30 de abr de 2010

Eleições 2010

Ainda sobre a discussão acerca da Frente de Esquerda para as eleições de 2010


Executiva Nacional do PSOL divulgou nota datada de 27 de abril último, onde defende a constituição de uma “Frente de Esquerda” com o PSTU e PCB, manifestando “...disposição de empreender todos os esforços possíveis para construir essa unidad e...”. A mesma nota afirma que “... terão responsabilidade no movimento os que optarem pela divisão antes de esgotadas todas as possibilidades de um acordo ...”. Termina por chamar o PCB e o PSTU à “... assumirem a responsabilidade pela construção de uma Frente de Esquerda....”

O PSTU não tem procuração para falar em nome do PCB, mas em nome do nosso partido temos a esclarecer o que segue:

1 – O PSTU, por acreditar que seria positiva e importante a construção de uma frente de esquerda, classista e socialista, que envolvesse PSTU, PSOL e PCB para as eleições deste ano, apresentou em agosto do ano passado, publicamente, esta proposta ao PSOL. Depois de meses sem nenhuma resposta à proposta que fizemos, fomos informados pela imprensa, em novembro passado, de decisão da direção do PSOL de buscar um acordo eleitoral para apoiar a candidatura de Marina Silva à presidência da república.

2- Frente a esta situação, o nosso partido resolveu lançar a pré-candidatura à presidência do companheiro Zé Maria, ainda sem descartar a possibilidade da Frente, mas sinalizando claramente o aumento da nossa preocupação. Lançada nossa pré-candidatura, em dezembro passado, a direção do PSOL pede a primeira reunião com o PSTU para discutir a Frente. Desta reunião participaram Zé Maria, pela direção do PSTU, e Afrânio Bopré e Elias Vaz pela Executiva Nacional do PSOL.

3 – Os representantes do PSOL na reunião disseram claramente que a prioridade para o PSOL era a aliança com Marina Silva, e que o partido estava empenhado em “...esgotar todas as possibilidades de um acordo...” com a candidata do PV. E disseram ao PSTU que esperasse, pois “...se não saísse acordo com a Marina...”, voltariam a conversar conosco. Uma demonstração lamentável da arrogância do PSOL a serviço de uma política de direita. O fato de Marina ter preferido a aliança com o PSDB do Rio de Janeiro, e não o acordo com o PSOL, não diminui a gravidade da opção dos companheiros, pelo contrário, a aumenta ainda mais. Confirma a natureza de classe da candidata que queriam apoiar. Respeitamos a resistência de muitos militantes do PSOL contra o apoio à Marina, mas a aliança não saiu porque ela optou pelo PSDB, deixando na mão os dirigentes do PSOL que defendiam a aliança.

A discussão real sobre a “cobrança de responsabilidades” começa aí, com o desrespeito que se configurou nesta postura do PSOL com relação ao PSTU e, acreditamos também ao PCB. Desrespeito que já havia se manifestado antes, na campanha passada, onde o PSOL tratou seus aliados como simples apoiadores de seus candidatos, desconsiderando solenemente os acordos programáticos feitos em comum acordo, e impondo seus candidatos a presidente e vice. Nas eleições de 2008 seguiram ocorrendo desrespeitos semelhantes, com o PSOL ocupando em várias cidades todo o tempo de TV.

Desrespeito que se repete agora quando a Executiva Nacional do PSOL se julga no direito de “cobrar responsabilidade” do PSTU e do PCB acerca da Frente quando esta mesma Executiva há apenas 3 meses atrás defendia a aliança com Marina Silva ignorando solenemente aqueles que, agora, chama de aliados importantes. O PSTU não tem a mínima disposição para ser tratado como uma sublegenda do PSOL.

4- O PSTU sempre defendeu que o primeiro critério para chegar a uma aliança eleitoral era conseguir um programa socialista. Este era o critério fundamental para a composição de uma possível frente, abrir o debate de programa que pudesse ser construído nas instâncias dos partidos da frente.

O PSOL primeiro buscou Marina com um programa rebaixado. Depois definiu um programa que não é socialista na conferencia nacional que indicou Plínio. Esse programa não defende sequer a ruptura com o imperialismo e a estatização do sistema financeiro. O método definido pela direção do PSOL nos coloca perante um fato consumado, ao definir um programa no qual em essência não temos acordo.

Isso está bem de acordo com o programa da corrente majoritária atual da direção do PSOL, “democrático e popular”, semelhante ao proposto pelo PT do passado. Essa visão defende a colaboração com “setores progressistas da burguesia”.

Essa estratégia democrático-popular é que leva a direção majoritária do PSOL a apoiar, junto com Lula, ao governo nacionalista burguês de Chavez e a Lugo. Não é por acaso que nesse momento não existe no site do PSOL nenhuma crítica à repressão desatada no Paraguai, com o “estado de exceção” imposto por Lugo, junto com as Forças Armadas e a colaboração da CIA.

Vejamos mais uma vez as “responsabilidades”: definem um programa completamente distinto do que propusemos e agora vem nos cobrar mais uma vez de forma arrogante a não existência da frente.

