4 de out de 2011

Érico Correa: 'Nossa estratégia política é comum: a revolução socialista'

Giovanni Mangia de Porto Alegre (RS)
• Érico Correa, 51, é uma das principais lideranças do movimento sindical e popular no Rio Grande do Sul e do coletivo Construção Socialista (CS). Ele atua no Sindicato dos Servidores da Caixa Estadual do Rio Grande do Sul (Sindicaixa) e na CSP-Conlutas.

Na sexta-feira, 30 de setembro, em um grande ato em Porto Alegre, ele se filiou ao PSTU, no qual também foi lançada a sua pré-candidatura a prefeitura. O ato reuniu cerca de 200 pessoas, no auditório do CPERS, com a presença ainda de Valério Arcary e Cyro Garcia. Na ocasião, também foi lançado um chamado ao PSOL, para a construção de uma frente de esquerda, com um perfil classista, socialista e sem financiamento de empresas ou aliança com partidos burgueses. Nesta entrevista, ele conta as razões que levaram ele e seu coletivo a romperem com o PSOL, o avanço das relações políticas e da atuação com o PSTU, e o significado da pré-candidatura.

Como foi a tua experiência com o PSOL?

Érico Correa - Em 2003, quando amplos setores do movimento social, especialmente dos servidores públicos, romperam por conta da reforma da Previdência de Lula em 2003, teve início, no Brasil um Movimento por um Novo Partido, que unisse a esquerda socialista. Pois bem, desta iniciativa resultou o partido político que hoje aí está. Conforme a pressão eleitoral sobre seus dirigentes e quadros aumenta, mais o PSOL caminhou para a adaptação à democracia burguesa e foi cometendo equívocos, como a busca pelo PV, o dinheiro da Gerdau, Marina Silva, o voto em Paulo Paim e muitos outros exemplos.

Assim, não restou outra alternativa aos lutadores coerentes senão romper com este partido. Não estava na nossa estratégia política construir um "novo PT".

Quando e como iniciou a aproximação política com o PSTU?

Érico - Na verdade, sempre estivemos próximos do PSTU, não só na luta sindical mas, principalmente na questão programática. Nossa estratégia política é comum: a revolução socialista. Esta aproximação também se acelerou com a construção da Conlutas e sua consolidação como uma central. No Conclat atuamos em equipe e também aqui no Rio Grande do Sul a relação entre as organizações se qualificou, superando diferenças táticas. Esta aproximação avançou com nossa saída do PSOL.

Qual o papel, na atual conjuntura, da tua pré-candidatura a prefeito de Porto Alegre?

Érico - É uma pré-candidatura construída a partir de um programa socialista. Devemos disputar o espaço político à esquerda deixado pelo PT e que o PSOL também não tem ocupado. Nesta tarefa denunciaremos o sistema capitalista, que explora e submete o povo. Questões fundamentais, as necessidades básicas dos trabalhadores, devem ser discutidas dialogando sempre com o nosso programa. A saúde pública, o transporte coletivo, a segregação social por conta da Copa, entre outras questões deverão ser debatidas com a população.

Qual sua opinião sobre o atual cenário eleitoral? Por que é necessária a unidade da oposição de esquerda ao PT?

Érico - Cada vez mais o sistema eleitoral apodrece, ampliando o espaço para a "pilantragem" e também cresce o descrédito do povo com os políticos. Esta eleição de Porto Alegre vai simplesmente repetir a velha fórmula e todos se apresentarão como "os melhores gerentes ", tentando conquistar a confiança da burguesia. Para isso não importam os compromissos que assumirão e nem de onde sairão os recursos para financiar suas campanhas. De nosso lado ocorre o oposto e assim esta candidatura deve estar a serviço de unir a oposição de esquerda para fortalecer a luta dos trabalhadores.

Essa unidade, entre Construção Socialista (CS) e o PSTU, também está a serviço de uma alternativa revolucionária para os trabalhadores, para a juventude...

Érico - Sem nenhuma dúvida. Este é um grande passo e por isso devemos ter todos os cuidados necessários na consolidação desta alternativa. Será fundamental construí-la a partir da base de nossas organizações, qualificando nossa ação cotidiana e obviamente fazendo aquilo em que acreditamos e sabemos fazer: a ação direta nas lutas, apoiando greves e mobilizações, enfim, atuando firmemente na luta de classes, ombro a ombro com os trabalhadores e trabalhadoras.

SAIBA MAIS

O grupo Construção Socialista (CS) reúne militantes que fizeram parte do Alternativa Socialista (RS) e do Coletivo Marxista Revolucionário Paulo Romão (RJ). Após conferência conjunta, em abril, romperam com o PSOL e lançaram carta pública, assinada por 37 militantes, a maior parte educadores. Na carta, criticam os acordos de cúpula, falta do trabalho de base e “táticas desastrosas” do PSOL, como a relação com o PV e as doações de empresas. O grupo afirma não aceitar mais que militantes se eduquem em um partido que “resume a questão do poder a eleger parlamentares e disputar por dentro da democracia burguesa”. Também criticaram a falta de uma política do PSOL para construir uma entidade sindical e tentativas de enfraquecer a CSP-Conlutas.




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