1 de jul. de 2016
23 de mar. de 2016
Contribuição do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma “Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)
Contribuição
do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma
“Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)
A
Esquerda Socialista em Porto Alegre tem um grande desafio político e eleitoral
pela frente. Em meio a crise que vivemos, é nítido que o grande desgaste dos
partidos que administram Porto Alegre nos últimos 28 anos (PT e PDT/PMDB) abriu
um espaço político inédito para um novo projeto político na cidade. A principal
expressão política disso é a pré-candidatura de Luciana Genro(PSOL) que depois
da desistência da Manuela D’ávila(PC do B) lidera as pesquisas eleitorais na
cidade.
O
PSTU esteve presente no lançamento da Plataforma “ Compartilhe a mudança “ para
se somar aos debates programáticos abertos pelo PSOL e apresentar nossas
contribuições sobre o programa que a campanha deve defender, abrindo o
debate com as organizações que já contribuíram com a plataforma, como o Centro
de Estudantes e Debates Socialista(CEDS), Raiz Cidadanista, PPL e todos os
ativistas que se somam para apoiar a pré-candidatura de Luciana Genro. Queremos
com isso recuperar uma velha tradição de debates políticos e teóricos sobre os
melhores caminhos que a esquerda combativa deve percorrer para de fato se
colocar como alternativa a crise do PT e os demais partidos da ordem no Brasil.
Uma
Campanha com Perfil de Oposição de Esquerda ao PT e a oposição de direita
A
crise que o Brasil atravessa é a expressão do fim do ciclo político da frente
popular. O PT no poder foi um “reformismo sem reformas”, ou seja, um projeto de
conciliação de classes que em momento algum buscou mobilizar e organizar a
classe trabalhadora para a conquista de reformas estruturais ou medidas de
enfrentamento com o capital nacional e internacional. O desenvolvimentismo
virou neoliberalismo, na realidade, a estrela brilhou apenas para a grande
burguesia que, como Lula gosta de afirmar, “nunca lucrou tanto na história do
país”. O Bolsa Família, programa mais importante do PT para combater a pobreza,
gastava em 2014 cerca de R$ 24 bilhões, enquanto o “Bolsa Banqueiro” consumia
R$ 800 bilhões.
A
ruptura da maior parte dos trabalhadores e da juventude com Dilma e o PT depois
do início da aplicação do plano de ajuste fiscal e os sucessivos escândalos de
corrupção que atingiram a cúpula da direção petista, inclusive Lula, é um
elemento progressivo e precisamos estar ao lado da classe para tirar as
conclusões corretas do processo. O PT deu errado por aplicar um projeto
de conciliação de classes, nunca tivemos um governo dos trabalhadores de fato.
Um exemplo disso é a participação popular nos mandatos petistas através do
Orçamento Participativo em Porto Alegre: o OP servia como um mero complemento a
democracia burguesa, as decisões fundamentais passavam longe das assembleias
nos bairros. Defendemos um governo apoiado em conselhos populares nos bairros e
entidades dos trabalhadores, onde construamos um projeto de democracia direta
da nossa classe.
A
campanha eleitoral precisa dizer que o nosso caminho é distinto ao que PT
trilhou, combateremos a farsa da conciliação de classes. Também devemos
combater com todas nossas forças a velha e a “nova” direita que busca
capitalizar o descontentamento popular. Eles são defensores de um ajuste ainda
mais brutal, querem vender o que ainda não privatizado e disseminam o ódio
contra mulheres, negros, indígenas e LGBTs.
Desde
já, a campanha precisa se posicionar contra o impeachment dirigido por Cunha e
esse congresso de ladrões. A nossa estratégia deve ser construir um terceiro
campo dos trabalhadores, independente do governo do PT e da oposição de
direita, que convoque os trabalhadores a construir um novo junho de 2013,
impulsionar os movimentos de greve, ocupações, unificar as lutas e transformar
a resistência em ofensiva para colocar pra fora Dilma, Lula, Aécio, Cunha e
todos esses corruptos que agem à serviço dos patrões. Um bom exemplo da
construção do terceiro campo é a mobilização nacional do dia 1 de abril, construida
pela CSP Conlutas e espaço de unidade de ação, iniciativas como essa que temos
que fortalecer contra os atos chamados pela direita como o 15 de março e os atos
governistas dirigidos pelo PT como a mobilização do 18 de março.
