23 de mar. de 2016

Contribuição do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma “Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)


Contribuição do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma “Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)

A Esquerda Socialista em Porto Alegre tem um grande desafio político e eleitoral pela frente. Em meio a crise que vivemos, é nítido que o grande desgaste dos partidos que administram Porto Alegre nos últimos 28 anos (PT e PDT/PMDB) abriu um espaço político inédito para um novo projeto político na cidade. A principal expressão política disso é a pré-candidatura de Luciana Genro(PSOL) que depois da desistência da Manuela D’ávila(PC do B) lidera as pesquisas eleitorais na cidade.

O PSTU esteve presente no lançamento da Plataforma “ Compartilhe a mudança “ para se somar aos debates programáticos abertos pelo PSOL e apresentar nossas contribuições sobre o programa que a campanha deve defender,  abrindo o debate com as organizações que já contribuíram com a plataforma, como o Centro de Estudantes e Debates Socialista(CEDS), Raiz Cidadanista, PPL e todos os ativistas que se somam para apoiar a pré-candidatura de Luciana Genro. Queremos com isso recuperar uma velha tradição de debates políticos e teóricos sobre os melhores caminhos que a esquerda combativa deve percorrer para de fato se colocar como alternativa a crise do PT e os demais partidos da ordem no Brasil.

Uma Campanha com Perfil de Oposição de Esquerda ao PT e a oposição de direita
A crise que o Brasil atravessa é a expressão do fim do ciclo político da frente popular. O PT no poder foi um “reformismo sem reformas”, ou seja, um projeto de conciliação de classes que em momento algum buscou mobilizar e organizar a classe trabalhadora para a conquista de reformas estruturais ou medidas de enfrentamento com o capital nacional e internacional. O desenvolvimentismo virou neoliberalismo, na realidade, a estrela brilhou apenas para a grande burguesia que, como Lula gosta de afirmar, “nunca lucrou tanto na história do país”. O Bolsa Família, programa mais importante do PT para combater a pobreza, gastava em 2014 cerca de R$ 24 bilhões, enquanto o “Bolsa Banqueiro” consumia R$ 800 bilhões.

A ruptura da maior parte dos trabalhadores e da juventude com Dilma e o PT depois do início da aplicação do plano de ajuste fiscal e os sucessivos escândalos de corrupção que atingiram a cúpula da direção petista, inclusive Lula, é um elemento progressivo e precisamos estar ao lado da classe para tirar as conclusões corretas do processo. O PT deu errado por aplicar um  projeto de conciliação de classes, nunca tivemos um governo dos trabalhadores de fato. Um exemplo disso é a participação popular nos mandatos petistas através do Orçamento Participativo em Porto Alegre: o OP servia como um mero complemento a democracia burguesa, as decisões fundamentais passavam longe das assembleias nos bairros. Defendemos um governo apoiado em conselhos populares nos bairros e entidades dos trabalhadores, onde construamos um projeto de democracia direta da nossa classe.

A campanha eleitoral precisa dizer que o nosso caminho é distinto ao que PT trilhou, combateremos a farsa da conciliação de classes. Também devemos combater com todas  nossas forças a velha e a “nova” direita que busca capitalizar o descontentamento popular. Eles são defensores de um ajuste ainda mais brutal, querem vender o que ainda não privatizado e disseminam o ódio contra mulheres, negros, indígenas e LGBTs.

Desde já, a campanha precisa se posicionar contra o impeachment dirigido por Cunha e esse congresso de ladrões. A nossa estratégia deve ser construir um terceiro campo dos trabalhadores, independente do governo do PT e da oposição de direita, que convoque os trabalhadores a construir um novo junho de 2013, impulsionar os movimentos de greve, ocupações, unificar as lutas e transformar a resistência em ofensiva para colocar pra fora Dilma, Lula, Aécio, Cunha e todos esses corruptos que agem à serviço dos patrões. Um bom exemplo da construção do terceiro campo é a mobilização nacional do dia 1 de abril, construida pela CSP Conlutas e espaço de unidade de ação, iniciativas como essa que temos que fortalecer contra os atos chamados pela direita como o 15 de março e os atos governistas dirigidos pelo PT como a mobilização do 18 de março.

Porto Alegre para os trabalhadores e o povo pobre da periferia
O direito a saúde de qualidade, a educação, ao lazer e cultura, a moradia , ao transporte público de qualidade são privilégio de poucos. Podemos afirmar sem dúvida que Porto Alegre é campeã na exclusão dos mais pobres ao direito à cidade.