5- O PSTU colocou como segunda condição para concretizar a frente uma clara independência política e financeira da burguesia e seus partidos. A primeira resposta do PSOL foi buscar a aliança com um setor da burguesia, com o PV e Marina. Depois do fracasso dessa aliança, a conferência do PSOL-RGSul votou por conseguir dinheiro de empresas privadas. Todos conhecem o episódio de 2008, em que o PSOL gaúcho recebeu verbas de uma grande empresa, a Gerdau. Agora decidiram manter isso para as eleições de 2010.

Para o PSTU não existem condições de lutar contra a burguesia sendo financiado pela burguesia. A resolução do PSOL gaúcho é uma bofetada na cara dos que defendem a independência de classe. A executiva nacional do PSOL não se pronunciou sobre essa resolução, e agora vem cobrar “responsabilidades” ao PSTU por não se concretizar a frente. Ou seja, o PSOL-RGSul vai utilizar dinheiro de empresas privadas para a campanha nacional.

Existem também declarações dúbias de figuras públicas nacionais do PSOL sobre o tema, em que se não se aceitam contribuições de empresas, mas sim de empresários, desde que seja com pouco dinheiro.

Para nós, é exatamente a mesma coisa a “contribuição” de Jorge Gerdau Johannpeter, e a de sua empresa Gerdau. É exatamente a mesma coisa ter uma colaboração da Votorantim ou de Antonio Ermírio de Moraes, de Roger Agnelli ou da Vale do Rio Doce, de Bill Gates ou da Microsoft. A “contribuição de pessoa física” é uma manobra largamente utilizada por todos os partidos para receber dinheiro das empresas.

E o critério de “pouco dinheiro”, como sabemos, é relativo. Para a empresa Gerdau ou para o burguês Gerdau doar cem mil reais (como aconteceu em 2008) é pouco dinheiro. Realmente nos entristece que Plinio concorde com a aceitação de dinheiro dos burgueses.

Isso só mostra a distância que temos entre os critérios que nós defendemos e os do PSOL.

6 – Acreditamos que nossos partidos têm sim a obrigação de buscar a unidade na luta concreta dos trabalhadores, no apoio à construção de organizações de frente única que se constituam em instrumentos para a luta da nossa classe. Por isso é muito importante e é preciso valorizar muito o esforço que temos feito, PSTU e PSOL, junto às organizações sindicais e populares onde atuam nossos militantes, para a construção da unidade nas lutas do movimento sindical e popular combativos deste país. E para a construção do Congresso da Classe Trabalhadora que acontecerá em junho deste ano e que deve unificar a Conlutas, a Intersindical, o MTL, o MTST, o MAS e setores da Pastoral operária de são Paulo. Estamos fazendo e é necessário continuar e aprofundar este esforço, conjuntamente.

7 - No entanto este mesmo critério não se aplica de forma automática aos processos eleitorais. O processo eleitoral é um momento em que os partidos apresentam seus projetos para o país. E, como vimos, não temos, PSTU e PSOL, a mesma proposta para defender no processo eleitoral deste ano. Como não existe acordo programático e nem sobre a relação com a burguesia, é legitimo e necessário, portanto, que os partidos apresentem suas candidaturas para defender suas propostas.

Devolvemos, então, o chamado á responsabilidade que nos fazem. A oposição de esquerda ao governo Lula, infelizmente, não vai unida nessas eleições. Pior ainda seria, se os distintos partidos se dedicassem essencialmente à disputa entre nós, como indica a “cobrança” arrogante da executiva do PSOL. Em nossa opinião a obrigação dos nossos partidos neste processo é centrarmos nossas forças no combate às alternativas burguesas, tenham elas o nome Dilma, Serra ou Marina. É nisto que o PSTU pretende se concentrar nos próximos meses.

São Paulo, 29 de abril de 2010
Comitê Executivo do PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado.

28 de abr de 2010

Campanha "Vote aos 16"




A gurizada contra a corrupção e pelo socialismo.


Galera, no Brasil somos 20% da população, ao todo, 34 milhões de jovens. Estudamos e trabalhamos, sofremos com os estágios mal-pagos, falta de acesso à educação de qualidade e à cultura. Quando conseguimos uma vaga na universidade pública, assistimos o desmonte da educação promovido pelo Governo Lula, através do corte de verbas e do Reuni. Nas escolas, a "enturmação" da Yeda, a falta de professores, funcionários, laboratórios e pouco investimento são resultado de uma política criminosa contra a educação pública.

Isso tudo agrava a evasão escolar, a violência e aumento do consumo de drogas, principalmente o crack, na juventude.

Como se não bastasse isso tudo, de tempos em tempos, se descobre alguma maracutaia envolvendo os políticos e o desvios de verbas públicas direto pros bolsos desses safados!

Te convidamos a participar destas eleições para fortalecer um projeto socialista, que fortaleça as lutas da juventude e dos trabalhadores, combata a corrupção generalizada, e preserve o nosso planeta. Construir um governo dos trabalhadores, que rompa com a dominação imperialista e não pague a dívida pública para investir na saúde, educação e outras áreas sociais, são passos fundamentais na conquista de um mundo melhor.

Por um Brasil socialista da juventude e dos trabalhadores!
  

- 10% do PIB para a educação pública já!

Hoje o Brasil investe cerca de 4,3% do PIB em educação, o governo Lula não chegou nem perto dos 7% aprovado pelo Congresso Nacional e vetado por FHC. Para mudar a educação do país é preciso investir pesado na educação pública e não apenas discurso. Além disso, precisamos transformar as escolas/universidades privadas em instituições estatais para garantir o nosso acesso e permanência a uma educação pública, gratuita e de qualidade.