Porto
Alegre para os trabalhadores e o povo pobre da periferia
O
direito a saúde de qualidade, a educação, ao lazer e cultura, a moradia , ao
transporte público de qualidade são privilégio de poucos. Podemos afirmar sem
dúvida que Porto Alegre é campeã na exclusão dos mais pobres ao direito à
cidade.
Devemos
inverter essa lógica. Para isso devemos afirmar que vamos governar não para
todos e sim para a imensa maioria da população que são os trabalhadores e a
juventude com especial atenção ao povo negro e a população da periferia, as
mulheres, indígenas e os LGBT´S. Devemos fazer um governo de enfrentamento aos
poderosos, as máfias de transporte, aos esquemas de corrupção da prefeitura,
devemos romper com o sistema da dívida que retira bilhões do orçamento por ano.
Para isso nossa estratégia é se apoiar na mobilização e organização dos
trabalhadores e na juventude, ou seja, uma prefeitura que aponte todas as suas
armas ao poder central, dos governos estadual e federal.
Para
fazer um governo de enfrentamento é preciso não ter coligações com os partidos
burgueses ou que estão na base do governo Dilma. Assim como é um grave erro político
aceitar dinheiro das empresas para financiar as eleições. Precisamos retirar
todas as lições da crise do PT, as relações promiscuas da direção Petista com
os empresários, o financiamento da campanha eleitoral por parte dos empresários
e as coligações eleitorais sem critérios programáticos e de independência de
classe. Como estamos vendo nas investigações da Lava Jato essa é uma das
principais causas da degeneração e crise do PT. Não podemos repetir esse erro.
A campanha da Luciana Genro e do compartilhe a mudança deve ser totalmente
independente dos poderosos e da burguesia. Somente assim terá autoridade para
denunciar os candidatos da direita e do PT e enfrentar os interesses da
burguesia.
Podemos
e Bernie Sanders como referências?
A
plataforma “ compartilhe a mudança “ escrita pelos companheiros do PSOL aponta
como referências políticas de governo as prefeituras dirigidas por Podemos e o
modelo de gestão de Bernie Sanders do Partido Democrata dos EUA quando foi
prefeito de Burlington, defendendo no marco disso a chamada “Democracia Real”.
Sobre
as prefeituras dirigidas por Podemos em Madrid, Barcelona e outras cidades já é
possível identificar que apesar do importante apoio popular que tiveram
não conseguiram avançar para sequer romper o mecanismo da dívida pública, não
interferindo estruturalmente no modelo de administração das prefeituras de
Madrid e Barcelona. Podemos ainda apoiou o acordo feito pelo Syriza de
renegociação da dívida grega, segue defendendo a participação da Espanha na
União Européia e é contra a independência da Catalunha.
Já
Bernie Sanders não faz nenhuma crítica pública ao presidente Barack Obama e tem
no seu histórico a marca de ter votado favorável no senado aos créditos de guerra no Iraque, votou favorável a resolução que permite o uso da força contra o terrorismo que vem autorizando o imperialismo americano a invadir vários países como o Afeganistão, entre outros apoios a política imperialista norte americana. Mesmo se autointitulando
socialista e arrastando uma parcela importante da juventude trabalhadora
norte-americana, não podemos ter dúvidas que representa um projeto político
burguês.
É
um erro colocar como modelo de governo para as novas gerações de ativistas e
para os trabalhadores que estão profundamente decepcionados com o PT
alternativas políticas que são inclusive, em todos os sentidos menos
progressivas nos tempos de hoje do que foi o PT no início dos anos 80.
É
preciso reafirmar um perfil político de transformar as eleições de Porto Alegre
e as candidaturas da Frente de Esquerda em um ponto de apoio para os
sindicatos, grêmios estudantis, associações de bairro, DCE´S, o movimento
negro, o movimento LGBT, ou seja, o
conjunto dos movimentos sociais. Precisamos romper com o sistema da dívida
pública e todos os benefícios concedidos as máfias do transporte e da saúde, ou
seja, nosso programa precisa ser anti-capitalista e socialista, para apresentar
um projeto de transformação real para além das eleições. Isso infelizmente nem
Bernie Sanders, nem o Podemos estão fazendo.
