a lista do pacote de bondade junto com os supervisores  como se fosse uma assembléia para os trabalhadores assinarem, e se isso não bastasse intimida os trabalhadores se não assinarem estariam correndo o risco de perder os dois salários e meio oferecidos.
As autoridades políticas, o Senador Paulo Paim, O Prefeito Jairo Jorge, Nelsinho metalúrgico e Marco Maia que são deputados e que eram metalúrgicos, são filiados ao nosso sindicato, só aparecem na empresa em momentos festivos ou em épocas de eleições para pedir voto. Nem um político apareceu para defender nossos empregos, a cut só vejo defender a Dilma

4) OS:  O que será feito nas próximas semanas em relação a campanha contra o fechamento da fábrica?

Vitor: Estamos cobrando que o sindicato e prefeitura dirigidos pelo PT deixam de ter a política de omissão frente ao fechamento da empresa. Temos que ter assembléia para discutir a situação da empresa.  Politicamente estamos fazendo uma denúncia na assembléia legislativa sobre o fechamento da empresa que durante os últimos anos se aproveitou de dinheiro público para manter os empregos (incentivos fiscais), estamos encaminhando também a denúncia no ministério público do trabalho e ministério do trabalho. Queremos organizar um ato em frente a prefeitura de Canoas para chamar a atenção das autoridades para o fechamento da empresa.
 Nós os trabalhadores não aceitamos as propostas que a empresa negociou com o sindicato,  que é nada menos que "Morrer sendo fuzilado no paredão ou em uma  câmera de gás".
 Iremos lutar pelos nossos empregos!