-Direitos trabalhistas para os estagiários, já! Somos trabalhadores e não escravos!
Cerca de 200 mil moradores da região metropolitana de Porto Alegre estão desempregados, outros 161 mil trabalham sem carteira assinada. Muitos recebem salários baixos e com uma jornada de trabalho exaustiva. A juventude está incluída nessas estatísticas. O estágio é a nova “escravidão”, queremos direitos trabalhistas para os estagiários e o pleno emprego para combater a miséria.

- Contra a máfia do transporte. Por um transporte público e estatal!
O transporte “público”, que é privado, é um grande negocio que movimenta milhões de reais e sustenta uma verdadeira máfia. A qualidade do serviço é péssima: atraso constante, ônibus lotado, carros que estragam todo o dia e passagem muito cara, são algumas das características do transporte privado. Defendemos um transporte estatal, de qualidade, redução da tarifa, com passe livre para os estudantes e desempregados.


“A juventude é peça chave na construção de um mundo melhor. Os patrões e os governos geram todas as desigualdades sociais e estão comprometidos com a manutenção da corrupção e do sistema vigente. Devemos nos unir com a classe trabalhadora para a construção de um mundo socialista, sem nenhum tipo de preconceito e exploração! Nestas eleições, queremos que você vote para fortalecer um projeto socialista e dos trabalhadores, que defenda a ruptura com o imperialismo! Junte-se a nós, venha para o PSTU”

Jéssica Nucci - Estudante da UFRGS e da Secretaria Nacional da Juventude do PSTU.

27 de abr de 2010

Governo Lula

Governo mantém reajuste de 6,14% para aposentados.

 
Votação de reajuste de 6,14% para aposentados será votado na Câmara Federal na terça-feira (27)


Deu na UOL Notícias nesta sexta-feira (23) que o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou que o Executivo voltou a defender um reajuste de 6,14% para os aposentados que ganham acima de um salário mínimo, ao sair de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministérios da área econômica e Casa Civil, nesta sexta-feira (23), em Brasília.
O reajuste de 7% que o governo Lula alardeava que havia sido acordado com centrais sindicais e com representantes dos aposentados já foi por água abaixo.
De acordo com a notícia, o ministro declarou que ficou evidente que, nas últimas semanas, não existe mais essa proposta de 7%. “Essa proposta desapareceu. Em função disso, o governo mantém os 6,14%”, teria dito.
O relator da medida provisória (MP 475) na Câmara e líder do governo na Casa Legislativa, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), perdeu apoio para sua proposta de aumento escalonado. Quem recebe de um até três salários mínimos teria reajuste de 7,7% e quem ganha acima de três salários mínimos ficaria com aumento de 6,14%. Enquanto isso estava sendo discutida uma proposta entre as centrais sindicais e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), em torno de um aumento de 7,7%. A proposta não agradou o presidente que diz que o impacto na folha seria enorme.
Depois de toda a polêmica, ao que tudo indica é que o reajuste deverá ficar mesmo em 6,14 %. O parecer será apresentado por Vacarezza na terça-feira (27) para votação no plenário da Câmara.  


Mobilizar já - Diante disso, a Conlutas, que estará com representação na data em Brasília, conclama as entidades de aposentados e sindicais para que compareçam à Câmara Federal para rechaçar essa votação.
A Conlutas já tinha um posicionamento contrário ao acordo que vinha sendo fechado entre governo, centrais sindicais e entidades dos aposentados. Esta sentença anunciada hoje na imprensa só reforça de que só é possível arrancar qualquer reivindicação por meio da mobilização. Portanto, é urgente retomar a luta por um reajuste digno aos aposentados.


Leia abaixo a nota divulgada pela Conlutas, que após o anúncio do acordo entre governo, centrais e entidades de aposentados, afirmava que este ainda era rebaixado.
Pela reposição das perdas, reajuste igual ao salário mínimo e contra o fator previdenciário
Nossa Luta é uma só!

Reajuste igual ao do salário mínimo;
Reposição das perdas impostas por FHC e Lula;
Pelo fim do Fator Previdenciário!


Depois dos ataques de FHC/PSDB já se passaram mais de sete anos do governo LULA/PT e os APOSENTADOS e pensionistas de nosso país seguem sendo DESRESPEITADOS, tendo seus direitos atacados, retirados e negados.
Agora a palavra de representantes do governo se repete. "Nós vamos indicar ao presidente o veto caso haja uma proposta com um valor maior. A nossa proposta é 6,14%, acima disso o Ministério da Fazenda vai propor ao presidente o veto", destacou o ministro da Fazenda Guido Mantega, em entrevista na Câmara, nesta quarta-feira (13/04).
Essa postura intransigente, por parte do governo, marcou mais um dia de batalha dos aposentados e pensionistas de nosso país. Representados pela Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (COBAP), suas Federações e Associações, há meses, estãos mobilizados em Brasília e em várias partes de nosso Brasil exigindo que a Câmara dos Deputados vote os projetos. Esses projetos já foram aprovados pelo Senado e garantem o Fim do Fator previdenciário, reajuste igual ao do salário mínimo, além da reposição das perdas impostas pela política de FHC e agora de Lula.
O governo reage assim porque tem base de apoio para tal. Os parlamentares da “dita” oposição (PSDB/DEM), juntamente com alguns poucos parlamentares governistas (PT/PMDB) e novamente as mesmas centrais sindicais anunciam a existência de um “novo acordo”, que seria o reajuste de 7,71% (portanto abaixo do reajuste do mínimo) em 2010 e mais 2%, acima da inflação de 2010, para o ano de 2011. Esse acordo seria votado na Câmara em detrimento do que já foi aprovado no Senado. O anuncio deste “novo acordo” é também divulgado com a concordância da COBAP e diversas federações e associações de aposentados e pensionistas.