PSTU Porto Alegre
23 de nov. de 2015
14 de nov. de 2015
Uma Noite de Horror Por Valério Arcary
Há momentos na vida em que não há palavras.
Horror é o que melhor pode descrever o que aconteceu ontem em Paris.
O Estado Islâmico (ISIS) assumiu a responsabilidade.
Foi um ato de barbárie. Um ataque covarde contra a população civil desarmada.
Os que realizaram este massacre e os que o planejaram são assassinos.
São monstros.
Aqueles que morreram em Paris eram inocentes.
Gente comum, trabalhadores e jovens.
Mas é preciso ter a coragem de dizer que a guerra não começou ontem.
O governo Hollande não é inocente. Ele tem as mãos sujas de sangue.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Não é uma guerra de religião, embora o vocabulário do Estado Islâmico seja islâmico.
Não é um choque de civilizações, o “Oriente contra o Ocidente”.
É um conflito que tem suas raízes na dominação imperialista do mundo.
É a luta pelo domínio do petróleo.
É o desenlace caótico das derrotas da onda revolucionária que deslocou governos que nasceram nos anos cinquenta e sessenta inspirados no nacionalismo nasserista no Egito, que era progressivo no contexto da guerra fria, e degeneraram como ditaduras militares monstruosas (Saddam Hussein, Gadhafi, Mubarak, Assad). O Estado Islâmico recrutou oficiais sunitas da Guarda Republicana de Saddam, jihadistas que vieram da Chechênia, da Bósnia, além dos subúrbios miseráveis de Londres e Paris.
É bom não esquecer que, há muitos anos, todos os dias é 13 de novembro na Síria.
Os mortos na Síria são, também, inocentes. Assim como os refugiados que fugiram para a Europa para salvarem suas vidas.
O governo Assad utiliza todos os meios para permanecer no poder reprimindo uma rebelião que nasceu pacífica.
Os bombardeios dos EUA, da França e da Rússia na Síria, os bombardeios da Arábia Saudita no Yemen, a invasão do Afeganistão, do Iraque, os massacres na Chechênia, a limpeza étnica na Bósnia teriam consequências.
A barbárie imperialista alimentou a barbárie terrorista.
A guerra não começou ontem.
E essa guerra não é nossa.
9 de nov. de 2015
O Lula de 2015 não é o mesmo Lula de 1979 - Por Valério Arcary
Por Valério Arcary - Direção Nacional do PSTU
* texto escrito um dia depois de Lula completar 70 anos, dia 28 de outubro de 2015
Ontem Lula
fez 70 anos e o seu Instituto divulgou uma série de videos de personalidades
que o saudaram e homenagearam.
O Lula de
2015 não é o mesmo Lula de 1979.
As pessoas
mudam.
E Lula mudou
demais, e para muito pior.
Porque
ninguém com alguma experiência na vida se surpreende quando uma liderança de
esquerda de origem intelectual muda de lado.
Isso
aconteceu tantas e tantas vezes, que virou quase uma rotina.
Mas quando
uma liderança de origem operária com as responsabilidades que Lula assumiu se
transforma no contrário do era, esta transformação provoca imensa
desmoralização na vanguarda proletária e socialista.
Muitos vídeos
eram previsíveis e outros um pouco ...surpreendentes.
Chico Buarque
era previsível.
Já a
exposição do vídeo de Sarkosy, não.
Paradoxalmente,
nos diz mais de Lula, do que o vídeo de Guilherme Boulos.
Porque ele e
a classe que ele representa odiavam o Lula de 1979.
Mas se
renderam seduzidos ao Lula que na presidência costurou o pacto social que deu
estabilidade ao capitalismo periférico, quase sem reformas.
Esse é o
papel central dos reformistas diante da história: permitir ao capital ganhar
tempo, desmoralizar o sentido da luta socialista.
Guilherme,
infelizmente, saudou uma saudade, uma memória, uma lembrança, uma nostalgia, um
Lula que não existe mais.
