8 de ago. de 2016
1 de jul. de 2016
23 de mar. de 2016
Contribuição do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma “Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)
Contribuição
do PSTU Porto Alegre ao debate de perfil programático na Plataforma
“Compartilhe a mudança“ – Pré-candidatura Luciana Genro(PSOL)
A
Esquerda Socialista em Porto Alegre tem um grande desafio político e eleitoral
pela frente. Em meio a crise que vivemos, é nítido que o grande desgaste dos
partidos que administram Porto Alegre nos últimos 28 anos (PT e PDT/PMDB) abriu
um espaço político inédito para um novo projeto político na cidade. A principal
expressão política disso é a pré-candidatura de Luciana Genro(PSOL) que depois
da desistência da Manuela D’ávila(PC do B) lidera as pesquisas eleitorais na
cidade.
O
PSTU esteve presente no lançamento da Plataforma “ Compartilhe a mudança “ para
se somar aos debates programáticos abertos pelo PSOL e apresentar nossas
contribuições sobre o programa que a campanha deve defender, abrindo o
debate com as organizações que já contribuíram com a plataforma, como o Centro
de Estudantes e Debates Socialista(CEDS), Raiz Cidadanista, PPL e todos os
ativistas que se somam para apoiar a pré-candidatura de Luciana Genro. Queremos
com isso recuperar uma velha tradição de debates políticos e teóricos sobre os
melhores caminhos que a esquerda combativa deve percorrer para de fato se
colocar como alternativa a crise do PT e os demais partidos da ordem no Brasil.
Uma
Campanha com Perfil de Oposição de Esquerda ao PT e a oposição de direita
A
crise que o Brasil atravessa é a expressão do fim do ciclo político da frente
popular. O PT no poder foi um “reformismo sem reformas”, ou seja, um projeto de
conciliação de classes que em momento algum buscou mobilizar e organizar a
classe trabalhadora para a conquista de reformas estruturais ou medidas de
enfrentamento com o capital nacional e internacional. O desenvolvimentismo
virou neoliberalismo, na realidade, a estrela brilhou apenas para a grande
burguesia que, como Lula gosta de afirmar, “nunca lucrou tanto na história do
país”. O Bolsa Família, programa mais importante do PT para combater a pobreza,
gastava em 2014 cerca de R$ 24 bilhões, enquanto o “Bolsa Banqueiro” consumia
R$ 800 bilhões.
A
ruptura da maior parte dos trabalhadores e da juventude com Dilma e o PT depois
do início da aplicação do plano de ajuste fiscal e os sucessivos escândalos de
corrupção que atingiram a cúpula da direção petista, inclusive Lula, é um
elemento progressivo e precisamos estar ao lado da classe para tirar as
conclusões corretas do processo. O PT deu errado por aplicar um projeto
de conciliação de classes, nunca tivemos um governo dos trabalhadores de fato.
Um exemplo disso é a participação popular nos mandatos petistas através do
Orçamento Participativo em Porto Alegre: o OP servia como um mero complemento a
democracia burguesa, as decisões fundamentais passavam longe das assembleias
nos bairros. Defendemos um governo apoiado em conselhos populares nos bairros e
entidades dos trabalhadores, onde construamos um projeto de democracia direta
da nossa classe.
A
campanha eleitoral precisa dizer que o nosso caminho é distinto ao que PT
trilhou, combateremos a farsa da conciliação de classes. Também devemos
combater com todas nossas forças a velha e a “nova” direita que busca
capitalizar o descontentamento popular. Eles são defensores de um ajuste ainda
mais brutal, querem vender o que ainda não privatizado e disseminam o ódio
contra mulheres, negros, indígenas e LGBTs.
Desde
já, a campanha precisa se posicionar contra o impeachment dirigido por Cunha e
esse congresso de ladrões. A nossa estratégia deve ser construir um terceiro
campo dos trabalhadores, independente do governo do PT e da oposição de
direita, que convoque os trabalhadores a construir um novo junho de 2013,
impulsionar os movimentos de greve, ocupações, unificar as lutas e transformar
a resistência em ofensiva para colocar pra fora Dilma, Lula, Aécio, Cunha e
todos esses corruptos que agem à serviço dos patrões. Um bom exemplo da
construção do terceiro campo é a mobilização nacional do dia 1 de abril, construida
pela CSP Conlutas e espaço de unidade de ação, iniciativas como essa que temos
que fortalecer contra os atos chamados pela direita como o 15 de março e os atos
governistas dirigidos pelo PT como a mobilização do 18 de março.
Porto
Alegre para os trabalhadores e o povo pobre da periferia
O
direito a saúde de qualidade, a educação, ao lazer e cultura, a moradia , ao
transporte público de qualidade são privilégio de poucos. Podemos afirmar sem
dúvida que Porto Alegre é campeã na exclusão dos mais pobres ao direito à
cidade.
Devemos
inverter essa lógica. Para isso devemos afirmar que vamos governar não para
todos e sim para a imensa maioria da população que são os trabalhadores e a
juventude com especial atenção ao povo negro e a população da periferia, as
mulheres, indígenas e os LGBT´S. Devemos fazer um governo de enfrentamento aos
poderosos, as máfias de transporte, aos esquemas de corrupção da prefeitura,
devemos romper com o sistema da dívida que retira bilhões do orçamento por ano.
Para isso nossa estratégia é se apoiar na mobilização e organização dos
trabalhadores e na juventude, ou seja, uma prefeitura que aponte todas as suas
armas ao poder central, dos governos estadual e federal.