Não concordamos com qualquer acordo que mantenha a discriminação aos aposentados e pensionistas no que se refere aos reajustes e qualquer outro direito. Entendemos que a COBAP já demonstrou que a nossa vitória dependerá da nossa unidade e de nossa mobilização contra o governo Lula, sem depositarmos qualquer confiança nesse Parlamento de corruptos. Por esse motivo, a Conlutas seguirá apoiando e participando das mobilizações que forem convocadas pelos aposentados, pensionistas e suas organizações.


A nossa luta é uma só. Devemos seguir o combate e exigir a aprovação dos projetos em defesa dos aposentados, que garanta:
- Reajuste igual ao do salário mínimo;
- Reposição das perdas impostas por FHC e Lula;
- Pelo fim do Fator Previdenciário!


Para que tenhamos êxito será necessário intensificar as nossas ações, as nossas mobilizações e os nossos protestos.  
Precisamos aumentar o tom de nossa exigência aos deputados e de denúncia do governo Lula para construirmos um dia nacional de manifestações em todo o país É preciso chamar a unidade de todos os trabalhadores, da juventude, dos camponeses da sociedade em geral.
Fazermos um chamado a todas as centrais para que rompam sua submissão ao governo e passem para o lado de nossa classe e da defesa de nossos direitos.

23 de abr de 2010

Polêmica

Construção da Hidrelétrica de Belo Monte trará danos ambientais irreparáveis

O consórcio liderado pela estatal de energia Chesf e a Queiroz Galvão ganhou a concessão para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), nesta terça feira (20). Um crime ambiental se consolida e as mais de 14 mil comunidades, povos indígenas, além de centenas ribeirinhos, pescadores, extrativistas, quilombolas e agricultores que tiram do Xingu o seu sustento serão diretamente prejudicadas.
Diante da noticia, entidades organizaram manifestações por todo país nesta terça-feira. Agricultores bloquearam a Rodovia Transamazônica, no trecho entre Altamira e Vitória do Xingu.

O argumento utilizado pelo governo para a construção da hidrelétrica é evitar um novo apagão na região Sul e Sudeste. Porém, um grupo de pesquisadores ligados a universidades e centros de pesquisas nacionais e internacionais, fez uma análise detalhada dos estudos de Belo Monte. Este relatório aponta que os principais beneficiados serão sim, empreiteiras e empresas. “Aproximadamente 80% da eletricidade atenderá as empresas do Centro-Sul do país. Até 20%, caso a negociação realizada entre a União e o governo do Pará se concretize, ficarão para atender empresas eletro-intensivas deste estado, principalmente as Vale e Alcoa”, informa o documento.

O relatório aponta que grande parte da energia prometida não será em tempo integral, além de o governo não citar as mais de 20 mil famílias que serão atingidas diretamente, sendo deslocadas de seu habitat natural.
O documento cita que no estudo oficial, mais de 11 municípios sofrerão impactos sócio-econômicos e ambientais com a construção da hidrelétrica, porém só houve audiência para discussão sobre o assunto em quatro destas localidades. Não existiu um amplo debate com as comunidades e nem os esclarecimentos à população afetada.

Uma área de aproximadamente 100 quilômetros, na chamada Volta Grande do Xingu, terá a sua vazão de água reduzida a algo em torno de 30%, ou seja, os impactos ambientais que já sentimos na pele com as mudanças climáticas serão agravados. Além disso, algumas analises da destruição que a construção pode causar ao meio ambiente só poderá ser dimensionada pelo Ibama, anos após conclusão da usina.

Esta tentativa de construção da hidrelétrica vem desde 1975, sob o comando dos militares que governavam o Brasil. A Central Elétrica do Norte do Brasil S.A (Eletronorte) iniciou os estudos do Inventário Hidrelétrico da Bacia Hidrográfica do Rio Xingu, que marcou o primeiro passo no projeto de construção da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte.

O ano de 1989 é um marco no processo de resistência ao então chamado Complexo Hidrelétrico do Xingu. Realizou-se em Altamira (PA) o 1º Encontro dos Povos Indígenas do Xingu. Este encontro reuniu aproximadamente 3 mil pessoas. A enorme indignação dos indígenas e demais povos da floresta, e sua intensa repercussão internacional, forçaram o governo a recuar, mudar de estratégia e refazer seu projeto.  Já se passaram 21 anos e o encontro  ficou marcado pela  resistência contra a barbárie a natureza e esta luta deve prosseguir. A população brasileira não pode permitir que este crime ambiental aconteça, as mobilizações devem se intensificar contra a construção da Hidrelétrica Belo Monte, que nitidamente visa o lucro para as empreiteiras e empresas, enquanto a população pobre é diretamente prejudicada e o meio ambiente devastado.