Devemos inverter essa lógica. Para isso devemos afirmar que vamos governar não para todos e sim para a imensa maioria da população que são os trabalhadores e a juventude com especial atenção ao povo negro e a população da periferia, as mulheres, indígenas e os LGBT´S. Devemos fazer um governo de enfrentamento aos poderosos, as máfias de transporte, aos esquemas de corrupção da prefeitura, devemos romper com o sistema da dívida que retira bilhões do orçamento por ano. Para isso nossa estratégia é se apoiar na mobilização e organização dos trabalhadores e na juventude, ou seja, uma prefeitura que aponte todas as suas armas ao poder central, dos governos estadual e federal.

Para fazer um governo de enfrentamento é preciso não ter coligações com os partidos burgueses ou que estão na base do governo Dilma. Assim como é um grave erro político aceitar dinheiro das empresas para financiar as eleições. Precisamos retirar todas as lições da crise do PT, as relações promiscuas da direção Petista com os empresários, o financiamento da campanha eleitoral por parte dos empresários e as coligações eleitorais sem critérios programáticos e de independência de classe. Como estamos vendo nas investigações da Lava Jato essa é uma das principais causas da degeneração e crise do PT. Não podemos repetir esse erro. A campanha da Luciana Genro e do compartilhe a mudança deve ser totalmente independente dos poderosos e da burguesia. Somente assim terá autoridade para denunciar os candidatos da direita e do PT e enfrentar os interesses da burguesia.
Podemos e Bernie Sanders como referências?

A plataforma “ compartilhe a mudança “ escrita pelos companheiros do PSOL aponta como referências políticas de governo as prefeituras dirigidas por Podemos e o modelo de gestão de Bernie Sanders do Partido Democrata dos EUA quando foi prefeito de Burlington, defendendo no marco disso a chamada “Democracia Real”.

Sobre as prefeituras dirigidas por Podemos em Madrid, Barcelona e outras cidades já é possível  identificar que apesar do importante apoio popular que tiveram não conseguiram avançar para sequer romper o mecanismo da dívida pública, não interferindo estruturalmente no modelo de administração das prefeituras de Madrid e Barcelona. Podemos ainda apoiou o acordo feito pelo Syriza de renegociação da dívida grega, segue defendendo a participação da Espanha na União Européia e é contra a independência da Catalunha.

Já Bernie Sanders não faz nenhuma crítica pública ao presidente Barack Obama e tem no seu histórico a marca de ter votado favorável no senado aos créditos de guerra no Iraque, votou favorável a resolução que permite o uso da força contra o terrorismo que vem autorizando o imperialismo americano a invadir vários países como o Afeganistão, entre outros apoios a política imperialista norte americana. Mesmo se autointitulando socialista e arrastando uma parcela importante da juventude trabalhadora norte-americana, não podemos ter dúvidas que representa um projeto político burguês.

É um erro colocar como modelo de governo para as novas gerações de ativistas e para os trabalhadores que estão profundamente decepcionados com o PT alternativas políticas que são inclusive, em todos os sentidos menos progressivas nos tempos de hoje do que foi o PT no início dos anos 80.

É preciso reafirmar um perfil político de transformar as eleições de Porto Alegre e as candidaturas da Frente de Esquerda em um ponto de apoio para os sindicatos, grêmios estudantis, associações de bairro, DCE´S, o movimento negro, o movimento LGBT,  ou seja, o conjunto dos movimentos sociais. Precisamos romper com o sistema da dívida pública e todos os benefícios concedidos as máfias do transporte e da saúde, ou seja, nosso programa precisa ser anti-capitalista e socialista, para apresentar um projeto de transformação real para além das eleições. Isso infelizmente nem Bernie Sanders, nem o Podemos estão fazendo.
PSTU Porto Alegre





23 de nov. de 2015

Chega dos privilégios e das maracutaias dos políticos


A classe trabalhadora precisa tomar para si a tarefa da construção de outro modelo de sociedade