Para
fazer um governo de enfrentamento é preciso não ter coligações com os partidos
burgueses ou que estão na base do governo Dilma. Assim como é um grave erro político
aceitar dinheiro das empresas para financiar as eleições. Precisamos retirar
todas as lições da crise do PT, as relações promiscuas da direção Petista com
os empresários, o financiamento da campanha eleitoral por parte dos empresários
e as coligações eleitorais sem critérios programáticos e de independência de
classe. Como estamos vendo nas investigações da Lava Jato essa é uma das
principais causas da degeneração e crise do PT. Não podemos repetir esse erro.
A campanha da Luciana Genro e do compartilhe a mudança deve ser totalmente
independente dos poderosos e da burguesia. Somente assim terá autoridade para
denunciar os candidatos da direita e do PT e enfrentar os interesses da
burguesia.
Podemos
e Bernie Sanders como referências?
A
plataforma “ compartilhe a mudança “ escrita pelos companheiros do PSOL aponta
como referências políticas de governo as prefeituras dirigidas por Podemos e o
modelo de gestão de Bernie Sanders do Partido Democrata dos EUA quando foi
prefeito de Burlington, defendendo no marco disso a chamada “Democracia Real”.
Sobre
as prefeituras dirigidas por Podemos em Madrid, Barcelona e outras cidades já é
possível identificar que apesar do importante apoio popular que tiveram
não conseguiram avançar para sequer romper o mecanismo da dívida pública, não
interferindo estruturalmente no modelo de administração das prefeituras de
Madrid e Barcelona. Podemos ainda apoiou o acordo feito pelo Syriza de
renegociação da dívida grega, segue defendendo a participação da Espanha na
União Européia e é contra a independência da Catalunha.
Já
Bernie Sanders não faz nenhuma crítica pública ao presidente Barack Obama e tem
no seu histórico a marca de ter votado favorável no senado aos créditos de guerra no Iraque, votou favorável a resolução que permite o uso da força contra o terrorismo que vem autorizando o imperialismo americano a invadir vários países como o Afeganistão, entre outros apoios a política imperialista norte americana. Mesmo se autointitulando
socialista e arrastando uma parcela importante da juventude trabalhadora
norte-americana, não podemos ter dúvidas que representa um projeto político
burguês.
É
um erro colocar como modelo de governo para as novas gerações de ativistas e
para os trabalhadores que estão profundamente decepcionados com o PT
alternativas políticas que são inclusive, em todos os sentidos menos
progressivas nos tempos de hoje do que foi o PT no início dos anos 80.
É
preciso reafirmar um perfil político de transformar as eleições de Porto Alegre
e as candidaturas da Frente de Esquerda em um ponto de apoio para os
sindicatos, grêmios estudantis, associações de bairro, DCE´S, o movimento
negro, o movimento LGBT, ou seja, o
conjunto dos movimentos sociais. Precisamos romper com o sistema da dívida
pública e todos os benefícios concedidos as máfias do transporte e da saúde, ou
seja, nosso programa precisa ser anti-capitalista e socialista, para apresentar
um projeto de transformação real para além das eleições. Isso infelizmente nem
Bernie Sanders, nem o Podemos estão fazendo.
PSTU Porto Alegre
23 de nov. de 2015
14 de nov. de 2015
Uma Noite de Horror Por Valério Arcary
Há momentos na vida em que não há palavras.
Horror é o que melhor pode descrever o que aconteceu ontem em Paris.
O Estado Islâmico (ISIS) assumiu a responsabilidade.
Foi um ato de barbárie. Um ataque covarde contra a população civil desarmada.
Os que realizaram este massacre e os que o planejaram são assassinos.
São monstros.
Aqueles que morreram em Paris eram inocentes.
Gente comum, trabalhadores e jovens.
Mas é preciso ter a coragem de dizer que a guerra não começou ontem.
O governo Hollande não é inocente. Ele tem as mãos sujas de sangue.
Quem semeia ventos colhe tempestades.
Não é uma guerra de religião, embora o vocabulário do Estado Islâmico seja islâmico.
Não é um choque de civilizações, o “Oriente contra o Ocidente”.
É um conflito que tem suas raízes na dominação imperialista do mundo.
É a luta pelo domínio do petróleo.
É o desenlace caótico das derrotas da onda revolucionária que deslocou governos que nasceram nos anos cinquenta e sessenta inspirados no nacionalismo nasserista no Egito, que era progressivo no contexto da guerra fria, e degeneraram como ditaduras militares monstruosas (Saddam Hussein, Gadhafi, Mubarak, Assad). O Estado Islâmico recrutou oficiais sunitas da Guarda Republicana de Saddam, jihadistas que vieram da Chechênia, da Bósnia, além dos subúrbios miseráveis de Londres e Paris.
É bom não esquecer que, há muitos anos, todos os dias é 13 de novembro na Síria.
Os mortos na Síria são, também, inocentes. Assim como os refugiados que fugiram para a Europa para salvarem suas vidas.
O governo Assad utiliza todos os meios para permanecer no poder reprimindo uma rebelião que nasceu pacífica.
Os bombardeios dos EUA, da França e da Rússia na Síria, os bombardeios da Arábia Saudita no Yemen, a invasão do Afeganistão, do Iraque, os massacres na Chechênia, a limpeza étnica na Bósnia teriam consequências.
A barbárie imperialista alimentou a barbárie terrorista.
A guerra não começou ontem.
E essa guerra não é nossa.
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