Redação Conlutas - Bianca Pedrina

Preconceito

Empresários do Nova Olaria
defendem repressão aos jovens!


Em matéria do jornal Zero Hora, no dia 20/04, empresário da Cidade Baixa defende repressão aos jovens de baixa renda que não tem condições financeiras de consumir no Centro Comercial Nova Olaria.

Por Lisiane Storniolo,  da Secretaria GLBT do PSTU

Os jovens que se reúnem em frente ao centro comercial Nova Olaria, situado na rua Gen. Lima e Silva, na capital são vitimas de preconceito já faz muito tempo, mas desta vez foi incitada pelo dono do cinema Guion, Carlos Schmidt.


O centro comercial é ponto de encontro de jovens, na sua maioria homossexual oriundos de famílias da classe trabalhadora, estes jovens se reúnem para confraternizar e se divertir, como todos que freqüentam o bairro Cidade Baixa.

Há pouco mais de 3 anos a discriminação a estes jovens aumentou no local, os banheiros foram fechados, os seguranças impedem a entrada destes jovens ao centro comercial, chegando ao ponto de serem brutalmente agredidos e reprimidos pela brigada militar, como ocorreu em junho do ano passado.

Agora, Carlos Schimidt, através de seu facebook e em entrevista a ZH, acusa os jovens de promiscuidade e uso de drogas no local, e ainda diz que os jovens impedem o direito de ir e vir de pessoas que freqüentam o Nova Olária.

Vamos deixar a hipocrisia de lado, o que ele chama de promiscuidade são as manifestações de homoafetividade. Pois se tu és homossexual com poder aquisitivo para consumir e pagar os altos valores cobrados pelos estabelecimentos do local, tu és bem tratado, e pode te manifestar a vontade. Ele afirma que existe o uso de drogas no local, mas o que os jovens consomem são bebidas alcoólicas e cigarros, como não são comprados no local e sim em outros estabelecimentos gera maior intolerância dos donos dos estabelecimentos aos jovens.

Claro que pode haver casos isolados, afinal reúne-se ali algumas dezenas de jovens aos domingos.

O direito de ir e vir - É exatamente isto que estes jovens estão fazendo, usando seus direitos de ir e vir, a Constituição Federal que garante a todos o direito de reunirem-se pacificamente em locais públicos.

Na entrevista à ZH Carlos Schimidt diz: “... Se já tivesse ocorrido uma morte, como teve na redenção, talvez já tivessem feito algo. Parece que esperam por isso...”. Parece que o Sr. Carlos não conhece os jovens que ali freqüentam, é uma “garotada” pacifica, que se reúnem exclusivamente para conversar e se divertir como quaisquer outros jovens da mesma idade.

Segundo o major da BM, Lucio Ruzicki, também em entrevista a ZH, são feitas apenas 3 ocorrências criminais por mês em torno ao centro comercial, e são via de regra, de desordem, nenhum crime, apenas reclamações contestáveis. Para ocorrer violência e morte por ali, apenas se for promovido por grupos skinheads ou incitado por alguém que não freqüenta o local e queira que os jovens parem de reunirem-se neste local.

Quem teria que indignar-se são os jovens, que não possuem uma política publica para resolver os constantes ataques e manifestações de homofobia que sofrem, nem tem seus direitos garantidos como a Lei Orgânica Municipal, Artigo 150, que veda a discriminação por orientação sexual em estabelecimentos comerciais. A luta contra o preconceito continua!

22 de abr de 2010

Eleições 2010

Zé Maria afirma que PSTU não irá reeditar frente de esquerda

Divergências sobre o programa e sobre doações de empresas impossibilitaram a coligação com o PSOL. Pré-candidato à Presidência pelo PSTU, José Maria de Almeida cita ainda a divisão interna do PSOL: “Um partido que não conseguiu sequer se unir para apoiar seu próprio candidato obviamente não tem condições de liderar uma frente de esquerda”, afirma.

O pré-candidato pelo PSTU a presidente, Zé Maria, declarou que nesta eleição o partido não participará de uma frente de esquerda, como ocorreu em 2006, quando junto ao PSOL e PCB, apoiou a candidatura da ex-senadora Heloísa Helena.


Em ato no Rio de Janeiro, Zé Maria lamentou o fim da possibilidade de coligação e criticou o PSOL por não ter concordado com um programa para a campanha que fosse realmente capaz de mudar a vida dos trabalhadores. “Só tem sentido a apresentação de uma candidatura socialista se for com um programa socialista. Mas não tivemos acordo nesse tema que aparentemente é bastante simples”, critica.


Outro tema polêmico foi o financiamento de campanha. Na eleição de 2008, o PSOL foi criticado por aceitar doações de uma grande empresa, a Gerdau, para a candidatura de Luciana Genro. Desde então, o PSTU cobrava do PSOL que recusasse o financiamento privado, para garantir a independência política. “Quem paga manda”, alerta Zé Maria.


PSOL DIVIDIDO -
Além destas divergências, a crise interna do PSOL precipitou o fim da frente. O partido saiu completamente dividido da escolha de seu candidato, com duas conferências nacionais, em locais diferentes. Apesar de Heloísa reconhecer Plínio de Arruda Sampaio como candidato, tudo indica que o PSOL não estará unido na campanha.

