5 de nov de 2015

A crise da MWM e a luta pelos empregos - entrevista com Vitor Schwertner


1)Opinião Socialista: Quantos anos você tem de metalúrgico e trabalhando na MWM? Conte um pouco da sua trajetória?

Vitor:  Tenho 48 anos, sou filho de pequeno agricultores e de uma grande família, 9 irmãos. Sou natural de Sarandi RS, meu pai tinha um pequena propriedade,  em 1970 vendeu as terras por não conseguir sustentar a família, foi para o oeste do Paraná em busca de mais terras no sonho de com a terra sustentar e criar seus filhos. Mas não demorou foi engolido pelo agronegócio. Vendo que ali já não iria sobreviver foi para o país vizinho Paraguai, em 1979, comprou alguns alqueires de terra. A Estória se repete o agronegocio massacra sem piedade os pequenos. Sem esperança de um futuro melhor em 1995, eu retorno para o Brasil. Venho morar em Canoas em busca de um emprego, rolei em vários setores até me afirmar como metalúrgico. Atualmente estou trabalhando há 12 anos na MWM International que faz parte do grupo Navistar americano e construindo a luta fiz parte de 3 mandatos da comissão de fábrica e um da federação dos metalúrgicos do RS, fizemos várias conquistas na fábrica, 40 horas semanais, a única metalúrgica da categoria e a própria comissão com estabilidade se tornou uma das melhores fábrica para se trabalhar no RS.


2) OS: Fale um pouco sobre a situação da Fábrica MWM motores? Existe a possibilidade de fechamento?

Vitor: Tenho 15 anos de metalúrgico e 12 de MWM. Éramos 1300 em 2011 quando conquistamos o contrato com a GM para montar o motor da S10. O contrato iria até outubro de 2018 anunciado como o melhor negócio do século e nós teríamos nossos empregos garantidos até final de 2018 como a produção anual de 45 mil motores podendo oscilar 15% a mais ou menos. Em 2013 começa uma briga para romper este contrato entre as duas empresas e as duas com o mesmo objetivo, a multa inicial  era de 140 milhões após um ano ambas chegam a um acordo, encerrar o contrado em fevereiro de 2016, ainda em 2013 começam as demissões aos poucos, em 2014 foi um ano de terror para os trabalhadores da MWM, com boatos de venda ou  fechamento da empresa mas a produção era obrigada a sair. Em maio de 2015, o diretor da empresa reuniu todos da fábrica e anunciou o calendário de encerramento das atividades que seria de novembro de 2015 a fevereiro de 2016 e oferece um pacote de “bondade” para os colaboradores que vestissem a camiseta até o fim das atividades de cada setor, dois salários e meio e  seis meses de plano de saúde após o fechamento da empresa isso com o aval da comissão de fabrica e sindicato. Caso os trabalhadores não aceitassem esse acordo perderiam tudo.

3) OS: O PT e a CUT dirigem a Prefeitura de Canoas e o Sindicato dos metalúrgicos de Canoas. Qual a postura dessas direções em relação a possibilidade de fechamento da empresa?

Vitor: Uma verdadeiro desastre! Dois anos de crise, dois anos de um verdadeiro assédio moral. O sindicato só se reunia com a direção da empresa, não realizou nem uma assembleia para discutir a crise ou a proposta da empresa e passa a lista do pacote de bondade junto com os supervisores  como se fosse uma assembléia para os trabalhadores assinarem, e se isso não bastasse intimida os trabalhadores se não assinarem estariam correndo o risco de perder os dois salários e meio oferecidos.
As autoridades políticas, o Senador Paulo Paim, O Prefeito Jairo Jorge, Nelsinho metalúrgico e Marco Maia que são deputados e que eram metalúrgicos, são filiados ao nosso sindicato, só aparecem na empresa em momentos festivos ou em épocas de eleições para pedir voto. Nem um político apareceu para defender nossos empregos, a cut só vejo defender a Dilma

4) OS:  O que será feito nas próximas semanas em relação a campanha contra o fechamento da fábrica?

Vitor: Estamos cobrando que o sindicato e prefeitura dirigidos pelo PT deixam de ter a política de omissão frente ao fechamento da empresa. Temos que ter assembléia para discutir a situação da empresa.  Politicamente estamos fazendo uma denúncia na assembléia legislativa sobre o fechamento da empresa que durante os últimos anos se aproveitou de dinheiro público para manter os empregos (incentivos fiscais), estamos encaminhando também a denúncia no ministério público do trabalho e ministério do trabalho. Queremos organizar um ato em frente a prefeitura de Canoas para chamar a atenção das autoridades para o fechamento da empresa.
 Nós os trabalhadores não aceitamos as propostas que a empresa negociou com o sindicato,  que é nada menos que "Morrer sendo fuzilado no paredão ou em uma  câmera de gás".
 Iremos lutar pelos nossos empregos!

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