22 de ago de 2011

Fala de Zé Maria, Presidente do PSTU, na posse da nova direção do CPERS/Sindicato



4 de ago de 2011

Nota do PSTU - RS

Em defesa de Tonho Crocco!

Mais uma vez a Assembléia Legislativa do RS, conhecida por suas ações truculentas, tenta calar a voz daqueles que ousam lutar.  O alvo dessa vez foi o cantor e compositor Tonho Crocco (ex-vocalista da banda Ultramen), que #indignado diante da votação do aumento de 76% nos salários dos Dep. Estaduais no final do ano passado, gravou um rap entitulado "Gangue da Matriz". Na música, Tonho Crocco cita o nome dos 36 deputados que votaram o seu próprio aumento e resume em poucas palavras o sentimento de revolta da população, que alguns dias depois viu o seu salário mínimo aumentar apenas r$ 35 e hoje sofre com os efeitos da inflação.

A ação foi encaminhada ao Ministério Público pela então Presidência da casa, na época ocupada pelo atual Dep. Federal Giovani Cherini (PDT). De acordo com a decisão do MP o cantor terá que responder por crimes contra a honra e pode pegar até 1 ano e 2 meses de prisão.

O PSTU toma o direito de se apropriar das palavras de Tonho Crocco e afirmar que a ação do MP e da AL representa um verdadeiro ataque a liberdade de expressão, aos trabalhadores e a juventude que tem os seus salários arrochados pelos Governos e Patrões.

O que vimos acontecer a partir de Brasília, com o aumento de 62% do salários dos Deputados e de 132% da Presidente Dilma, é o que realmente representa um crime contra a honra. Diferente do RAP indignado de Tonho, que parte do mesmo sentimento de revolta da juventude e dos trabalhadores e trabalhadoras gaúchos e de todo o país, que desde o início de 2011 não pararam de lutar um minuto sequer, em defesa de seus salários e por melhores condições de vida.

Entendemos que essas reivindicações são justas e partem de situações concretas. A vida da maioria da população, que ganha no mínimo 20x menos que um Deputado, está cada vez mais difícil: é o caos na saúde e na educação, a precarização dos serviços públicos, o aumento dos transportes, alimentos, aluguéis e um arrocho salarial constante, que já faz com que Porto Alegre seja a capital do país com o maior valor de  endividamento médio mensal das familias trabalhadoras, R$ 2.145 ou 30% da renda. Como se não bastasse, ainda convivemos com diversos casos de corrupção e enriquecimento ilícito de políticos do Governo e patrões.

"É hora de falar, é hora de mudar, não sei quanto a vocês mas eu vou lutar"

Diante de toda essa situação o que observamos é uma tentativa cada vez maior, por parte das "autoridades políticas" de nosso país, de calar a voz dos indignados. Foi assim com os bombeiros e os 13 presos políticos do ato contra Obama no Rio; na tentativa da AGU(Advogacia Geral da União) de invalidar a heróica greve dos trabalhadores das Universidades Públicas que lutam contra o congelamento salarial e agora, mais um triste fato com a intimação e indiciamento infundados de Tonho Crocco.

Atitudes como essa nos remetem a época da Ditadura Militar, em que os artistas eram impedidos de expressar suas opiniões sobre o cenário político nacional. Muitos foram exilados,  torturados e alguns até mortos. Não difere muito do que querem fazer com Tonho Crocco. 1 ano e 2 meses de reclusão, essa é a resposta dos Deputados a um trabalhador que expressou publicamente sua indignação diante de um fato protagonizado por aqueles que coordenam uma casa que até então representava um Estado Democrático. O grande problema é que a democracia que eles defendem é para os ricos e os patrões e funciona sob o princípio inalienável da corrupção.

Nesse momento, mais de 5000 mil pessoas em sua grande maioria jovens, já confirmaram presença no evento criado no facebook, "#FREETonhoCrocco" (hashtag que também está sendo utilizada no twitter), que convoca todos a comparecem na audiência premiliminar, no dia 22 de agosto, segunda-feira, 15h no Foro Central de Porto Alegre. Esse fato é muito importante e nos aponta qual é a resposta que necessita ser dada nesse momento: muita mobilização! É necessário seguir o exemplo da juventude e da classe trabalhadora espanhola que ocupou as praças e levantou a palavra de ordem "Democracia Real Já" e lutar pela retirada do processo contra Tonho Crocco e a defesa da liberdade de expressão e manifestação!

LUTAR NÃO É CRIME, LUTAR É DIREITO!


ARTIGO


Tonho Crocco: lições de matemática, memória e luta

Por Nathália Gasparini   
              
            Para entendermos o sistema em que vivemos, é preciso entender de números. É preciso saber que o salário de nossa presidenta foi reajustado em 133%, e dos deputados -que trabalham, em média, 10h por semana - em 73%, indo de 11,5 mil para 20 mil reais. Hoje, só com o salário dos parlamentares, o governo gasta 800 milhões de reais por ano.  Em contrapartida, Como gritou aos 4 ventos  a professora Amanda Gurgel, o salário médio de um professor que trabalha 40h é de 930 reais.  O salário mínimo aumentou 6,8% por cento, o mais baixo aumento nos últimos 10 anos. Mas a inflação aumentou 6,4%, o que faz com que o aumento do valor real do mínimo fique em 0,4%. No começo desse ano, a ANEL se somou aos movimentos sociais que fizeram esse cálculo, perceberam e denunciaram: com o mesmo valor, era possível trocar 1 deputado por 344 professores.

                Acontece que na falsa democracia em que vivemos, o grito dos movimentos sociais não é bem-vindo. Temos visto isso no tratamento aos bombeiros e professores que lutam contra esses números vergonhosos; temos visto isso na repressão aos movimentos sociais que dizem não ao anual aumento da passagem; vimos isso no tratamento aos 13 presos políticos detidos na manifestação contra Obama. 

              Mas não é só nas lutas na rua que o sistema repressivo mostra sua cara. Hoje, no Rio Grande do Sul, o rapper Tonho Crocco sofre um processo por parte do deputado Giovani Cherini, do PDT, por ter protestado contra o aumento dos deputados em um rap. Na música, o compositor chama de Gangue da Matriz e dá o nome aos 36 deputados que aprovaram seu próprio aumento. A Assembléia tenta censurar a expressão artística de protesto, reprimindo e proibindo um direito de todos: o direito à memória e à revolta.

             Nós da juventude livre e indignada da ANEL acreditamos que é preciso lutar contra esse sistema, que oprime e reprime. E para isso, temos três armas: a matemática, a memória e a luta. É preciso conhecer esse sistema e como ele privilegia os poderosos em detrimento dos trabalhadores, esmagando a grande massa da população com esses números vergonhosos; é preciso preservar a memória para não esquecer quem são esses que nos massacram; e é preciso lutar contra eles e contra esse sistema, que tenta nos impedir de nos expressar.

Apoiamos Tonho Crocco e toda e qualquer manifestação que denuncie as injustiças sociais, e fazemos coro à pergunta do rapper: será mesmo que estamos numa democracia?
Nathália Gasparini é estudante de Letras da UFRGS