14 de nov. de 2015

Uma Noite de Horror Por Valério Arcary


Há momentos na vida em que não há palavras.
Horror é o que melhor pode descrever o que aconteceu ontem em Paris.
O Estado Islâmico (ISIS) assumiu a responsabilidade.
Foi um ato de barbárie. Um ataque covarde contra a população civil desarmada.
Os que realizaram este massacre e os que o planejaram são assassinos.
São monstros.
Aqueles que morreram em Paris eram inocentes.
Gente comum, trabalhadores e jovens.
Mas é preciso ter a coragem de dizer que a guerra não começou ontem.
O governo Hollande não é inocente. Ele tem as mãos sujas de sangue.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Não é uma guerra de religião, embora o vocabulário do Estado Islâmico seja islâmico.
Não é um choque de civilizações, o “Oriente contra o Ocidente”.
É um conflito que tem suas raízes na dominação imperialista do mundo.
É a luta pelo domínio do petróleo.
É o desenlace caótico das derrotas da onda revolucionária que deslocou governos que nasceram nos anos cinquenta e sessenta inspirados no nacionalismo nasserista no Egito, que era progressivo no contexto da guerra fria, e degeneraram como ditaduras militares monstruosas (Saddam Hussein, Gadhafi, Mubarak, Assad). O Estado Islâmico recrutou oficiais sunitas da Guarda Republicana de Saddam, jihadistas que vieram da Chechênia, da Bósnia, além dos subúrbios miseráveis de Londres e Paris.
É bom não esquecer que, há muitos anos, todos os dias é 13 de novembro na Síria.
Os mortos na Síria são, também, inocentes. Assim como os refugiados que fugiram para a Europa para salvarem suas vidas.
O governo Assad utiliza todos os meios para permanecer no poder reprimindo uma rebelião que nasceu pacífica.
Os bombardeios dos EUA, da França e da Rússia na Síria, os bombardeios da Arábia Saudita no Yemen, a invasão do Afeganistão, do Iraque, os massacres na Chechênia, a limpeza étnica na Bósnia teriam consequências.
A barbárie imperialista alimentou a barbárie terrorista.
A guerra não começou ontem.
E essa guerra não é nossa.

9 de nov. de 2015

O Lula de 2015 não é o mesmo Lula de 1979 - Por Valério Arcary


Por Valério Arcary - Direção Nacional do PSTU
* texto escrito um dia depois de Lula completar 70 anos, dia 28 de outubro de 2015

Ontem Lula fez 70 anos e o seu Instituto divulgou uma série de videos de personalidades que o saudaram e homenagearam.
O Lula de 2015 não é o mesmo Lula de 1979.
As pessoas mudam.
E Lula mudou demais, e para muito pior.

Porque ninguém com alguma experiência na vida se surpreende quando uma liderança de esquerda de origem intelectual muda de lado.
Isso aconteceu tantas e tantas vezes, que virou quase uma rotina.
Mas quando uma liderança de origem operária com as responsabilidades que Lula assumiu se transforma no contrário do era, esta transformação provoca imensa desmoralização na vanguarda proletária e socialista.
Muitos vídeos eram previsíveis e outros um pouco ...surpreendentes.

Chico Buarque era previsível.
Já a exposição do vídeo de Sarkosy, não.
Paradoxalmente, nos diz mais de Lula, do que o vídeo de Guilherme Boulos.
Porque ele e a classe que ele representa odiavam o Lula de 1979.
Mas se renderam seduzidos ao Lula que na presidência costurou o pacto social que deu estabilidade ao capitalismo periférico, quase sem reformas.
Esse é o papel central dos reformistas diante da história: permitir ao capital ganhar tempo, desmoralizar o sentido da luta socialista.
Guilherme, infelizmente, saudou uma saudade, uma memória, uma lembrança, uma nostalgia, um Lula que não existe mais.

A questão relevante que a data nos desafia é saber se o lulismo permanecerá ou não como a principal referência política dos trabalhadores.
Nunca houve na história contemporânea um matrimônio político indissolúvel da classe trabalhadora com um partido político, ou uma liderança.
A ruína do lulismo não será a primeira.
O PC italiano foi uma potência e entrou em colapso.
O Pasok grego teve influência imensa e desmoronou.
O peronismo foi tão forte quanto o lulismo e se transformou em uma caricatura irreconhecível.

Depois da crise do mensalão em 2005 o PT preservou, apesar de tudo, uma influência majoritária no proletariado. Entre 2003 e 2010, Lula fez um governo que recebeu aplausos quase unânimes do que há de mais reacionário no Brasil e no mundo: de Maluf a Delfim Neto, de Michel Temer a Henrique Meirelles, de Bush a Sarkozy, de Merkel a Putin, não faltaram entre os maiores banqueiros, empreiteiros e latifundiários vozes dispostas a admitir em público o deslumbramento das classes dominantes de todos os continentes com Lula e o PT.