“Querem que outros partidos apoiem uma candidatura que sequer é apoiada pelo seu próprio partido”, afirma Zé Maria. Para ele, a crise do PSOL mostra a fragmentação da esquerda socialista e “não faz bem a ninguém”. Ele acredita que a divisão é resultado das escolhas que o PSOL fez em seis anos de existência, como a de priorizar as eleições. “Esse foi o caminho do PT”, avalia.


O PSTU irá realizar atos e seminários do programa eleitoral nos estados. Nesta semana, Zé Maria estará em Minas Gerais. Além de Belo Horizonte, ele visitará as cidades de Mariana, Contagem, Congonhas e Itabira. No dia 1º de Maio, participa de ato na Praça da Sé.

13 de abr de 2010

Editorial do Jornal Opinião Socialista

O Haiti é aqui


No dia 10 de abril, as duas principais candidaturas à presidência promoveram grandes eventos ao mesmo tempo. José Serra fez o ato de lançamento de sua candidatura com todo o PSDB reunido em Brasília. Dilma Rousseff fez uma atividade no ABC Paulista com seu patrocinador, o presidente Lula.


Enquanto isso, o povo do Rio de Janeiro chorava mais de 230 mortes com os desabamentos provocados pelas chuvas. Tanto Lula quanto seu aliado Sérgio Cabral, governador do Rio, culparam a natureza e os pobres moradores das áreas devastadas pelas mortes. Segundo eles, são os pobres que insistem em morar em áreas de risco.

Há pouco mais de um mês, era o povo paulista que lamentava 78 mortes pelos alagamentos das chuvas. O então governador Serra e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) fizeram o mesmo, se livrando de qualquer culpa: segundo eles, o problema é que choveu muito e a população joga lixo nas ruas, provocando alagamentos.

Famílias inteiras morreram. Outras tantas nunca mais se recuperarão de suas perdas. Os trabalhadores e jovens de todo o país, que acreditam em sua maioria no governo Lula, deveriam refletir sobre essa coincidência. Perante tragédias duríssimas, as reações de Lula e Serra foram idênticas.

Vindo da parte de Serra, seria de se esperar este tipo de reação. Afinal, ele representa a grande burguesia que mora em áreas seguras das cidades, e não nas regiões alagadas. A preocupação maior do PSDB não era com os desabrigados, mas com os reflexos eleitorais da catástrofe.

Mas... e Lula? O problema é que o PT tem como objetivo governar para a grande burguesia, exatamente como o PSDB. Por isso, reage da mesma maneira às catástrofes.

Não é por acaso que outras “coincidências” ocorrem. Os lucros dos bancos bateram recordes no governo FHC... e no governo Lula. O governo FHC foi aplaudido entusiasticamente pelos governos imperialistas dos EUA, Inglaterra e França. Lula foi mais apoiado ainda. O PSDB e o DEM ganham centenas de milhões de reais das grandes empresas para concorrerem às eleições. O PT de Lula recebe da burguesia mais que esses partidos de direita juntos.

A experiência haitiana


O terremoto do Haiti mostrou ao mundo emocionado a combinação de um desastre da natureza com uma catástrofe social. Os estragos do terremoto não seriam tão gigantescos caso não houvesse uma estrutura capitalista que agrupou dois milhões de pessoas em casas precárias e sem assistência médica. As tropas de ocupação, dirigidas pelo Exército Brasileiro, nada fizeram para ajudar nos problemas sociais antes ou depois do terremoto.

Não por acaso, tanto Lula como Serra têm a mesma posição em relação ao Haiti, respaldando a ocupação militar. Tampouco é por acaso que Zé Maria, pré-candidato a presidente pelo PSTU, acaba de chegar do Haiti. Sua entrevista nas páginas centrais desta edição do Opinião Socialista é um depoimento terrível: a situação catastrófica do povo haitiano segue a mesma depois do terremoto, agora sem as luzes da imprensa internacional.

Não existe nenhum apoio, nenhuma ação humanitária das tropas. Os sobreviventes seguem morando nas ruas, sem comida nem atenção médica, e o período de chuvas começa agora em abril.

Da mesma forma como aqui, no Haiti os governos alegam não ter nenhuma culpa. O problema foi o terremoto, e não a exploração capitalista. Tanto no Rio como em São Paulo, o problema foi a chuva... e os pobres. Para eles, assim que acabarem as luzes da imprensa, vai sobrar a repressão policial.

Por isso, é necessário uma alternativa própria dos trabalhadores, contrária aos dos dois blocos principais que só servem à grande burguesia. Por isso, é necessária uma alternativa classista e socialista para o país, como a candidatura de Zé Maria.

Os bastidores da campanha

    Zero Hora - DOMINGO - 11/04/2010

8 de abr de 2010

Trabalhadores em educação

Dirigentes do CPERS/Sindicato fazem avaliação inicial sobre a campanha salarial

Regis Ethur é professor de física, militante do PSTU e da Direção Central do CPERS/Sindicato.




