7 de ago de 2013

A homossexualidade saiu do armário.



Por Anderson Castro, professor estadual e membro da Secretaria LGBT do PSTU-RS.

Félix (interpretado pelo ator Mateus Solano)
Na última semana o Brasil parou para ver o personagem Félix (interpretado pelo ator Mateus Solano) da novela da Globo Amor a Vida “sair do armário”. Na verdade ele foi jogado para fora do armário pela sua esposa Edith (interpretada pela atriz Bárbara Paz). No capítulo seguinte o drama se desenvolveu sobre a aceitação da família a essa notícia. Drama muito comum no cotidiano de muitas famílias brasileiras. Um tema antes tratado como tabu, hoje vem sendo discutido muito mais abertamente na sociedade e ganha ainda mais vigor ao ser tratado na telinha. Porém os homossexuais ainda têm muito a conquistar.

Em recente visita ao Brasil, o Papa Francisco fez uma declaração que foi interpretada por muitos como progressiva sobre o tema da homossexualidade. Ao declarar "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?" caminhou no sentido da tolerância sobre o assunto. Mas, é preciso colocar que não há uma mudança nessa manifestação. A tolerância não indica aceitação. Pelo contrário, a igreja católica mantém sua posição de “perdoar o pecador, porém atacar o pecado”. Cabe lembrar que a igreja católica não é a única a entender a homossexualidade como pecado, muitas outras igrejas, com destaque as Evangélicas, vêm travado uma guerra contra os homossexuais.

Há muito direitos a se conquistar. Se por um lado, depois de muita pressão e mobilização do movimento LGBT, conquistou-se através do Supremo Tribunal Federal a possibilidade da União Civil entre casais do mesmo sexo, por outro, a violência contra homossexuais só aumentou nesses últimos anos. Segundo o Relatório de Assassinato de LGBT de 2012 do Grupo Gay da Bahia, umas das associações LGBT mais antigas do país, nos últimos sete anos houve um crescimento de 177% de mortes por motivação homofóbica no Brasil. Só no ano passado foram 338 homossexuais assassinados, o que significa uma morte a cada 26 horas. Esse foi um dos temas discutidos na audiência pública realizada com o Governador Tarso Genro (PT) no dia 30 de julho. As entidades presentes na audiência destacaram que já completa-se 10 anos de governo federal de Frente Popular e o Brasil é ano a ano recordista em assassinatos de homossexuais.

A exposição do tema da homossexualidade e do preconceito permite que ele seja tratado pelas famílias e escolas de forma mais aberta e franca. O debate é base fundamental para avançarmos na luta contra o preconceito. Porém ele existe, e continua violentando milhares de jovens e adultos. Por isso é necessário que os governantes e parlamentares aprovem mecanismo que punam e combatam a homofobia. Um grande passo nesse sentido seria a aprovação da PL 122 que criminaliza a homofobia e que desde 2006 tramita na câmara de deputados.



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