Não fosse isso o bastante e, não obstante o impressionante desmascaramento do financiamento eleitoral através de relações obscenas com o empresariado – uma rotina de corrupção que o PT sempre denunciou - Lula surpreendeu pela resiliência de sua autoridade na classe operária. É verdade que as condições de crescimento econômico internacional entre 2004 e 2008 beneficiaram Lula e o governo. Mas, não foram somente estas condições externas favoráveis que podem explicar a perenidade da influência do PT na classe trabalhadora. E tampouco foram as mais de dez milhões de bolsas família distribuídas. A explicação para a permanência da influência do petismo nos setorres organizados da classe trabalhadora exige perspectiva histórica.

A reeleição de Lula em 2006, e a eleição de Dilma Rousseff em 2010 foram alicerçadas nos ventos favoráveis da situação econômica mundial entre 2003-2008, e a retomada do crescimento em 2010: a preservação da inflação baixa, o aumento lento, mas constante do salário mínimo, a preservação do salário médio, e a diminuição do desemprego que permitiram o acesso ao crédito, e a extensão de políticas públicas como o Bolsa-Família. Mas o Brasil começou a mudar desde junho de 2013.

As lutas de junho de 2013 foram as primeiras grandes mobilizações políticas de massas no Brasil que não foram dirigidas pelo PT desde 1980. Junho colocou em movimento, em certo sentido, ainda que parcialmente, uma geração que nasceu depois da fundação do PT e chegou à vida adulta, em grande medida, depois da eleição de Lula.
Junho alterou a relação social de forças, e deixou imprevisível até o último dia o resultado eleitoral das presidenciais de outubro de 2014.

Entre 1988 e 1994, o PT assumiu o governo de prefeituras e de governos estaduais e fez os primeiros pactos com a governabilidade. Em nome da consolidação da democracia não ofereceu resistência à posse de Itamar Franco, ou seja, recusou a luta por eleições gerais antecipadas, uma solução tão democrática e mais legítima que a posse do vice de Collor.

Entre 1994 e 2002, via fundos de pensão, e através das participações na gestão de fundos públicos, a burocracia sindical da CUT, ainda então o principal aparelho de apoio social da direção do PT, entrou no mundo dos grandes negócios com a burguesia.

Depois da eleição de 2002, o PT passou a ter relações orgânicas com o grande capital brasileiro, e passou a aceitar, com a crise do mensalão, o novo papel cesarista de Lula como líder incondicional.
E insubstituível.

O ápice da influência de Lula anunciava, todavia, a sua ruína. As ilusões reformistas dos trabalhadores não morrem sozinhas, é claro. Dependem de uma dura experiência prática: é neste terreno que as grandes massas podem retirar conclusões.
O que tem caracterizado a situação aberta depois de Junho de 2013 é que este processo se abriu.
A reorganização pela esquerda se desenvolve em novas condições.
Agora é possível.

Permanece muito difícil, mas é possível.

8 de nov. de 2015

Ato pelo Fora Cunha e contra a PL 5069 em Porto Alegre



Por Matheus Gomes

Neste sábado milhares saíram as ruas no primeiro grito de Porto Alegre pelo Fora Cunha. Foi uma mobilização importante, prova que existe um ascenso feminista no país. Convocado de forma espontânea, o ato envolveu centralmente mulheres jovens e contou com a presença de movimentos como as Mulheres em Luta (MML), Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (ANEL), Coletivo Primavera, Juntas, Marcha Mundial de Mulheres (MMM), entre outros. Uma ampla unidade de ação contra Cunha é necessária nesse momento. Dia 13 poderemos ter novos atos massivos em todo o Brasil. Essa pauta precisa ser assumida por todos movimentos, como os petroleiros em greve. Também será fundamental que o novembro negro enfrente Cunha, suas medidas nos atacam em primeiro lugar. Dia 20/11 a periferia e a negrada precisam marchar contra ele.

Só há um jeito de Cunha cair: tomando as ruas. Existe um acordo entre Dilma, Eduardo Cunha e a bancada fundamentalista desde 2010 quando a presidente assinou a Carta ao Povo de Deus, que rifou as pautas históricas das mulheres. Hoje esse acordão é o que impede Cunha de ir pra cadeia e causa esses retrocessos, em nome da governabilidade a pilula pode cair e o aborto permanecerá ilegal. O relator do processo na Comissão de Ética da Câmara é tão corrupto quando ele, a pizza já está no forno. A luta é a saída e quem preferir se abraçar em Cunha será levado junto também!