Antônio Carlos é professor, militante do PSTU e da Direção Central do CPERS/Sinicato


6 de abr de 2010

ELEIÇÕES 2010

PSOL-RS aprova financiamento privado da campanha eleitoral

Giovanni Mangia, Porto Alegre (RS)

No dia 28 de março, ocorreu a conferência eleitoral estadual do PSOL do Rio Grande do Sul. A pauta principal foram as eleições que se aproximam.

Uma conferência muito importante para sinalizar os rumos que o PSOL gaúcho percorrerá no próximo período, já que a mesma definiu o nome do candidato, política de alianças e como se dará o financiamento de campanha. A conferência reafirmou o nome do vereador Pedro Ruas para representar o partido nestas eleições, decisão que já havia sido divulgada há seis meses.

Gerdau, Taurus, Zaffari e Marcopolo voltam ao debate

A votação mais importante foi sobre o financiamento da campanha, um tema bastante complexo que tem influência estratégica no desenvolvimento do PSOL. É nesse marco que o debate deve ser feito, pois, segundo a própria deputada Luciana Genro o “financiamento de campanha é a corrupção-mãe” (Zero Hora, 26/7/2005).

Luciana e sua corrente política, o MES, na época do mensalão e da legalização do PSOL, eram bastante radicais contra o financiamento privado. Hoje em dia, a defesa das doações da patronal às suas campanhas eleitorais viraram resolução de conferência.

É importante definir o valor desta decisão política, pois ao contrário de 2008, na campanha de Luciana Genro para Prefeitura de Porto Alegre, a decisão de captar dinheiro privado foi executada pelo diretório municipal que é hegemonizado pelo MES. Hoje, essa decisão foi definida por uma conferência, que é uma instância superior.

Em 2008, a polêmica sobre o financiamento privado da candidatura do PSOL ocupou espaço nos debates entre os militantes e ativistas dos movimentos sociais. Os R$ 100 mil da siderúrgica multinacional Gerdau e outros quase R$ 60 mil divididos entre grandes empresas como a armamentista Taurus, a montadora Marcopolo, a rede de hipermercados e comércio Zaffari-Bourbon e a empresa de transportes Maxion demonstram o estágio de adaptação ao regime democrático-burguês em que este partido se encontra.

A questão do financiamento privado mudou de tom, forma e até de conteúdo neste episódio. O grande perigo passou a ser, segundo a direção do MES, os bancos e as empreiteiras. O atual presidente do PSOL-RS, Roberto Robaina, afirmou como justificativa, na época, que “em Porto Alegre, estamos em uma situação de disputa de massa para tentar ganhar (a eleição). Não é possível ser ingênuo. Para ser socialista, não precisa ser burro e rasgar dinheiro” (Terra, 30/8/2008). Segundo Robaina, a abertura ao capital privado está intimamente conectada à estratégia de disputar as massas para vencer as eleições.

PT já mostrou o resultado desta estratégia

É possível ser financiado pela patronal e ao mesmo tempo defender a sua extinção? Obviamente, não. A burguesia não rasga dinheiro e muito menos quer fortalecer qualquer ideia ou figura pública que defenda a rebelião social contra a propriedade privada.

O PT é o resultado do financiamento privado. Foi em meados da década de 1980 que o PT começou a receber apoio financeiro do empresariado. Em 1986, na campanha de Eduardo Suplicy ao governo do estado de São Paulo, iniciou a aproximação política através do empresário Lawrence Pih.

Na campanha presidencial de 1989, empresários se manifestaram em favor de Lula. Foi o caso de Oded Grajew, do setor de brinquedos. Em 1994, foi criado o Comitê de Empresários Lula Presidente, que tinha como tarefa combater o preconceito contra o candidato no meio empresarial. Foi desta forma, quase inofensiva que a independência política e financeira do Partido dos Trabalhadores chegou à situação atual.

Mas podemos dizer que o PSOL se enquadra nesta situação? Com certeza não, mas ao mesmo tempo podemos afirmar que os sinais de adaptação se fortalecem com a posição aprovada na conferência eleitoral no RS. Não é por acaso que o MES defendeu em seu programa de governo para prefeitura de Porto Alegre, como eixo principal, o combate o combate à corrupção, redução de 70% dos cargos de confiança e plebiscitos sobre temas polêmicos. Luciana não defendeu nem mesmo a estatização do transporte público, nenhuma medida que fosse contra a propriedade privada e de ruptura. Limitou-se à defesa de medidas de regulação, fiscalização e de combate à corrupção.

Além disso, Luciana teve de passar por uma grande transformação na forma de se vestir e no seu visual. Tudo isso para se apresentar como uma candidata viável. A coligação com o PV, partido burguês e base do governo Lula, também estava nessa estratégia. Se é verdade que este partido era pequeno na cidade e não contribuiu muito para a campanha do PSOL – como afirmavam os militantes do MES – por que motivo os levaria a um afastamento programático do PSTU e do PCB?
A política de aliança com o PV teve como base de sustentação uma sinalização estratégica e não tática. Não é por acaso que Luciana e o MES foram os principais articuladores do apoio do PSOL a Marina Silva (PV) como candidata a presidente.

Qual é a disputa política no PSOL?