A questão
relevante que a data nos desafia é saber se o lulismo permanecerá ou não como a
principal referência política dos trabalhadores.
Nunca houve
na história contemporânea um matrimônio político indissolúvel da classe
trabalhadora com um partido político, ou uma liderança.
A ruína do
lulismo não será a primeira.
O PC italiano
foi uma potência e entrou em colapso.
O Pasok grego
teve influência imensa e desmoronou.
O peronismo
foi tão forte quanto o lulismo e se transformou em uma caricatura
irreconhecível.
Depois da
crise do mensalão em 2005 o PT preservou, apesar de tudo, uma influência
majoritária no proletariado. Entre 2003 e 2010, Lula fez um governo que recebeu
aplausos quase unânimes do que há de mais reacionário no Brasil e no mundo: de
Maluf a Delfim Neto, de Michel Temer a Henrique Meirelles, de Bush a Sarkozy,
de Merkel a Putin, não faltaram entre os maiores banqueiros, empreiteiros e
latifundiários vozes dispostas a admitir em público o deslumbramento das
classes dominantes de todos os continentes com Lula e o PT.
Não fosse
isso o bastante e, não obstante o impressionante desmascaramento do
financiamento eleitoral através de relações obscenas com o empresariado – uma
rotina de corrupção que o PT sempre denunciou - Lula surpreendeu pela
resiliência de sua autoridade na classe operária. É verdade que as condições de
crescimento econômico internacional entre 2004 e 2008 beneficiaram Lula e o
governo. Mas, não foram somente estas condições externas favoráveis que podem
explicar a perenidade da influência do PT na classe trabalhadora. E tampouco
foram as mais de dez milhões de bolsas família distribuídas. A explicação para
a permanência da influência do petismo nos setorres organizados da classe
trabalhadora exige perspectiva histórica.
A reeleição
de Lula em 2006, e a eleição de Dilma Rousseff em 2010 foram alicerçadas nos
ventos favoráveis da situação econômica mundial entre 2003-2008, e a retomada
do crescimento em 2010: a preservação da inflação baixa, o aumento lento, mas
constante do salário mínimo, a preservação do salário médio, e a diminuição do
desemprego que permitiram o acesso ao crédito, e a extensão de políticas
públicas como o Bolsa-Família. Mas o Brasil começou a mudar desde junho de
2013.
As lutas de
junho de 2013 foram as primeiras grandes mobilizações políticas de massas no
Brasil que não foram dirigidas pelo PT desde 1980. Junho colocou em movimento,
em certo sentido, ainda que parcialmente, uma geração que nasceu depois da
fundação do PT e chegou à vida adulta, em grande medida, depois da eleição de
Lula.
Junho alterou
a relação social de forças, e deixou imprevisível até o último dia o resultado
eleitoral das presidenciais de outubro de 2014.
Entre 1988 e
1994, o PT assumiu o governo de prefeituras e de governos estaduais e fez os
primeiros pactos com a governabilidade. Em nome da consolidação da democracia
não ofereceu resistência à posse de Itamar Franco, ou seja, recusou a luta por
eleições gerais antecipadas, uma solução tão democrática e mais legítima que a
posse do vice de Collor.
Entre 1994 e
2002, via fundos de pensão, e através das participações na gestão de fundos
públicos, a burocracia sindical da CUT, ainda então o principal aparelho de
apoio social da direção do PT, entrou no mundo dos grandes negócios com a
burguesia.
Depois da
eleição de 2002, o PT passou a ter relações orgânicas com o grande capital
brasileiro, e passou a aceitar, com a crise do mensalão, o novo papel cesarista
de Lula como líder incondicional.
E
insubstituível.
O ápice da
influência de Lula anunciava, todavia, a sua ruína. As ilusões reformistas dos
trabalhadores não morrem sozinhas, é claro. Dependem de uma dura experiência
prática: é neste terreno que as grandes massas podem retirar conclusões.
O que tem
caracterizado a situação aberta depois de Junho de 2013 é que este processo se
abriu.
A
reorganização pela esquerda se desenvolve em novas condições.
Agora é
possível.
Permanece
muito difícil, mas é possível.
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