23 de abr de 2010

Polêmica

Construção da Hidrelétrica de Belo Monte trará danos ambientais irreparáveis

O consórcio liderado pela estatal de energia Chesf e a Queiroz Galvão ganhou a concessão para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), nesta terça feira (20). Um crime ambiental se consolida e as mais de 14 mil comunidades, povos indígenas, além de centenas ribeirinhos, pescadores, extrativistas, quilombolas e agricultores que tiram do Xingu o seu sustento serão diretamente prejudicadas.
Diante da noticia, entidades organizaram manifestações por todo país nesta terça-feira. Agricultores bloquearam a Rodovia Transamazônica, no trecho entre Altamira e Vitória do Xingu.

O argumento utilizado pelo governo para a construção da hidrelétrica é evitar um novo apagão na região Sul e Sudeste. Porém, um grupo de pesquisadores ligados a universidades e centros de pesquisas nacionais e internacionais, fez uma análise detalhada dos estudos de Belo Monte. Este relatório aponta que os principais beneficiados serão sim, empreiteiras e empresas. “Aproximadamente 80% da eletricidade atenderá as empresas do Centro-Sul do país. Até 20%, caso a negociação realizada entre a União e o governo do Pará se concretize, ficarão para atender empresas eletro-intensivas deste estado, principalmente as Vale e Alcoa”, informa o documento.

O relatório aponta que grande parte da energia prometida não será em tempo integral, além de o governo não citar as mais de 20 mil famílias que serão atingidas diretamente, sendo deslocadas de seu habitat natural.
O documento cita que no estudo oficial, mais de 11 municípios sofrerão impactos sócio-econômicos e ambientais com a construção da hidrelétrica, porém só houve audiência para discussão sobre o assunto em quatro destas localidades. Não existiu um amplo debate com as comunidades e nem os esclarecimentos à população afetada.

Uma área de aproximadamente 100 quilômetros, na chamada Volta Grande do Xingu, terá a sua vazão de água reduzida a algo em torno de 30%, ou seja, os impactos ambientais que já sentimos na pele com as mudanças climáticas serão agravados. Além disso, algumas analises da destruição que a construção pode causar ao meio ambiente só poderá ser dimensionada pelo Ibama, anos após conclusão da usina.

Esta tentativa de construção da hidrelétrica vem desde 1975, sob o comando dos militares que governavam o Brasil. A Central Elétrica do Norte do Brasil S.A (Eletronorte) iniciou os estudos do Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, que marcou o primeiro passo no projeto de construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte.

O ano de 1989 é um marco no processo de resistência ao então chamado Complexo Hidrelétrico do Xingu. Realizou-se em Altamira (PA) o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. Este encontro reuniu aproximadamente 3 mil pessoas. A enorme indignação dos indígenas e demais povos da floresta, e sua intensa repercussão internacional, forçaram o governo a recuar, mudar de estratégia e refazer seu projeto.  Já se passaram 21 anos e o encontro  ficou marcado pela  resistência contra a barbárie a natureza e esta luta deve prosseguir. A população brasileira não pode permitir que este crime ambiental aconteça, as mobilizações devem se intensificar contra a construção da Hidrelétrica Belo Monte, que nitidamente visa o lucro para as empreiteiras e empresas, enquanto a população pobre é diretamente prejudicada e o meio ambiente devastado.

Redação Conlutas - Bianca Pedrina

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