Existe uma crise muito grande no interior do PSOL que foi aberta quando Heloisa Helena se recusou a ser candidata do partido nas eleições presidenciais deste ano. Formaram-se dois blocos políticos que estão travando uma batalha quase fratricida. Para se ter ideia do tamanho do fracionamento interno, o grupo político liderado pelo MES e Heloisa Helena retirou do ar o site nacional do partido de forma unilateral. Hoje, o PSOL conta com dois sites oficiais, um de cada bloco político. De um lado estão os apoiadores de Plínio de Arruda Sampaio e de Babá. De outro, os que apoiam Martiniano.

Mesmo que essa disputa não tenha chegado ao seu fim, deixará cicatrizes. O debate político sobre o programa de governo, financiamento de campanha e as tarefas políticas para o próximo período estão comprometidos. Não se sabe nitidamente os acordos e desacordos entre os blocos. A disputa está concentrada na questão da democracia interna e na figura pública que os representará nas eleições. Em outras palavras, a disputa é pela direção do partido de uma forma atravessada.

Aos valorosos militantes do PSOL que estão ombro a ombro nas lutas conosco, só nos resta reafirmar que a situação em que se encontra seu partido não é inédita na historia da esquerda. Muitos quadros abnegados que dedicaram suas vidas à causa socialista acabaram por se degenerar pela força do aparato do Estado burguês. Mais do que nunca, é necessário construir um partido independente da burguesia, que não aceite financiamento privado, com uma estratégia revolucionária, radicalmente democrático e socialista.

Caso Eliseu Santos

Permanece duas versões sobre a morte do ex-secretário de Fogaça .

O Ministério Público entrou em cena nos últimas dias e fortaleceu a tese de que o crime foi uma execução política. É de conhecimento de todos/as que a gestão dos recursos da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre está sendo investigada pela Polícia Federal e o próprio MP. O maior exemplo  são as denuncias no caso Sollus, empresa que gerenciava o Programa da Saúde da Família (PSF), na gestão Fogaça.

A denúncia de cobrança de proprina da empresa de segurança REAÇÃO, que era realizada pelo assessor de Eliseu Santos, é outra etapa desse esquema de corrupção que existi na prefeitura da capital. A imprensa que deu grande destaque para toda e qualquer movimentação do então prefeito, não contribui em nada para auxiliar a desvendar esse caso. Só no caso Sollus são mais de R$ 9 milhões desviados e a Câmara Municipal foi incapaz de criar uma CPI para investigar o fato.

O PSTU Gaúcho reafirma que a tese de latrocínio, como é defendida pelos partidos da base do governo Fogaça (PMDB), não tem procedência perante a cronologia dos fatos. Os principais veículos de comunicação tentam abafar essa possível ligação com os escândalos de corrupção para não criar uma crise na candidatura de José Fogaça para o governo do Estado. Essa política de não avançar nas investigações tem apoio no interior do PT, pois o atual prefeito vem negociando o apoio a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Assistam a reportagem da TV Record-RS sobre o caso de proprina na SMS.

5 de abr de 2010

HAITI

Zé Maria visita acampamento de desabrigados no Haiti

Delegação da Conlutas chega ao país arrasado pelo terremoto para levar solidariedade de classe

Acampamento de desabrigados em Porto Príncipe

A delegação reunindo sindicalistas da Conlutas embarcou na madrugada dessa terça-feira, dia 30, chegando ao Haiti na tarde do mesmo dia. A delegação é composta por Zé Maria, dirigente da Federação dos Metalúrgicos de Minas Gerais; Cecília de Paula, Cláudia Durans e Elvio Mariano, do Andes e Vivaldo Moreira, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Logo no desembarque no aeroporto Toussaint Loverture, a delegação pôde se deparar com os rastros da destruição do terremoto de fevereiro, assim como a ocupação militar norte-americana.

“Enormes rachaduras são evidentes no aeroporto; assim como a visão da ocupação militar norte-americana, com helicópteros estacionados próximo à pista de pouso e soldados improvisados no salão de desembarque” , relata Rodrigo Correa, jornalista do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), que acompanha a delegação.

Os representantes da Conlutas foram recebidos pela organização sindical Batay Ouvryie (Batalha Operária), que agradeceu a campanha de solidariedade impulsionada no Brasil e que permitiu à entidade haitiana iniciar seu processo de reestruturação. Até agora já foram enviados o equivalente a mais de R$ 160 mil, em duas remessas. Na primeira reunião que as duas organizações tiveram em solo haitiano, o dirigente Didier Dominique relatou a difícil situação vivida pelo povo do país. “A comunicação ficou mais difícil e o transporte ficou quatro vezes mais caro”, disse.

País arrasado

No caminho para o abrigo, a delegação testemunhou a precariedade da situação do povo haitiano, assim como a absoluta ausência de qualquer tipo de reconstrução do país. “Os entulhos continuam por toda a parte! As pessoas continuam ‘vivendo’ em espaços de poucos metros quadrados, pequenas barracas” , relata o jornalista.

No dia 31, Zé Maria foi entrevistado por uma rádio local e falou sobre a campanha de solidariedade internacional aos trabalhadores haitianos, assim como a luta pelo fim da ocupação militar no país. A delegação visitou ainda acampamentos de desabrigados organizados pela Batay Ouvryie. Os brasileiros puderam testemunhar um protesto contra o presidente René Préval que reuniu centenas de haitianos, assim como a ação intimidatória da Minustah.


Conlutas no Haiti 2010 from SindMetalSJC on Vimeo.