4 de mar de 2012

URGENTE: Marinha do Brasil e Tropa de Choque cercam Quilombo Rio dos Macacos na Bahia!

É hora de fortalecer a luta e construir uma ampla rede de solidariedade: Dilma evite mais um massacre do povo negro!

TODOS A VIGÍLIA NO LARGO ZUMBI DOS PALMARES, 18H!

Por Matheus “Gordo”, da Coordenação de Ações Afirmativas do DCE/UFRGS e do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe
O início do ano de 2012 marca o aumento da criminalização dos movimentos sociais no Brasil. O caso mais dramático com certeza foi o massacre ocorrido na maior ocupação urbana da América Latina, no Pinheirinho em São Jose dos Campos, mas não parou por ai. Ocorreram casos de repressão em diversas ocupações urbanas, greves de trabalhadores e protestos contra o aumento das passagens. Agora, esta ofensiva ameaça também as comunidades quilombolas, que há séculos já se enfrentam com essa dura realidade. Na manhã de hoje (04) centenas de homens da Marinha do Brasil e da Polícia Militar de Jacques Wagner (PT), cercaram o Quilombo Rio dos Macacos, na cidade de Simões Filho, região metropolitana de Salvador.

Essa comunidade é habitada a mais de cem anos por remanescentes de quilombolas, que construíram a duras penas um símbolo de resistência, que abriga cerca de 50 famílias. A luta que pode ter um desfecho trágico no dia de hoje se iniciou ainda na década de 70, quando a Marinha do Brasil construiu conjuntos habitacionais nos arredores da comunidade. Desde então a repressão é continua. São muitos os relatos de abusos por parte dessa instituição, que tem na sua história a marca do racismo institucional do estado brasileiro, expresso no episódio da Revolta da Chibata. Os moradores relatam que eles mesmos ajudaram a construir as instalações e inicialmente mantinham boa relação com os militares, isso até a ganância da instituição começar a atingir de forma cruel a vida e a história dos quilombolas.

Pouco a pouco se iniciou uma política de restrição do direito de ir e vir dos moradores, são diversos os relatos de abuso sexual com as mulheres e violência com o conjunto das famílias incluindo as crianças. Até as plantações que sustentavam historicamente a comunidade foram impedidas pela Marinha. Essa situação se agravou nos últimos anos, quando assumiram os governos do PT, tanto no estado da Bahia quanto a nível nacional. O intuito da Marinha é estender suas habitações, mas aí a uma nítida intenção em continuar o processo liderado hoje no Brasil pela frente popular, que visa apagar a história da população negra, que 100 anos após o fim da escravidão formal ainda luta para se estabelecer, sem reparação alguma do estado e dos governos.  

Hoje chegamos ao ápice. As 9h da manhã, fizemos nosso último contato com os integrantes da Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas, que estão ajudando na organização da resistência no local. Aguardamos de forma impaciente novas notícias, mas até então não temos nenhuma novidade. Infelizmente, trabalhamos com a possibilidade de registrar mais um domingo sangrento em nosso país no ano de 2012, mas da mesma forma que fizemos ecoar pelo mundo inteiro a campanha de solidariedade ao Pinheirinho, nos lançaremos à ação em defesa do Quilombo Rio dos Macacos.

Está marcada para hoje uma vigília no Largo Zumbi dos Palmares, a partir das 18h, com o intuito de estender a rede de solidariedade e amplificar a mobilização. Seguiremos o exemplo do Quilombo do Silva em Porto Alegre, que se localiza no metro quadrado mais caro da cidade e resistiu com barricadas a desapropriação, mostrando que com muita organização é possível derrotar os poderosos. Nós do movimento nacional Quilombo Raça e Classe estamos mobilizando a comunidade negra e os ativistas do movimento social em diversos locais do Brasil. É necessário fortalecer essa luta nas ruas, mas também exigir imediatamente que Dilma impeça mais esse massacre. Defendemos a manutenção da posse e a titulação imediata do território do Rio dos Macacos, assim como também entendemos que é o momento de estender a todo país a luta contra a ADINs 3239 do DEM/PP e a MPLC 44 do Dep. Federal Collato, que impedem a titulação dos territórios quilombolas no Brasil.
 
ASSIM COMO ZUMBI, NÃO DAREMOS NENHUM PASSO ATRÁS!







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